Sobre apuração, eleições e… mais novela!

Sobre apuração, eleições e… mais novela!

Hoje quero falar sobre várias coisas ao mesmo tempo, mas prometo chegar a um ponto comum entre todas elas. Evitarei ao máximo ser prolixo.

A  experiência no “aquário” do Correio*, que se encerrou para o meu grupo na última quarta-feira (25), me remeteu a alguns pontos discutidos na série de palestras que tivemos no início do programa.

Ouvimos Linda Bezerra reforçar a importância da apuração no processo jornalístico para a realização de uma boa matéria. Ainda sobre a apuração, vimos duas posições divergentes sobre os meandros da prática. Ana Cristina Santiago, editora de economia, disse que uma apuração pode ser feita na própria redação e que existe uma certa resistência da maioria dos jornalistas em aceitar isso. Em contrapartida, Juan Torres e Victor Uchôa, que juntos nos trouxeram suas experiências com a série “Mil Vidas”, afirmaram que não entendem uma apuração feita somente por telefone.

Guardada a devida contextualização, afinal são duas editorias completamente distintas e que têm necessidades bem específicas, depois da experiência no site do Correio*, me solidarizo com a perspectiva de Santiago e acredito que uma boa apuração pode render um trabalho bem interessante sem sair da cadeira. Desde que feito com o profissionalismo que os peixes do “aquário” demonstraram

Logo no meu primeiro dia fui testemunha de que isso é possível. Surgiram boatos de que a presidente Dilma Rousseff chegaria a Salvador na sexta-feira (19) para fazer um comício de Nelson Pelegrino em Cajazeiras. Primeira providência? Ligar para a assessoria do candidato para se certificar da informação. A primeira resposta foi negativa. Ligamos de novo no dia seguinte. Batata! O destino da presidente no final daquela semana seria Salvador, depois de adiarem sua passagem por São Paulo em função do último capítulo de “Avenida Brasil”, segundo a coluna de Mônica Bérgamo no FolhaOnline.

Mais ilustrativo ainda foi o que aconteceu nessa semana. Pipocaram na internet mensagens de repúdio de evangélicos à nova novela da Rede Globo, “Salve Jorge”. Assim que vi uma dessas mensagens no Facebook durante a ronda, conversei com Caroline Neves, uma das jornalistas do Radar. Será que o assunto renderia no Correio*? Com uma resposta positiva de Carol (como ela prefere ser chamada), comecei a pesquisar sobre o caso. Descobri, sem sair da cadeira, que toda a controvérsia tinha começado em um blog alimentado por fiéis da Igreja Universal (posts bem questionáveis, por sinal), que o Bispo Edir Macedo já havia se pronunciado sobre a celeuma em seu blog pessoal e que a página do grupo no Facebook era uma das principais plataformas de repúdio ao pobre do Jorge.  Na visão deles, São  Jorge é uma das representações de Ogum, o orixá, e só o fato de todos os dias os lares brasileiros permitirem a entrada da saudação “Salve Jorge” deixaria a entidade tomar o lugar de Deus em suas vidas. O resultado de toda essa investigação foi pessoalmente satisfatório e a recompensa maior foi acompanhar a repercussão do caso no dia seguinte, dentro da redação e através dos comentários dos leitores(da última vez que li, 236 comentários), alguns moderados por mim.

Então não sei bem se importa o lugar que você faz a apuração. Tudo depende das características do veículo para o qual se trabalha mas, acima de tudo, tudo depende  da qualidade dessa apuração. São lições que levo do convívio com esses competentes jornalistas anônimos que se escondem atrás das palavras “Da Redação” no topo de cada notícia do Radar. Sou muito grato pela acolhida e pelas lições.