O vício da apuração

O vício da apuração

 

(Foto: Internet)

“Essa po***  vicia”. A frase dita pelo repórter Vitor Longo, durante a apuração de uma matéria da editoria de Cidade/Basal (Bahia/Salvador), talvez tenha sido a que mais marcou e representou esse período, de duas semanas, que estive acompanhando a equipe do impresso do Correio*. A citação foi uma tentativa de ilustrar a sensação de adrenalina e vontade de continuar investigando o caso, que, no entanto, teria de ser freada em algum momento, afinal, precisávamos voltar à redação  para finalizar a matéria.

A feliz descrição surgiu enquanto estávamos cobrindo o caso da garota Joevellyn Aghata. A sul mato-grossense que havia desaparecido e encontrada, dias depois, na região de São Cristovão. O mistério em volta do episódio e a falta de informações precisas fez com que se tornasse ainda mais “interessante” a busca por novos fatos que revelasse mais sobre a verdade do havia acontecido.

Saímos da redação no início da tarde. Tarefa? Apurar mais sobre o caso Joevellyn. Com algumas informações soltas, fomos à busca de novos fatos. Primeiro fomos ao hospital, pouco foi dito pelos médicos e familiares. Em seguida nós nos encaminhamos para a casa da amiga que havia hospedado a vítima. Depois de muita dificuldade para encontrar a rua onde ela mora, conseguimos, e lá, começamos a apurar de fato. Vizinhos, seguranças, bares, tudo que pudesse servir como fonte nós entrevistamos.

As informações dadas pelas fontes sempre levavam até outra, e por aí vai. As horas passavam, mas a vontade de continuar não cessava. A curiosidade e vontade de desvendar esse mistério era cada vez maior. Foi então que, por volta das 20h, surgiu a indagação de Vitor. “Essa p* vicia, tem que saber a hora de parar”. Daí paramos de investigar e seguimos pra redação com tudo que havíamos obtido de informações para redigir o texto, afinal, a matéria tinha hora pra ser entregue.

Essa experiência, que inclusive rendeu minha primeira assinatura em uma matéria do Correio* e a primeira em um jornal fora da Página de Esportes, fez com que eu descobrisse um universo fora do conteúdo esportivo, que a adrenalina da apuração, devidamente controlada, pode ser o combustível que alimenta o instinto de um jornalista em busca da informação e que as possibilidades são quase infinitas.