Fotografia e Edição: uma dupla inseparável

Fotografia e Edição: uma dupla inseparável

O penúltimo encontro dos “futuros” com os profissionais do Correio*, teve como convidado Márcio costa e Silva, editor de fotografia do jornal. Ele que já tem experiência com esses encontros, participou de quatro, fez uma programação diferente para essa edição. Utilizou imagens de seus trabalhos para ilustrar o que queria nos explicar.

Ele iniciou a explanação apontando e dando exemplos de que a edição das fotografias é tão importante quanto a própria captação das imagens pelo fotógrafo. Isso porque, muitas vezes o fotógrafo não tem tempo para captar uma imagem perfeita. Há casos em que se têm segundos para fotografar um acontecimento que não se repetirá. Daí a responsabilidade do editor fotográfico, deixar as imagens com uma melhor qualidade, mais atraentes ao olhar e aproximá-las do gancho da matéria. Nas fotos abaixo estão uma fotografia original como foi tirada pelo fotógrafo e a outra é a mesma foto só que editada para a capa do jornal.

 

Márcio apresentando a fotografia antes da edição (Foto: Emile Conceição)

Márcio apresentando a fotografia antes da edição (Foto: Emile Conceição)

 

Capa com a foto após edição

Capa com a foto após edição

Essa fotografia é referente à descida do Esporte Clube Vitória para a segunda divisão, nela fica nítida a decepção do jovem torcedor ao lado de seu pai. Na primeira há um certo destaque no pai e no filho, porém não o destaque necessário, há ainda outras informações que comprometem o foco visual. Este foi conseguido através da edição que conseguiu retirar as distrações e maximizar a tristeza do olhar da criança. Certamente, essa capa criou empatia com os rubro-negros baianos que estavam tristes com o rebaixamento de seu time. Pelo menos, a “futura”, Ana Paula Lima, torcedora do Vitória, considera essa capa emblemática e inesquecível.

Essa visão crítica da estética fotográfica não foi adquirida ao acaso. Márcio que fotografa desde criança, por influência de seu pai, já trabalhou em um laboratório de fotografia e também passou pela agência de publicidade Propeg. Ele relembrou como naquela época era mais difícil fotografar sem o auxílio de programas de edição de imagem para retirar as imperfeições ou tornar as imagens mais atraentes. As coisas eram feitas à base de criatividade e muita técnica. Hoje em dia o reflexo que vazou na fotografia de uma panela de aço inox pode ser facilmente removida com a ajuda do photoshop. Entretanto, naquela época era necessário criar uma fortaleza ao redor do objeto para evitar que os reflexos aparecessem, já que não poderiam ser retirados posteriormente.

Certamente foi nessa época que o jornalista aprendeu o valor do planejamento, uma das questões que mais enfatizou durante a palestra. “Eu prefiro perder tempo na redação raciocinando, do que sair correndo sem planejamento e não conseguir cobrir a pauta”, disse.

Márcio finalizou a conversa falando sobre o acervo fotográfico do Correio*, que segundo ele “é muito rico, mas não é organizado”. As dificuldades vão desde digitalizar fotos antigas a armazenar as novas. Buscar uma imagem no meio de tantas também é um grande problema relatado pelo editor. É triste pensar que relíquias como as fotografias das férias da família Veloso, tiradas na década de 1970, podem se perder um dia.

Enfim, é sempre um prazer, principalmente para nós que somos iniciantes, saber um pouco sobre as experiências dos veteranos. Certamente, as dicas que recebemos durante as palestras nos ajudarão no que virá futuramente na profissão. Já estou me preparando para os déjà vus!!