A cara de quem dá a cara do jornal

A cara de quem dá a cara do jornal

Morgana Miranda: aquela que risca o jornal

Ela chegou de mansinho. Sentou-se em uma das cadeiras do auditório da Rede Bahia e ficou assistindo a palestra do editor de fotografia Márcio Costa e Silva. Com óculos Ray Ban e um pingente laranja ‘neon’, Morgana Miranda poderia muito bem ser confundida com um dos jornalistas ainda não desmamados que participam do Programa Jornalismo de Futuro, mas, com apenas 24 anos de idade, já responde pela diagramação do jornal mais lido do nordeste.

A responsabilidade do cargo que ocupa ficou quase imperceptível durante o bate papo que aconteceu na tarde do dia quatro de outubro. A diagramadora compartilhou histórias sobre a rotina da redação, contou sobre a tensão da sua primeira capa e respondeu diversas perguntas feitas pelos doze estudantes, sempre pontuando cada frase com um sorriso solto.

Publicitária que se especializou em design, Morgana contou que, assim com a maioria da sua geração, consome muito mais notícias pela internet do que pelos impressos diários. Apesar disso, mesmo pelo meio virtual, ela fica de olho nos concorrentes e faz questão de ficar atenta nas capas de vários jornais do país. “Eu leio o Correio*, um pouco do A Tarde, que eu dou uma olhada principalmente na capa e nas páginas mais graves para ver o que está sendo feito, mas as matérias mesmo eu costumo ler pela internet”, afirmou.

A rotina da redação foi descrita de maneira descontraída por Morgana. As tentativas dos repórteres de encaixar um pouquinho mais de texto na página, a busca pela melhor imagem para a capa e o temido fechamento das oito divertiu os jovens jornalistas, que já tinham se rendido às risadas e ao jeitão despojado da diagramadora. Não há como negar: Morgana falava nossa língua.

E não só falava, como tinha muito fresco na memória o nervosismo de principiante que também está presente nessa nova turma do programa. Ao relembrar sua primeira capa no jornal, Morgana também recordou da pressão, da responsabilidade e do medo de errar. “Foi minha primeira capa, eu tava tensa. Eu disse: Meu Deus, eu tô fazendo a capa do jornal, e se eu fizer alguma coisa errada? (risos)”, contou.

O exemplo não assustou a turma, pelo contrário, serviu para aliviar o frio na barriga da nova empreitada em criar um produto que vai levar o nome de um grande jornal. E também serviu para inspirar os novatos. Afinal, amanhã seremos todos colegas!