Contar histórias é a arte de uma redação!

Contar histórias é a arte de uma redação!

O título deste post foi uma das primeiras frases ditas pelo jornalista Leonencio Nossa durante sua fala como convidado principal na abertura da 3ª edição do Programa Jornalismo de Futuro. De fato, contar histórias sobre personagens reais, que muitas vezes estão ocultadas pela dificuldade de acesso, ou pela omissão do Estado e da História Oficial em reconstruí-las, é uma constante no seu trabalho jornalístico..

Lançamento do livro "Mata!" no auditório da FACOM (Foto: Marina Silva)

Há mais de 10 anos como repórter do jornal O Estado de S. Paulo, Leonencio sempre arruma um tempinho durante a cobertura das próprias pautas do jornal para pesquisar sobre assuntos do seu interesse. Nos últimos anos, além de acompanhar as viagens presidenciais, o que lhe rendeu a publicação do livro Viagens com o Presidente (Editora Record, 2006), ele tem se dedicado a investigar sobre episódios de guerrilha no país. Entre seus trabalhos mais importantes sobre o tema estão dois cadernos especiais, Guerras Desconhecidas do Brasil e Os Meninos do Contestado, ambos publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, além do livro MATA! – O major Curió e as Guerrilhas do Araguaia (Companhia das Letras, 2012).

“O repórter não consegue histórias só na rua, ele pode conseguir isso através de investigação e pesquisa”, diz Leonencio. O tempo de pesquisa para escrever o livro MATA! durou mais de 10 anos. No caso da reportagem sobre os meninos do contestado, foram utilizados cerca de dois mil documentos guardados em arquivos. “Essa foi a última grande rebelião civil do século XX no Brasil e deixou entre 8 e 10 mil vítimas”, constata Leonencio.

A Guerrilha do Araguaia não vitimou tantas pessoas assim (estima-se que 69 guerrilheiros tenham sido assassinados pelo governo militar), mas deixou uma ferida profunda na história do nosso país. “Nem 15% do que aconteceu na guerrilha está contado até hoje”, relata Leonencio. O livro partiu da investigação sobre fatos que envolviam o Major Curió, um dos responsáveis pela repressão ao movimento, mas é construído também pelas mais de 150 histórias de pessoas envolvidas de alguma maneira com o que aconteceu durante o conflito, a maioria delas não levadas em consideração pela Historia.

“Uma história pode ter várias versões. Eu acho que a gente deve buscar contá-la de uma maneira diferente, trazendo um novo debate, mas não a verdade absoluta sobre ela”, considera Leonencio.