Seguindo jornalistas

Seguindo jornalistas

Na quarta-feira passada, dia 25 de abril, eu tive a minha primeira experiência como repórter de verdade. A pauta era colher informações sobre o julgamento de um policial civil acusado de ter matado um policial militar ha dois anos. Onde seria? No fórum Ruy Barbosa. De novidade? Tudo. Eu nunca havia entrado no fórum, muito menos assistido a um julgamento ao vivo, e, naquele dia, eu iria fazer isso sozinha!

Ainda na redação, eu estava apurando algumas notícias com Alexandro Mota, o anjo-guia da vez (integrante da primeira equipe de jornalistas de futuro), mas ele foi cobrir uma pauta com a colega Thais e eu segui com o motorista até o fórum. Ansiosa, eu rabiscava meu bloquinho durante todo o percurso, pensando nas perguntas que faria e em como abordaria as pessoas. Chegando lá deixei o nervosismo na porta e fiz aquilo que Luana Ribeiro havia me ensinado ha dois dias: quando precisamos fazer uma reportagem num lugar que nunca frequentamos antes, sem informações concretas sobre corredores e salas, o melhor a ser feito é seguir os outros jornalistas.

Foi seguindo os jornalistas que lá estavam que encontrei com a simpática Renata Menezes, repórter da TV Bahia. Ao perceber que eu estava procurando pela mesma sala que ela, me cumprimentou e seguimos juntas enquanto conversávamos. É incrível como aprendi coisas novas em cada momento que passei imersa no fazer jornalístico, inclusive numa conversa simples com a repórter que nem faz parte da equipe do Correio.

Finalmente encontramos a sala e ao chegarmos lá, percebemos que não era um julgamento e sim a 1ª audiência. No momento desconfiei que a pauta fosse cair (e caiu), mas continuei a procurar por alguém da família da vítima. Gaguejos e tremores comuns em principiantes insistiram em me incomodar, mas deu tudo certo. Assim que falei com uma fonte, liguei para Alexandro feliz por ter conseguido informações úteis para o jornal e poucos minutos depois estava de volta à redação, pronta para ajudar no texto.

Fiquei muito entusiasmada com a oportunidade de sentar entre tantos profissionais e digitar as informações que consegui, além de fazer um resumo do caso, já que este aconteceu ha dois anos e seria interessante lembrar o leitor, como me explicou Alexandro.

 

De volta ao esporte

 

No dia seguinte, advinha quem foi acompanhar, mais uma vez, uma reportagem da editoria de esportes?

Na quinta-feira, Linda Bezerra me deu a tarefa de acompanhar o repórter Alan Rodrigues numa coletiva de imprensa com os representantes da FIFA no Brasil e o governador Jaques Wagner, que aconteceria no Gran Hotel Stella Maris.

Em uma expressão? Uau!

Confesso que foi a pauta que me deixou mais animada. No carro o clima com Alan e o motorista foi bem descontraído, conversamos acerca dos meus estudos, da faculdade, dos esportes em Salvador (é claro), jornalismo, e fizemos brincadeiras também. Como eu comentei no post que fiz anteriormente, o clima na editoria de esportes é muito mais tranquilo, com um deadline mais “amigo”.

Chegando ao hotel, eu e Alan nos dirigimos à sala de imprensa e ao entrarmos, percebi que todos me olhavam, afinal ninguém me conhecia ali. Então fiz questão de deixar meu crachá do Jornalismo de Futuro bem à mostra. Que mudança! Comecei a receber cumprimentos dos jornalistas, assessores e demais profissionais que lá estavam.

Esperamos por cerca de uma hora e durante esse tempo aproveitei para tirar algumas dúvidas com Alan, até começarem os pronunciamentos. Primeiro os representantes da FIFA falaram sobre a visita que fizeram no mesmo dia pela manhã às obras da Arena Fonte Nova, afirmaram também que as obras estão bem encaminhadas, mas o que os repórteres lá presentes estavam mais ansiosos para saber era se já havia uma confirmação acerca da Copa das Confederações: afinal, Salvador será ou não uma das sedes? O pronunciamento oficial será feito, provavelmente, em meados de junho, mas o governador pareceu bastante confiante.

Respondendo a pergunta de um dos repórteres, sobre as obras do metrô, Wagner afirmou que os turistas que chegarão à cidade para assistir a Copa do Mundo em 2014 seguramente não andarão de metrô e, sendo assim, as obras (bastante atrasadas) não irão prejudicar em nada o evento. É claro que eu já havia me perguntado acerca do acesso ao mundial: os preços serão acessíveis? O transporte público irá, realmente, funcionar? Os soteropolitanos e baianos em geral poderão, de fato, aproveitar esse grande evento que não acontece no país desde 1950? Eu desconfiava das respostas para esses questionamentos, mas não esperava por aquela declaração. Olhei para Alan, que anotava tudo em seu bloquinho bastante concentrado e assim que saímos de lá, começamos a falar sobre o assunto. Oficialmente, a Copa não foi feita para os soteropolitanos, certo?

Tive uma mistura de sentimentos após esse acontecimento. Por um lado, a cidadã soteropolitana Daniele estava indignada, por outro, a aprendiz de jornalista estava feliz por ter presenciado o momento em que ele fez aquela declaração e ansiosa para vê-la no texto que Alan começou a escrever quando voltamos para a redação.

A matéria saiu no jornal do dia 27 de abril, mas quem quiser ler o artigo que Eduardo Rocha, também da editoria de esportes, escreveu sobre o assunto é só clicar aqui.