Usa uma camisa pólo azul, calça jeans e tênis. Gesticula muito ao falar, às mãos não ficam paradas, imita vozes, encarna personagens, é teatral. Xinga, brinca, fala descontraidamente, a cabeça parece estar a mil por hora. Assim, é Darino Sena, 31, comentarista de futebol na Rede Bahia e colunista do jornal Correio*. Ele conversa com a terceira turma do Programa Jornalismo de Futuro na Facom.
Mesmo sem saber, sua carreira começou quando ele ainda era guri. Como não tinha irmãos, e sua família se mudava frequentemente de bairro, adquiriu o hábito de jogar botão sozinho, já que não dominava a arte do futebol, embora lesse muito sobre o assunto. As brincadeiras com o jogo de botão instigavam a sua imaginação. “… era massa jogar, porque eu identificava os jogadores como eu queria, tinha as emissoras, os repórteres, narradores e comentaristas que transmitiam os jogos e que claro, era eu mesmo. Prá cada um desses personagens eu inventava uma voz”.
Dessa forma lúdica ele foi instintivamente aprendendo a comentar e narrar. A ideia de jogar futebol o acompanhou até a adolescência quando fez testes para os times do Bahia e Vitória. “… mas perdi todos porque eu era ruim como a desgraça. Prá não dizer que perdi em todos [os testes], eu passei um ano jogando como goleiro no time de futsal do Vitória, era o reserva”.
O futsal foi deixado de lado, por causa do vestibular e surgiu o jornalismo como opção “… porque queria trabalhar com futebol. Eu tinha duas alternativas: fazer jornalismo ou educação física, mas não gosto de malhar. Dá pra ver né? Então caí fora”. Achava impossível ser narrador porque não acreditava que sua voz fosse adequada e não pensou também em ser comentarista. O seu maior ídolo é Galvão Bueno que considera tecnicamente o melhor narrador do Brasil. Imita-o, de forma engraçada e espontânea provocando risadas da turma. “Olimpíadas sem Galvão não dá. ‘Ouro, menino pobre, o Brasil inteiro nessa medalha’.” A paixão pelo futebol falou mais alto.