Assisto futebol na televisão algumas vezes ao longo de uma semana e numa transmissão aprecio narradores que conseguem passar a emoção do jogo sem deixar de falar as informações básicas jogada a jogada e comentaristas que traduzem o que se passa no campo, ajudando a entender o que está acontecendo. Se o time está mal na partida, quais são suas dificuldades? O que o outro time está fazendo que o impede de jogar bem? O que fazer para melhorar?
Diante de tantas tendências que vão se desenvolvendo ao longo de uma partida, como falhas defensivas do Bahia pelo lado esquerdo ou marcação eficiente na saída de bola do Vitória, um gol não pode ser explicado pura e simplesmente com ‘o time não gostou do jogo’ ou ‘os jogadores estão jogando com vontade’, por exemplo. É um pouco disso que Darino Sena trouxe para a conversa com os estudantes do Jornalismo de Futuro e que me estimulou a escrever sobre uma parte de como ele comenta futebol.
Já acompanhava o trabalho de Darino e percebia essa preocupação com a tática e com os detalhes de cada momento da partida. O uso de lances de jogos (não necessariamente os melhores momentos) para apoiar os seus comentários nos programas diários da Rede Bahia mostra um pouco do seu gosto por comentar em cima desses detalhes que vão se repetindo e merecendo destaque. Por outro lado,a partir da conversa da última quinta-feira já não era mais uma percepção. Ele mesmo disse que seus comentários são também voltados para essas tendências. Ouvi pessoalmente que seu jeito de olhar futebol combina com o que eu gosto de ouvir, e isso não deixou de me empolgar e me instigar a consultar mais suas opiniões.
O jornalista que começou a sonhar em trabalhar com futebol em seus campeonatos particulares de futebol de botão ressaltou ainda que além da tática, a técnica também é merece ser bem analisada pelos comentaristas. Ele admitiu que perceber como o jogador chuta, a maneira de dominar a bola, entre outros aspectos da relação jogador/bola é uma tarefa mais fácil para quem já esteve no campo, como Tostão. O jornalista não fez parte de nenhuma seleção campeã mundial para encher o peito e responder àqueles jogadores que esbravejam: ‘Onde você jogou bola pra falar de mim assim?!’, mas seu passado como jogador de botão e apaixonado por futebol com certeza o ajudou bastante para falar com propriedade desse jogo.