O Divino é aqui

O Divino é aqui

Foto: Divulgação (montagem)

Quantas Carminhas, Tufões, Lelecos, Suellens existem na Avenida Sete? A pedido da editora de produção do Correio*, Linda Bezerra, quatro jornalistas de futuro foram atrás desses tipos do bairro do Divino que ficaram no imaginário popular dos lares brasileiros durante a exibição de “Avenida Brasil”, novela das 20h da Rede Globo, para estampar a capa da edição desta sexta-feira do jornal, mesmo dia do último capítulo do elogiado trabalho de João Emanuel Carneiro.

A tarefa era uma apuração. Dividimos a equipe em duas duplas. Eu e Monique  iríamos para uma direção e Enoe e Thaís para outra. Perguntamos com qual personagem de “Avenida Brasil” os tipos da nossa Avenida Sete se identificavam e pegaríamos seus dados para que no dia seguinte um repórter do Correio* os entrevistassem. A experiência foi a mais sui generis possível e também uma das mais divertidas, algo que certamente renderá boas histórias quando formos falar sobre o Jornalismo de Futuro.

Começamos nossa busca por um Darkson. Pensamos em procurá-lo em uma loja de roupas femininas e encontramos em Tiago Sousa Nascimento o Darkson perfeito. Com jeito de mulecão responsável, Tiago falou das tiradas que inventa para chamar a atenção da clientela, sobretudo a feminina. “Deixou escapar” que fica com algumas calcinhas na mão enquanto faz a locução dos anúncios dos produtos em um microfone.

Não muito longe, Beatriz Félix, vendedora de bolsas em uma barraquinha próxima do relógio de São Pedro, nos conta, depois de muito relutar, que se acha parecida com a garota Ágata, filha rejeitada de Carminha. “Minha mãe fica me enchendo o saco para emagrecer!”, disse Beatriz.

Mas é claro que depois de achar tão fácil dois perfis interessantes em nossa sondagem, as coisas teriam que se complicar, sempre complicam. Andamos, andamos e andamos (o verdadeiro “oi, oi, oi”). Depois da receptividade desconfiada de alguns entrevistados (claro, ninguém vai encarar com normalidade duas pessoas perguntarem sobre a novela com tanta seriedade em pleno horário comercial), conseguimos, quando descontraímos mais o tom, encontrar em três amigas que trabalhavam em uma loja de produtos de beleza nossas Monalisa, Olenka e Ivana. Ticilane Nascimento nos contou sobre o namorado que a traiu e como foi horrível a descoberta da traição (Ivana), enquanto Silvana de Jesus Ribeiro disse que sonhava em encontrar um Adauto em sua vida. Já Jucilene Anunciação nos contou sobre sua luta diária para criar o afilhado desde que ele tinha oito meses de idade. “Sou uma batalhadora!”, dizia Jucilene que com orgulho disse se identificar com a história de Monalisa.

Sempre fui fã de telenovelas. Talvez antes mesmo, ou a partir do meu interesse por essas histórias tão brasileiras surgiu minha paixão pelo cinema, ou o contrário, como a história do ovo e da galinha, não sei bem explicar. O que posso dizer hoje é que entendo melhor porque “Avenida Brasil” ocupa lugar de destaque na história da nossa televisão. João Emanuel Carneiro fez com que a grande massa de brasileiros se sentisse representada de fato no horário nobre, evitando esconder os problemas e a originalidade do povo desse país em uma esquina qualquer do Leblon.