Apuração de perto e de longe

Apuração de perto e de longe

Aprendi duas boas lições com os repórteres de economia do Correio* até agora (eles também respondem pelas notícias de Brasil e Mundo). Experiências completamente diferentes, uma fora da redação e a outra dentro. A primeira pauta foi a esperada inauguração da rede varejista Magazine Luiza em Salvador, tema que ocupou páginas da seção Mais da edição do dia seguinte.

Acompanhei a repórter Luciana na tarefa de visitar três filiais, sendo que duas delas ficam na Avenida Sete. Nunca fui expert em matemática, mas posso definir o dia em uma equação básica: alto investimento em propaganda + promoção + centro da cidade = uma multidão de consumidores.

Eu e ela nos dividimos entre as duas lojas para otimizar o tempo. Fiquei  então sozinha com a missão de conferir o antes e o depois da abertura dos portões. E a primeira lição começou ali. Foi a ansiedade de uma senhora, a primeira da fila, que chegou com três horas de antecedência. Foi literalmente perseguir o ocupado gerente para uma conversa (ele estava quase fugindo de mim, juro). Foi a revolta das donas de casa quando o ventilador anunciado por R$30 esgotou. Gente carregando coisas na cabeça. Pessoas sem economizar sonhos: celulares, DVDs, televisões. Tudo parcelado infinitas vezes no cartão de crédito.

A partir daí entendi a importância de entrevistar olhando no olho, de perceber o ambiente e anotar todos os detalhes possíveis.  O que parece uma simples conversa pode virar o lead da matéria. Ainda mais no Correio*, com sua linha editorial focada em personagens.

Jornalismo em tempos de facebook

Fiquei equivocadamente convencida (só por um tempo!) de que não seria possível um bom texto sem observação. E eis que ontem veio o meu outro exercício: ajudar Luciana a apurar informações sobre Sandy, o furacão que assola os Estados Unidos nos últimos dias. Como escrever sobre algo que você não presenciou?

A redação dispõe de informações de diversas agências de notícias. Ok. Mas o objetivo é nunca ficar refém de um discurso repetitivo entre os outros veículos. Como o bom é o exclusivo, fomos caçar histórias de brasileiros que estão no país. Mas fazer ligações internacionais é um processo que pode ser complicado. E tem modo mais eficaz para encontrar pessoas hoje em dia do que o facebook? Não foi difícil. Tentei falar com alguns conhecidos que moram por lá e obtive respostas quase instantâneas.  Não deixou de ser uma forma de comunicação. Afinal, conseguimos bons depoimentos e de modo rápido, exigência diária na rotina do jornal.

Luciana pediu para que eu conversasse com uma fonte por telefone, mas ela não viu as ligações. Só me atendeu depois que lhe enviei uma mensagem pelo facebook. Segunda lição: apurar de perto é importante, mas se não for possível, porque não utilizarmos a tecnologia a nosso favor?