O veterano jornalista americano Bill Kovach escreveu um pequeno texto descrevendo coisas que ele — então estudante, aos 21 anos — gostaria de saber sobre a profissão. No meu caso, exatamente aos 21 anos, resolvi trocar uma profissão talvez mais rentável e baseada em códigos políticos, pelo jornalismo. Uma meta antiga que agora vejo se transformando em realidade. Foi nessa época de transição que achei este texto e foi ele que me deu o ânimo e a força pra ir à contramão do fluxo.
“Coisas que eu queria saber aos 21: Se você é um jovem jornalista ou pretende ingressar na profissão, deixo duas dicas: seja curioso e cético. Se você não suporta não saber alguma coisa, seu negócio não é jornalismo. É preciso fazer perguntas constantemente. E toda vez que alguém te contar algo, pense: como essa pessoa sabe isso? Ela consegue me mostrar de onde veio a informação? Será que trabalha para alguém que paga a ela para espalhar essa informação? É preciso continuamente documentar o que se vê e se ouve, não acreditar em qualquer coisa. Tudo flui a partir disso. Sua curiosidade te faz perguntar e o seu ceticismo, duvidar das respostas. Daí a reportagem se escreve sozinha. É como jogar semente na terra: o texto brota da boa apuração.”
Apuração. Palavra chave do jornalismo. “O texto brota da boa apuração”, ainda mais se este texto se destina mostrar aos leitores, assuntos de um dos temas mais relevantes da nossa sociedade: política. Quem nos falou sobre jornalismo político foi o experiente Jairo Costa Júnior, editor de política do Jornal Correio* e responsável pela Coluna Satélite, onde pode expor os bastidores da política baiana.
Jairo Costa Jr. /Foto: Tayse Argolo
Dotado de uma plena capacidade eloquente e de um notório saber sobre o tema, Jairo lembra que a própria história do jornalismo se confunde com o jornalismo político. Os jornais discutiam política e eram basicamente instrumentos políticos e ideológicos. Com o passar do tempo, a capacidade de criar impacto com a notícia passou a interferir na realidade de forma positiva.
A cobertura do dia a dia e a investigação são duas alas da cobertura política. “O jornalista político tem que saber ler nas entrelinhas”, afirmou Jairo. Assim, um bom conhecimento do caso, uma boa apuração e uma boa entrevista não são o bastante para os estudantes que desejam seguir por essa linha. Um bom jornalista político é aquele que está sempre atento e que carrega, também, uma certa aptidão textual e investigativa.
Talvez a tirinha explique melhor.