O segundo turno da campanha eleitoral para a prefeitura de Salvador está chegando ao fim de maneira não muito pacífica. Apesar dos dois candidatos terem prometido que não partiriam para ofensas pessoais e iriam elevar o nível das discussões políticas, não foi isso o que aconteceu na prática. O que se vê nas propagandas, debates e caminhadas nos bairros, é um imenso arsenal bélico de acusações apontadas de um lado para o outro.
Ainda não está claro qual dos lados tem mais força. Segundo a pesquisa de intenção de voto realizada pelo Ibope, o candidato do DEM, ACM Neto, está 8 pontos à frente do rival Nelson Pelegrino, do PT. Já o Instituto Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp) verificou que esta vantagem seria de apenas 0,8 %, o que representa empate técnico. Porém, este tipo de pesquisa nem sempre corresponde à realidade, já que é impossível avaliar todas as variáveis envolvidas na disputa, ainda mais com uma amostragem tão pequena (apenas 805 pessoas foram ouvidas pelo Ibope e 1,4 mil pelo Babesp).
Nas duas últimas semanas, tive a oportunidade de participar de caminhadas dos dois candidatos em bairros populares de Salvador. Além de perder parte da audição, por conta do volume absurdo dos carros de som tocando os jingles de campanha, ficou claro para mim que ambos partiram para uma disputa voto a voto. No dia 15 deste mês, em Itapagipe, observei Pelegrino entrar em várias casas populares contendo faixas penduradas com a foto de Neto. Numa delas o candidato petista chegou a posar da varanda, ao lado da propaganda do rival, assim como um soldado que finca a bandeira do seu país sobre o território recém-conquistado.
Mas foi na última semana de campanha que o clima realmente esquentou. Na última segunda-feira (22), durante uma caminhada de ACM Neto nas ruas estreitas do bairro do Calabetão, um mini trio elétrico com militantes do PT simplesmente atravessou o percurso do candidato do DEM, com a intenção de, literalmente, bagunçar a passeata. Enquanto os petistas reclamavam que o democrata só estava ali no subúrbio para conseguir votos, o outro lado acusava o Partido dos Trabalhadores de ser uma organização criminosa, citando o caso do mensalão como exemplo.
Antes disso Neto já havia se queixado de uma ação semelhante por parte dos rivais ocorrida no dia anterior, no Subúrbio Ferroviário. “Parece que o PT desaprendeu a fazer democracia. Eles estão tentando impedir que a gente converse com as pessoas nas ruas”, reclamou Neto se referindo aos manifestantes como “bandidos”.
A disputa chegou a um nível tão critico que os candidatos estão gastando mais gogó e papel para agredir o adversário do que para apresentar propostas de governo. O panfleto de propaganda entregue durante as caminhadas de Neto não apresenta nem sequer o seu nome, apenas acusações contra o rival. Estão escritas frases como, “Pelegrino é contra os aposentados. Pelegrino é contra os professores”, por aí vai…
Para completar este cenário esvaziado de discussão política, tem ainda a trilha sonora, que não poderia ser mais criativa para o padrão das campanhas. ”É 13, é 13, é 13, é 13…”, ou, se preferir, “25 na cabeça, 25 na cabeça, 25 na cabeça, 25 na cabeça…”. O pior é que parte do eleitorado, principalmente de baixa consciência política, é fisgado pela estratégia simplista dos marqueteiros. Afinal de contas, é mais fácil repetir aquilo que é cantado em ritmo de pagode do que debater os sérios problemas de infraestrutura, educação, segurança, entre tantos outros que a cidade enfrenta.
Enquanto tiros continuam sendo disparados (não só de maneira metafórica), Salvador aparece como uma das capitais com maior quantidade de votos brancos, nulos e abstenções (34,16% dos eleitores no primeiro turno). O desgaste por conta das batalhas entre o 13 e o 25 podem abrir um espaço inédito para o 00 nestas eleições