Quantas ideias cabem na sua página?

Quantas ideias cabem na sua página?

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A pior parte de trabalhar em jornalismo é o texto. Sim, o texto. Não porque seja difícil escrever bem ou acertar na apuração, a pior parte é encaixá-lo no espaço da página, essa maldita…

Depois que você escreve, checa, revisa e mostra para o editor, o próximo passo é “riscá-lo” na página do jornal. Mas qual não é a surpresa quando, logo abaixo do programa, vem em cor de sangue um número. Ele indica quantas linhas estão sobrando e devem ser cortadas daquele texto que você aprendeu a amar.

Você, então, relê sua obra, troca palavras grandes por menores, dispensa artigos e prioriza apenas as informações essenciais, sem extras. Quando joga de novo no programa, aquele número indecente reduz, mas ainda não chegou a zero. Você começa a se desesperar, se irritar com o programa, chorar no pé do editor por ajuda.

Os editores, essas criaturas incríveis, com uma olhada no texto, conseguem reduzir 20 linhas facilmente. Claro, eles estão acostumados com esse trabalho, mas vê-los em ação, na sua frente, é mágico. Telma Alvarenga, por exemplo, cortou 44 linhas de um texto que eu tinha decidido ser impossível apagar qualquer “ai”.

Mas, às vezes, os editores se transformam em verdadeiros ceifadores e aquela frase que você achou genial é estraçalhada sem dó nem piedade. Nos meus textos, saem além de linhas extras, suor e lágrimas.

No fim, chega a zero de um jeito ou de outro, mas a sensação é de que seu texto já passou por maus bocados e nunca mais será o mesmo. Na maioria das vezes fica melhor, mas no fundo, você tem vontade de levá-lo, na íntegra, para a versão online. Essa sim tem espaço de sobra para abraçar todas as suas ideias. “Mas não vá se empolgar, ninguém lê texto grande na internet”, já diria um editor de online.