“A partir de agora, somos todos colegas”. Foi dessa forma que Oscar Valporto, editor-executivo do Correio*, nos recebeu na quinta-feira. Se em algum momento hesitamos diante de um jornalista com trinta anos de experiência, ele fez questão de quebrar o gelo e nos acolher, como se já fizéssemos parte daquele local.
Oscar nos explicou o objetivo de cada editoria, principalmente após o processo de reformulação. A ideia era que a partir daquele encontro, compreendêssemos melhor a organização do jornal. Desde a elaboração da pauta até a distribuição dos impressos nas ruas, muitas decisões precisam ser tomadas. Em um trabalho que lida o tempo todo com o imprevisto, é necessário que se estabeleça uma rotina produtiva, para que as coisas não fujam do controle.
Fomos convidados para conhecer a sala de reunião, onde os editores pensam as pautas. A primeira coisa que me chamou a atenção foram as capas da semana coladas na parede. É inerente à profissão do jornalista analisar o que já foi escrito sobre um tema, ver o que outras fontes dizem a respeito e a partir dessas discussões, tentar estabelecer um foco na abordagem.
Recebemos em mãos um papel contendo o planejamento inicial daquele dia. O grande barato do jornalismo (e a grande loucura) é saber que um fato espetacular pode arruinar com tudo aquilo que foi pensado, em questão de minutos. A lista de sugestões de matérias, elaborada no dia anterior,por exemplo, não foi seguida na íntegra.
De acordo com o editor, é preciso procurar um equilíbrio entre a notícia interessante e a que precisa ser dita. “Existem muitos temas interessantes que ainda não foram publicados, mas o jornal tem pouco espaço para noticiar tudo. Temos que aprender a balancear com aquilo que é relevante”, pontuou.
Segundo ele, a redação tem vida própria. E é verdade. Apenas nesses poucos dias de contato com essa nova realidade, uma avalanche de informações tomou conta da minha cabeça. Queria ouvir cada detalhe, anotar cada palavra. As minhas expectativas com relação ao programa aumentam a cada dia, diante da possibilidade de imergir em um cenário que eu ouvia falar nas salas da faculdade. É um constante debate entre o discurso da academia e a prática do mercado de trabalho.
Nosso bate-papo foi interrompido pelo telefone celular de Oscar. Do outro lado da linha, alguém falava sobre a edição do dia. A tarde estava chegando ao fim e o jornal precisava dele para ser fechado. Apesar de parecer preocupado, a resposta foi “daqui a pouco, agora não. Estou conversando com o pessoal do Jornalismo de Futuro”. Surpreendente. Percebi como somos bem vindos ali.