Os torcedores do Leão podem ficar tranquilos, esta não é a previsão do BaVi do próximo domingo
Nem Bahia, nem Vitória. O responsável por equilibrar o jogo e empatar o placar acima, todos os dias, é flamenguista. Torcer para uma equipe do Rio de Janeiro talvez ajude Eduardo Rocha, editor do caderno de Esportes do CORREIO*, a conciliar de forma mais isenta os interesses das duas maiores torcidas da Bahia. No BaVi da redação, o Bahia é campeão absoluto, seis dos nove repórteres torcem para o tricolor. Mas Eduardo garante que os textos são sempre imparciais, pois, na redação, o profissionalismo e o compromisso com o leitor ditam a regra do jogo.
Ainda assim, as críticas de tricolores e rubro-negros sobre as abordagens das matérias são frequentes. O editor explica que já aprendeu a lidar com esta situação: “trabalhar com esporte é lidar com paixões. Então, às vezes, é comum alguém dizer que você escreveu algo favorecendo este ou aquele time, mesmo que você tome cuidado e seja o mais imparcial possível”, ressalta.
O caderno de Esporte do CORREIO* é assumidamente futebolístico e destaca mais aos times locais como o Bahia e o Vitória. Eduardo diz que isso acontece porque a equipe é pequena e não tem como cobrir temas ligados ao esporte amador, por exemplo. Durante a palestra, ele falou também sobre temas polêmicos como o jabá do Bahia e destacou a importância da ética jornalista nas coberturas ligadas ao mundo esportivo, além de enfatizar que credibilidade se constrói com clareza de princípios.
A cobertura das aventuras e peripécias do mundo dos atletas, para um jornal impresso, exige do jornalista criatividade e um olhar diferenciado, pois no dia seguinte não interessa ao leitor apenas o placar, o resultado das provas, ou os principais lances do jogo, é necessário procurar histórias, trazer dados, falar sobre fatos que quase ninguém viu ou se viu não prestou atenção.
O trabalho do repórter esportivo também exige muita apuração, ao contrário do que muita gente pensa. Mas é um ofício que pode proporcionar momentos inesquecíveis. Os olhos de Eduardo ganharam outro brilho quando ele descreveu uma de suas entrevistas mais prazerosa. O flamenguista estampou um sorriso no rosto quando lembrou do dia que entrevistou Zico, um dos maiores jogadores do mundo. Como a entrevista foi por telefone, até hoje o Eduardo tem o contato do Galinho de Quintino. O número ele não revelou, mas deixou escapar que tem salvo na agenda do celular.
Confesso que estava esperando a palestra sobre jornalismo esportivo com muita ansiedade. Entre as boas surpresas está o fato de saber que o editor do jornal mais vendido do Norte-Nordeste é rubro-negro, flamenguista, mas rubro-negro. Eu saí da sala com mais certeza sobre o que eu quero trabalhar. A tarefa é mais difícil do que eu pensava, pois é preciso ter habilidade e competência para lidar com as paixões e com as subjetividades dos outros.