Como já havia dito anteriormente a editoria de economia me interessa muito. E decidi que tinha que acompanhar pelo menos um dia dessa rotina.
Quando cheguei à redação Linda Bezerra estava rodeada de crianças de uma escola particular de Salvador explicando o funcionamento do jornal. Por conta disso não pude falar com ela pra ver as possibilidades de acompanhamento daquele dia. Então procurei me encaixar em algum lugar ali. Perla Ribeiro, chefe de reportagem de cidades, me disse que Priscila Chammas, repórter de economia, estava apurando três matérias e que eu poderia ajudá-la. Era tudo que eu queria!
Ela passou pra mim a tarefa de ligar para as assessorias dos shoppings da cidade pedindo que me enviassem releases sobre programação e decoração de natal. Achei que os assessores foram muito solícitos comigo, mas claro, se tratava de coisa boa. Tirando telefonemas que demoraram de ser atendidos, minhas solicitações foram respondidas rapidamente.
Enquanto apurávamos, Priscila recebeu um telefonema da assessoria do shopping Iguatemi, enquanto falava ao telefone sua felicidade transparecia. Era um furo de reportagem, aquela informação exclusiva, que ninguém mais tem. A notícia era que uma Ferrari será sorteada no fim de ano e que para concorrer será preciso no mínimo R$ 300 em compras. Aquela notícia foi recebida como música por ela.
Em economia, a apuração é feita quase sempre por telefone, o que gera algum preconceito na redação, aquele velha história que repórter de verdade é aquele que vai pra rua, que conversa com as fontes. Pois bem, em economia é possível fazer isso quando é viável, como aconteceu com a pauta de natal, para a qual Priscila foi aos shoppings da cidade conferir promoções e novidades juntamente com a Jornalista de Futuro, Monique Lôbo.
Economia é uma editoria tranquila se comparada a outras editorias do jornal, por isso é possível um planejamento de pautas que só entrarão, por exemplo, daqui a duas semanas ou na próxima semana, como é o caso de um das pautas que estava sendo feita para o caderno de Imóveis (que não posso revelar) ou mesmo a do natal, para a qual que parte da apuração foi feita duas semanas atrás.
Mas segundo a própria Priscila Chammas, essa apuração antecipada é a causadora, também, de uma das maiores dificuldades de um repórter, porque “as coisas se perdem na memória”. Além disso, o bloquinho não é muito legível, já que se escreve muito rápido e muitas vezes se usa apenas palavras chaves. “É diferente de apurar hoje e escrever logo em seguida, as informações estão frescas”, completou.
Acompanhei-a no processo de elaboração da página da matéria de imóveis. Ela desenhou junto com a diagramadora, escolheu onde entrariam as fotos, olhos, aspas e tudo mais que compunha sua matéria. Existe sempre o diálogo, a repórter propõe, a diagramadora expõe sua opinião até que cheguem a um consenso.
Depois de ter feito a parte que me cabia no processo da pauta, fiquei ali observando Priscila escrever sua matéria. Perguntei pra ela como saber quantos caracteres cabe na página. Ela disse que não sabia e que por isso prefere escrever direto pelo sistema GN3 e não no Word.
Após esse acompanhamento, percebi como é a rotina de uma editoria de economia. Repórteres com mais de uma pauta, muitos telefonemas a fazer, poucas saídas às ruas, fora isso, o trabalho é sempre o mesmo, encontrar personagens, escrever matérias e tudo mais que envolva o trabalho jornalístico e o tratamento da notícia.