Alimentar um site de notícias não é tarefa fácil. A internet é um meio muito veloz, onde as informações são transmitidas, muitas vezes, em tempo real. Por isso, fazer jornalismo através desta plataforma exige o que eu gosto de chamar de “sangue no olho”. A expressão é forte, mas é assim que o jornalista que trabalha com web tem quer ser: um coelhinho da Duracel correndo atrás da notícia.
Nesta segunda etapa do programa Jornalismo de Futuro eu mergulhei nesse mundo. Fui colocada no aquário do Correio* 24 horas, a versão online do jornal. Foi lá que conheci quatro peças importantes no dia-a-dia do radar.
Eu e meu companheiro de mergulho, Wanderley Teixeira, fomos recepcionados por Kivia Souza, uma figura de sorriso fácil e de comentários hilários. Em seguida conhecemos Caroline Neves, pessoa surpreendentemente calma em meio ao bombardeio de matérias, notas, telefonemas e afins. Ainda conhecemos a mais tímida do trio: Luana Nogueira, a quem não se deve negar um chiclete. E, assim como no romance francês, as três mosqueteiras contam também com a sua “D’Artagnan”, nesse caso Mayra Lopes, que reforça o time a partir do meio da tarde.
As mosqueteiras aceitaram a missão de orientar os jovens estudantes, e o fizeram sem esmorecer. Desde o momento em que sentamos em frente ao computador fomos guiados pelo caminho das pedras, e quando percebi, estava lá, imersa na rotina, fazendo notas, apurando informações, ligando para fontes, fazendo ronda etc.
Com isso, eu já tinha passado pelo termo de combate ao transporte clandestino no aeroporto de Salvador; pela idosa que recebeu café com leite na veia; pela brasileira acusada de matar o marido estrangeiro; pela paralisação da Transalvador… Ou seja, eu também estava com “sangue no olho”!
Parece tenso, e é em alguns momentos, mais é muito enriquecedor. Só enfurnado nessa rotina é que pegamos o pique da notícia feita para a internet. Só assim aprendemos a ser rápidos e eficientes. E eu estava com as mosqueteiras. Fala sério, eu tava bem acompanhada, não é?!
Recebi muitas e boas dicas sobre o texto para internet, sobre a objetividade que esse meio exige, sobre títulos, sobre fontes e como lidar com elas, sobre a dinâmica do site, sobre a importância de começar a construir a própria agenda desde já – conselho que também foi repetido pelos editores do impresso durante as palestras – etc.
Ao fim da primeira semana de imersão no Correio* 24 horas posso dizer que, apesar de não ter me tornado ainda uma eximia espadachim, como as que conheci, pelo menos já não sou mais um peixe fora d’água dentro daquele aquário.