O Jornal é um produto que nasce todos os dias, numa gestação que dura menos de 24 horas, chegando ao mundo, ou melhor, saindo das gráficas, poucas horas após a meia-noite. E quando o Correio* vem às ruas bem cedo, seja nas bancas, nos gazeteiros ou na casa dos assinantes, agradeça também a Divo Araújo, o editor de fechamento do jornal.
Do início da tarde e ao longo de toda noite, Divo é o responsável por conduzir os trabalhos dentro da redação e garantir que esse produto diário se desenvolva e cresça dentro da normalidade que o mundo permitir (a notícia do dia sempre pode aparecer horas antes do fechamento, afinal). E não precisou nem passarmos quase duas horas conversando com ele para ter uma ideia da sua parcela de responsabilidade nesse processo.
Ainda estávamos na primeira semana de Jornalismo de Futuro, quando tocou o celular de Oscar Valporto durante a conversa do dia. Do outro lado da linha estava o próprio Divo, preso num engarrafamento na Vasco da Gama. A possibilidade de não ter o editor de fechamento em tempo na redação mudou o clima no auditório. Dali em diante tínhamos um um Oscar Valporto diferente, preocupado, como ele mesmo admitiu. A ausência dele, mesmo que por um curto período, fez a rotina não ser cumprida à risca, mesmo que no fim das contas o Correio* tenha chegado aos leitores normalmente.
Então finalmente conhecemos o editor de fechamento, e o seu discurso não deixou de transparecer a responsabilidade do cargo: “Tem que tomar conta do mundo”, repetiu ele algumas vezes ao longo da tarde. Ficar atento à todas as editorias e fazer as intervenções necessárias na configuração do Correio* do dia seguinte exige estar antenado aos principais veículos do mundo, além de duas características fundamentais a um impresso que ele também não cansou de citar: agilidade e flexibilidade. Flexibilidade para mexer na hierarquia das notícias ao longo do dia e agilidade para faze-lo sempre a tempo do jornal chegar ao leitor antes que ele sinta falta do impresso. E como devem ser tensos os últimos momentos antes do fechamento! As últimas informações sendo escritas e lacunas das páginas sendo preenchidas sob a pressão do tempo, dia após dia.
Ser o elo entre a edição, publicidade e a gráfica, outra de suas funções no jornal, também não significa intermediar uma simples relação entre anunciantes, jornalistas e demais colaboradores. São interesses jornalísticos e comerciais passando pela cabeça até perto da meia noite, quando ele é a última pessoa a passar os olhos sobre a próxima edição do Correio* antes dela ser enviada à gráfica. Assim, o dia do editor de fechamento termina praticamente junto ao do jornal, e a responsabilidade de tomar conta do mundo fica suspensa por algumas horas, até Divo Araújo chegar novamente à redação e a adrenalina da hora do fechamento voltar a aparecer em suas veias.