Jornalista Vip

Jornalista Vip

Telma explica como funciona sua Coluna. Foto: Amana Dultra

 

Quando eu fiquei sabendo que teríamos dentro da programação um bate-papo com Telma Alvarenga, jornalista da Coluna VIP, no Correio*, já sabia qual formato seria minha postagem. Em 2010, fui aluna de Telma na disciplina Redação III, da Faculdade Social (FSBA). A primeira coisa que aprendi com ela foi a escrever Ping-Pongs. Pacientemente a docente explicou a turma o passo a passo para um bom texto de abertura e como conduzir melhor uma entrevista.

Lembro-me de duas coisas principais ensinadas por Telma, primeiro: sempre deixe por último a pergunta mais difícil, aquela importante de se fazer, mas que pode aborrecer ou irritar o entrevistado. Segundo: escreva em períodos curtos, assim será menos cansativo para o leitor. Claro que aprendi muito mais, porém essas duas informações me marcaram e ajudaram muito. Dois anos depois, reencontro a minha ex-professora, agora ela me ensinaria mais uma vez, durante seu discurso.

A jornalista começou a estagiar cedo, desde o segundo semestre. Começou numa House Organ (publicação de circulação interna de empresa). Depois, já formada, passou três anos na Revista Pais e Filhos, depois foi para a Veja – um ano na nacional e oito anos na Veja Rio. Depois, no Jornal do Brasil, passou pelas colunas de Danuza Leal, Márcia Peltier e Ricardo Boechat. No Globo, trabalhou na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, chamada Gente Boa. Enfim, uma vasta experiência!!

Atualmente trabalha na VIP, coluna do Correio*, que traz notas exclusivas de assuntos variados, mas é principalmente uma Coluna Social. A diferença na editoria está na relevância do que é trazido para o jornal. Telma deixou claro que apenas publica matérias nas quais suas fontes realizaram algo importante. “Outro dia eu vi uma matéria dos 15 anos de uma menina, isso eu não faço!”. Na entrevista, Telma falou sobre o trabalho e os pensamentos dela em relação aos jornalistas do futuro.

ENTREVISTA:                                                                    

Enoe Lopes PontesMe conte um pouco sobre sua atual função no Correio* e como funciona sua coluna.

Foto: Amana Dultra

Telma Alvarenga – Sou editora da coluna Vip, uma coluna de gente, cultura, cidade e sociedade. Trabalho com duas repórteres, Priscila Borges e Rafaela Ventura, que é trainee. Estamos sempre atrás de notícias exclusivas sobre esses temas que citei. Para isso, é importante ter uma agenda de telefones bem recheada e conquistar a confiança das fontes.

ELPComo funciona seu dia a dia na redação?

TA – Chego na redação às 14h e saio entre 21h30 e 22h. Passo a tarde inteira falando ao telefone, passando e recebendo e-mails, checando informações. As repórteres idem. Às 17h, nos reunimos para fazer um balanço das notas e fotos que conseguimos. Eu decido as notas que vão entrar e desenho a página, com um diagramador. Cada uma escreve a sua nota no espaço determinado e eu faço a edição, colocando as notas no tamanho, dando uma unidade aos textos. Além disso, vamos aos eventos que consideramos importantes, para dar uma pequena cobertura, em uma seção da coluna chamada Circuladô.

ELPQuais são os principais desafios da profissão?

TA – Acho que o jornalista vive da credibilidade, seu nome é seu maior patrimônio. E essa credibilidade você conquista com seriedade, ética, dedicação, honestidade, compromisso com o leitor, trabalho, trabalho, trabalho…

ELPQual sua opinião sobre o programa Jornalismo de Futuro?

TA – Acho um programa excelente. Adoraria que tivesse tido um assim no meu tempo de faculdade. Muitas vezes, a teoria fica muito distante da prática e os alunos saem da faculdade sem a noção real do que é o trabalho em uma redação. Além disso, é uma forma de ingressar no mercado de trabalho por seus próprios méritos, sem o famoso QI, Quem Indica.

ELP – O que diria para os futuros jornalistas do futuro?

TA – O que disse para vocês na nossa reunião: procurem fazer seu trabalho, sempre, da melhor maneira possível. Pode ser uma reportagem para um jornalzinho de bairro, faça como se estivesse fazendo para o principal jornal do país. Um dia, essa matéria pode cair nas mãos de um editor importante e é o seu nome que vai estar ali. Além disso, como também disse a vocês, acho que a preguiça é um dos piores pecados de um repórter. Por preguiça, você pode deixar de correr atrás de uma grande história; por preguiça, pode deixar de checar e re-checar as informações, e acabar dando uma informação errada; por preguiça, pode desperdiçar ótimos entrevistados, se não faz, por exemplo, uma boa pesquisa sobre ele, antes da conversa. Enfim, a preguiça leva à mediocridade. A frase é de efeito, mas é verdadeira: Nossa profissão é feita muito mais de transpiração que de inspiração.