Click-pong com Márcio Costa e Silva

Click-pong com Márcio Costa e Silva

Foto: Patrick Silva

Márcio Costa e Sora Maia encaram o desafio diário de decidir o que será fotografado no CORREIO*. Como editor e editora adjunta de fotografia do jornal, é da responsabilidade deles o gerenciamento das pautas e a escolha das fotos que serão publicadas no dia seguinte.

Em um jornal que dá grande importância à imagem, o fotojornalismo não aparece como uma mera descrição do texto, mas como seu complemento. O papel da fotografia passa a ser contribuir com o jornalismo enquanto documento e, por isso, o outro desafio da editoria é “não fotografar fachadas”, como colocou Maia. A seguir, algumas curiosidades minhas sobre o fotojornalismo no líder baiano.

Como os fotojornalistas exploram a linguagem fotográfica no dia a dia?

Nós temos os limites gráficos que são característicos do próprio papel jornal. Às vezes, os fotógrafos usam a velocidade mais baixa, coisas assim, mas é preciso ter cuidado com o que vai funcionar de fato. De modo geral, eu não defino como será fotografado, eu escolho as fotos a partir do que foi produzido. Antes da reforma, quando não havia editoria de fotografia, cada editor escolhia suas fotos. Agora temos o cuidado em manter uma unidade editorial nas imagens.

Na correria do fechamento, como fica as escolha das fotos?

Sobre o fechamento, duas coisas são importantes. A primeira é que o fotógrafo tem que trazer sempre duas opções de foto. Não existe isso de dizer “essa é a foto!”. Além disso, ele precisa trazer imagens na vertical e na horizontal, para facilitar o diálogo com o pessoal da diagramação. Eu, particularmente, acho que fotografia tem que ser horizontal. Quando Niépice fez a primeira foto ela era assim (fazendo um retângulo com a mão). Agora, com a reforma do novo projeto gráfico, o jornal está priorizando as fotos verticais.

A segunda questão é sobre as capas de esporte, quando precisamos esperar o final do jogo para decidir a capa. É uma coisa boba, mas quando a gente não sabe e descobre passa a ser algo maravilhoso. Como o fechamento acontece no segundo em que o juiz apita, nós já deixamos tratadas duas fotos: uma para cada opção de time vencedor.

O CORREIO* tem planos para implantar uma agência de fotografia?

Temos sim, mas existe uma série de processos burocráticos. Como o jornal tem uma razão social, é preciso criar outra empresa voltada para a venda de imagens. É muito importante termos uma agência, tanto para ter o arquivo, quanto para suprir outros jornais e também pela questão financeira. A agência O Globo, por exemplo, ganha mais dinheiro vendendo imagens antigas para publicidade do que fotografias de hard news. Por isso é preciso identificar todas as fotos, do contrário, elas vão se perder no arquivo.

Primeira fotografia - Niépice

Falando sobre identificação das fotos, como é a rotina da editoria de fotografia na redação?

O dia começa quando as pautas são distribuídas entre os fotógrafos. É importante o editor conhecer a equipe e saber quem faz melhor cada coisa. O melhor é quando o fotógrafo já sai depois que o repórter apurou, por que aí já sabemos o rumo da matéria, já temos os personagens para fotografarmos e tudo o mais, mas nem sempre isso é possível. Quando o fotógrafo volta da rua, ele descarrega as fotos no computador, identifica, manda para o arquivo, faz uma primeira seleção do material bruto e manda essas imagens para o meu computador. Em seguida, escolhemos as imagens finais e mandamos para a diagramação. Também seria ideal que a página fosse riscada depois das fotos selecionadas, mas isso nem sempre acontece. Às vezes uma foto que é horizontal aparece cortada na vertical no jornal do dia seguinte. Além disso, temos também o tratamento das imagens, que é feito por duas pessoas aqui no jornal.

E quanto às mudanças do analógico para o digital? O que mudou na rotina do fotojornalista?

No analógico, você tinha um ou dois rolos de filme cada um com apenas 36 fotogramas para fazer as pautas do dia. Era preciso economizar, pensar bem na foto antes de clicar. Com o digital, as pessoas fotografam muito, isso me irrita. No final você consegue até montar um filme, tanta é a quantidade de imagens. Com a digital é preciso ter um olho mais seletivo.

O que eu mais gosto nessa mudança é que não precisamos mais usar o telefoto (aparelho que permitia scanner e envio de imagens). Os processos também se simplificaram: antes você fotografava, revelava o negativo e depois ampliava. Agora é só enviar para internet, usar o computador.

Outra coisa que melhorou é a diminuição do peso. Com a digital, o fotógrafo tem muito mais mobilidade. Além disso, também podemos fazer muito mais fotos e ver como está logo depois do click. Só precisamos ter o cuidado de não se esquecer de se preocupar com o que está sendo clicado.