O que é jornalismo de dados? Essa pergunta pairava sobre minha cabeça. Antes da palestra do editor de Cidade do Jornal Correio*, Juan Torres, na última terça-feira (18), eu imaginava que seria uma maneira de produzir textos com a utilização de dados. Mas, quais dados? Como utilizá-los?
A resposta, porém, foi aparecendo aos poucos, através de uma apresentação, com grandes exemplos, feita por ele. Mas afinal, o que é isso? É de outro mundo? Claro que não! É uma prática muito vista nos jornais impressos, online, revistas… só não se sabia o nome.
Para a gente ter uma Reportagem com Auxílio de Computador (RAC) precisamos de um grande volume de informações. Essas informações (dados) serão arquivadas em um banco de dados (geralmente Excell), e a partir de um feeling jornalístico ou através do surgimento da resposta para a pergunta que deu início a ideia, tem-se uma mega matéria com auxílios de gráficos e meios ilustrativos para seu resultado. “Os dados te dão uma reportagem.”, afirmou Juan.
Passamos por diversos exemplos para, como numa matéria de Jornalismo de Dados, entender aos poucos como funciona essa técnica, afinal, o próprio Juan só a conheceu com sua matéria, “Com Mil Vidas eu descobri o Jornalismo de Dados”.
Mil vidas, manchete sugestiva para uma matéria trágica que retrata a realidade violenta da cidade. Essa foi uma grande matéria do Correio* que concorreu ao prêmio “Esso” de jornalismo, teve sua primeira edição em 2011 e tem sido repetida anualmente.
Para a construção dessa matéria foi necessário muita inteligência e paciência, já que foi um trabalho que começou em abril e terminou em junho com a milésima morte em seis meses na capital baiana. Uma das grandes dificuldades foi cruzar os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já que reconhecem os bairros de forma diferenciada. A matéria foi tão bem elaborada que virou série de quatro dias. Outro grande exemplo do Correio* é a matéria “Cidade Negra”, que saiu em dezembro de 2012. Essa matéria faz uma revelação, digamos que bombástica, de que Salvador não é a capital mais negra do Brasil.

Entre esses exemplos soteropolitanos, nacionais e estrangeiros, como o gráfico produzido por Charles Joseph Minard, (de 1826) que retrata a perda sucessiva de homens do exército francês durante a campanha da Rússia (1812-1813), fomos captando o que é jornalismo de dados e descobrimos que “o jornalismo de dados não é novo, o que é novo é a forma de trabalho”.
Para finalizar com a resposta tão esperada, Jornalismo de Dados é a mescla entre jornalismo e ciência. A ciência é usada na investigação porque segue um mito (que será desvendado durante a apuração) e pode ser replicado (seguindo a forma de coleta de dados utilizada pelo autor). Aliando esse dado a gráficos e textos tem-se a produção de uma matéria jornalística.