Da acrobacia nas alturas aos acordes de Chico Buarque

Da acrobacia nas alturas aos acordes de Chico Buarque

Desde que ouvi as experiências de meus colegas sobre suas apurações em velórios, fórum e até longos e chatos treinos de futebol, fiquei com receio de receber, logo de primeira, uma pauta semelhante.

A primeira vez que recebi uma pauta de Linda não dava para saber se seria um desses assuntos porque foi tudo muito rápido. Como o repórter Roberto Midlej já estava no local do evento, eu teria que correr. Então fui no próximo carro que seguiria para a Praça Municipal, acompanhada pelo fotógrafo Evandro Veiga e pela colega do Jornalismo de Futuro, Tayse Argolo.

Só mais tarde, quando Linda me telefonou para explicar o foco da pauta, descobri que eu estava prestes a assistir a um espetáculo do acrobata venezuelano Henry Ayala, que tentaria alcançar dois novos recordes naquela tarde ensolarada, após percorrer 80 metros sobre um cabo de aço suspenso a 72 metros do chão, entre o Elevador Lacerda e o prédio da Prefeitura de Salvador.

Enquanto tentávamos fugir do engarrafamento seguindo a pé para a Praça Municipal, eu pensava como encontrar o repórter do Correio*. O fotógrafo Evandro bem que tentou descrever o colega, mas não ajudou muito e só mais tarde eu descobri que se seguisse suas dicas, acabaria me apresentando a uma pessoa que não se parece nem de longe com o repórter Roberto (risos).

No final das contas o acrobata foi bem sucedido em suas peripécias nas alturas e Roberto Midlej me encontrou enquanto eu entrevistava uma artista do Circo Tihany. De volta à redação, aproveitei para treinar a escrita e fiz uma matéria, o que foi muito bom, já que Juan Torres, o especialista em textos do Correio*, segundo Linda Bezerra, fez umas observações importantes.

Se assistir a um espetáculo estrelado por um artista venezuelano já foi tão animador, o que dizer de ver um dos ídolos da MPB interpretar alguns de seus sucessos para uma plateia restrita?

Ontem eu era uma das privilegiadas que ocupava a primeira fila da Sala Principal do TCA, onde Chico Buarque se apresentou para o pequeno grupo de cinegrafistas, fotógrafos e repórteres.

Aquela não era uma pauta comum. Primeiro porque não era todos os dias que eu tinha a oportunidade de assistir, na primeira fila, a apresentação de um dos maiores intérpretes da Música Popular Brasileira. E segundo porque era uma pauta essencialmente de observação, já que Chico Buarque não dá entrevistas.

Foto: Carol Andrade

“Eu anoto tudo. A roupa que ele está usando, as expressões… tudo!” Essa foi uma das dicas que Roberto me deu momentos antes de entrarmos na Sala Principal do TCA, onde eu teria o primeiro contato com pautas de observações ao longo 15 minutos de música que fariam toda a diferença na minha vida de Jornalista de Futuro!