Não ter vergonha do fútil

Não ter vergonha do fútil

Passamos as últimas semanas ouvindo diversos (e preciosos!) relatos de jornalistas de economia, política, esportes e cidade. Mas nem só disso vive uma redação. Na segunda-feira, no encontro com Gabriela Cruz, editora do Bazar, pude entender como funciona a rotina de quem trabalha com uma seção de variedades.

Gabriela Cruz, editora do Bazar (Foto: Amana Dultra)

Comportamento, moda, gastronomia, turismo, televisão, animais… o Bazar tem espaço para diversos assuntos. E engana – se quem pensa que por se tratarem de temas considerados mais “leves”, o trabalho é menor. Gabriela falou sobre os estereótipos que ainda são associados aos profissionais da área. “Existe uma ideia equivocada de que quem escreve sobre cabelos, por exemplo, é menos jornalista. Temos a mesma lógica de funcionamento de qualquer outra editoria. Precisamos pesquisar muito, entender certos vocabulários específicos e apurar”, ressaltou.

Mas foram mesmo as discussões sobre moda que causaram frisson naquela tarde.  Em meio a questionamentos sobre estilistas e desfiles, a editora ressaltou a importância de redigir matérias que valorizem a produção local. “Não podemos ser sempre reféns do tipo de texto que é produzido nos veículos do eixo Rio-São Paulo”, pontuou. Segundo ela, é necessário ficar atento às tendências, mas adapta-las às particularidades da vida dos soteropolitanos.

E como produzir uma boa seção de moda no jornal em meio a uma explosão de blogs e pessoas compartilhando suas roupas nas redes sociais?  Quando questionada sobre essa nova “concorrência”, Gabriela defendeu a função jornalística de relacionar os acontecimentos e mostrar como afetam a vida das pessoas. “Muitos blogs divulgam marcas. O nosso papel não é este, e sim pensar em pautas inovadoras e trabalhadas. Não devemos ter vergonha do fútil, é só contextualiza-lo com o nosso dia a dia”, explicou.

Desde o começo do programa, ouvimos o mantra de que o importante no jornalismo é contar boas histórias. E após esse encontro, percebi que isso não diz respeito apenas às grandes reportagens policiais ou investigativas. Como foi dito por Gabriela, vamos nos despir desse preconceito. As boas histórias também podem estar em uma viagem que você fez, em um restaurante que você frequentou ou uma roupa que você vestiu.