Aprendemos com a exposição do jornalista Biaggio Talento que o exercício da política está cada vez mais presente na dimensão da comunicação contemporânea e apesar de o jornalismo político se constituir em campo relevante ainda se encontra distante da maioria das pessoas. É preciso decodificar as notícias para torná-las mais acessíveis e alcançar um público mais abrangente. “Para que as pessoas leiam a editoria de política é necessário fazer matérias interessantes e acessíveis, que sensibilizem. A questão crucial é que você descobre um monte de falcatrua, mas a lei não pune, então as pessoas se frustram.”
Por outro lado, esse tipo de jornalismo trata com atores sociais quase sempre ligados a grupos econômicos e as empresas de mídia dependentes desses grupos. “O grande problema do jornalismo político hoje em dia são as ligações com as empresas privadas.”
Apreendemos de sua fala que lidar com o jornalismo é lidar no cotidiano com estágios de tensão, tanto no discurso: “Sempre gravar as declarações dos políticos e guardar por um certo tempo até você ter certeza que não será processado” quanto no choque de interesses: “Eu sei que o leitor quer que eu denuncie tal irregularidade, mas você precisa atender o interesse do patrão muitas vezes que precisa de um anúncio de uma empresa no jornal.”
Baggio nos colocou pontos de reflexão sobre a construção do discurso: os jornais chegam à população com informações que contribuem para o debate público, embora carregados de interesses: “Dá uma satisfação enorme quando uma matéria repercute, tem desdobramentos. As matérias que fazemos têm o objetivo de mudar a sociedade, alterar algo porque de outro modo o jornalismo perde o sentido.”