O que a Bahia quer saber? – Bastidores da criação de um jornal

O que a Bahia quer saber? – Bastidores da criação de um jornal

Linda Bezerra com as edições do jornal Correio

 

Ela poderia ser contadora de histórias, psicóloga ou trabalhar com relações humanas, mas é no jornalismo que a editora de produção do Correio*, Linda Bezerra , explora a vocação de contar “o que a Bahia quer saber”. Em palestra com os doze universitários integrantes do Programa Jornalismo de Futuro, e os professores da Faculdade de Comunicação da UFBA, Lia Seixas e Rodrigo Rossoni, os temas pauta, produção, apuração, lead e fontes foram esclarecidos sob o ponto de vista da editora. Com a capacidade de envolver o ouvinte ao contar os casos e histórias verídicas, Linda captou a atenção e olhar de todos os presentes no auditório.

As quatro horas de uma tarde de segunda-feira não foram suficientes para alimentar nossa sede de conhecimento. Lembro que uma professora de redação do colégio certa vez disse em classe que os alunos deveriam sugar do professor o máximo de conhecimento possível, “comê-lo”, de forma antropofágica, a fim de absorver seu conhecimento e saciar-se. E foi essa sensação que sentimos ao nos deparar com tamanho excesso de informação, seja visual, com os gestos marcantes de sua personalidade, ou com a tamanha afinação entre o que ela expunha e o que nós desejávamos saber. De forma clara, Linda explicou o processo de nascimento do jornal diário, o que devemos evitar em um lead jornalístico, a linha editorial do Correio, estratégias de abordagem com a fonte, apuração, relação com o tempo e como transformar uma ideia em pauta.

 

Poeta da cidade

“O pauteiro é o poeta da cidade, radar do que acontece”. Para criar as pautas, Linda anda de ônibus, táxi, conversa com os motoristas, (antenados por circularem toda a cidade), ouve conversas de pedreiros e vasculha as redes sociais em busca do interessante e relevante. “ É preciso estar 24 horas ligado, achar no cotidiano as notícias, ouvir conversas, ser um fofoqueiro” conta a jornalista com humor. De acordo com  a editora, que até em sonho cria pautas,  todo repórter tem que ser bem informado e encarar a profissão como parte do seu dia-a-dia, da sua vida. Após o processo de criação seguido da apuração dos fatos, “onde reside o sucesso da reportagem” nas suas palavras, o jornalista necessita aliar as pautas com a linha editorial do jornal. Para escrever uma matéria bem-sucedida, a editora do líder de circulação da Bahia aposta na narrativa jornalística aliada às técnicas da literatura. “Tem que ter o olhar que ninguém tem, como um poeta, que tem o olhar desbloqueado. É preciso ser um entusiasta da informação, deixar a notícia ser contada como ela nos oferece” vibra, com sua espontaneidade. Linda se considera parte do jornal, como uma mãe, uma pessoa que dá luz todos os dias, com a dedicação, garra e coragem de quem tem menos de 24 horas para gerar um produto.   Procura a “cereja do bolo” nas histórias narradas, para chamar a atenção às matérias e não poupa fontes para alcançar o seu objetivo: “O meu fim é ser lida, sou leitora antes de ser jornalista”conclui.

Jornalistas do Futuro entre professor Rodrigo Rossoni e editora de produção. Fotos:Amana Dultra