Na ultima quarta-feira (3), por volta das 16h, ainda durante a conversa de Ana Santiago, editora de economia do Correio*, com a turma da 3° edição do programa Jornalismo de Futuro, Eduardo Rocha chegou discretamente ao auditório da Rede Bahia e se sentou um pouco afastado para não interromper a fala de sua colega. “Podem continuar” disse o jovem editor de esportes do jornal.
Assim como um jogador em uma estreia de copa do mundo intimidado ao ver a multidão, mas que logo vai se soltando durante a partida, o comandante da editoria mais “livre” do jornal se sentiu preso em sua timidez, e ainda sem jeito diante dos olhares curiosos dos 12 jornalistas de futuro, perguntou, “O que vocês querem saber?”. Logo esclarecido pela Professora Lia Seixas de como funcionava mais ou menos as conversas, Eduardo Rocha, formado pela Faculdade de Comunicação da UFBA, em 2006, começou a contar sobre as suas experiências e trajetória até ali, e então, como esperado, a timidez foi dando lugar ao brilho nos olhos e empolgação ao falar da profissão e singularidades de sua editoria.
Já um pouco mais à vontade, o jornalista, que assumiu o comando da editoria em 2010, logo de cara foi desmitificando o conceito de que trabalhar com esporte é moleza e, com um sorriso ainda meio preso, expôs algumas dificuldades da área. “Nós fechamos o jornal e somos a editoria que mais trabalha durante o fim de semana. Quer trabalhar com esporte? Vai ter que trabalhar sábado, domingo, feriado e vai ter que trabalhar muito. Ou seja, para trabalhar com isso tem que gostar muito mesmo” alertou.
Logo depois disso, Eduardo foi atingindo por uma enxurrada de perguntas vinda dos estudantes, e cada vez mais entusiasmado, começou a contar algumas histórias vividas por ele e falar das singularidades de sua editoria, como por exemplo, a maior liberdade de poder brincar nos textos “Esqueça normas, regras, esqueça aquele lance de pirâmide invertida, no texto de esporte não tem muito esse lance, é um texto muito mais livre e por isso temos mais liberdade para brincar com ele”.
Com a timidez inicial já totalmente superada, Eduardo continuou a falar sobre as características da editoria que mais mexe com a emoção, e sendo assim, achei que deveria destacar algumas delas, como , diferentemente das outras, a editoria de Esporte tratar de fatos que o leitor testemunhou. Como disse o próprio jornalista. “O repórter de cidade, por exemplo, vai cobrir algo que o leitor não viu, já o de esporte, vai falar sobre o que o leitor viu, ele assistiu a partida, por isso temos ter muito cuidado com o que escrevemos, se estiver algo errado ele tem todo o direito de discordar e dizer ‘não, não foi isso que eu vi’”.
Ao final da conversa, mesmo com todas as dificuldades em trabalhar nessa área, consegui sair da sala ainda mais apaixonado pela profissão, se é que é possível, e convicto que fiz a escolha certa.