A primeira jornada

A primeira jornada

Às vésperas de um feriado, 30/04, me dirigi à redação do Correio* no afã de encontrar algo de extraordinário para a minha estreia na rotina jornalística. Cheguei exatamente às 14h e encontrei a redação em clima ameno de feriadão.

Hesitei em meus passos e devagar caminhei por aquela grande sala à procura de Linda Bezerra. Em um canto ela discutia alguns assuntos com outros editores. Interrompi e me reapresentei. Carinhosamente ela lamentou a falta de oportunidade para uma saída com algum repórter naquele momento. “Leia o jornal de hoje”, foi a sugestão que ela deu. Mas eu já tinha lido.

Mas só foi mesmo o tempo de conversar com Luana Ribeiro, participante da primeira edição do Programa de Jornalismo e agora estagiária, quando Linda me convocou para uma externa. Iria cobrir uma pauta para a editoria Vida na companhia da repórter Camila Boto e do fotografo Rafael Martins. Eu queria muito algo que me levasse a fortes emoções como a de meus colegas na semana passada. Mas passar a tarde na varanda da casa de Mariene de Castro foi sim, algo inusitado e até divertido.

De cara gostei muito de Camila e desde os corredores da redação fomos trocando figurinhas. Com Rafael não foi diferente. No longo percurso até a Praia do Flamengo deu pra descontrair e conversar sobre muita coisa: carreira, fotografia, estudos, trabalho passando por jogadores de futebol e suas musas.

Chegando na casa da estrela baiana segui os experientes repórteres. Realmente não sabia como me portar: Devo me apresentar? Onde posso sentar? Mas segui. Enquanto esperávamos pela perfilada tentamos bater um papo, sem querer incomodar muito. Era a primeira vez que Mariene abria as portas de sua casa para a imprensa local. Apesar de se tratar de uma famosa, não fiquei nervosa, me senti à vontade com o ambiente que a natureza proporcionava.

Com aquele ar de serenidade Mariene veio ao nosso encontro e de cara perguntou: Vocês duas vão fazer a entrevista? Emudeci. Ela insistiu na pergunta e respondi que era meu primeiro dia, estava apenas acompanhando. Durante a conversa tive vontade de perguntar algumas coisinhas, mas não quis atrapalhar.

A entrevista foi bem rápida e correu com a tranquilidade que já é nata à cantora. Depois disso Rafael seguiu com sua parte tentando tirar fotos mais intimistas da artista em seu lar e fui chamada para ser sua assistente. Na verdade eu só segurei o flash, mas me senti muito útil. Afinal, o flash faz coisas muito bacanas numa foto.

Dei sorte e estreei numa rotina bem light. Mas meu primeiro dia não tinha terminado.

Radar

Quando retornei para a redação, confesso que fiquei mais perdida que quando cheguei. Não sabia se escrevia o perfil de Mariene, se procurava outra saída para reportagem, se acompanhava algum editor ou se me sentava junto a Darlan na diagramação com Morgana. Me sentei um pouco com Camila e acompanhei parte do processo de criação do texto, tirando algumas dúvidas. De lá fui ver o processo de transferência das fotos feito por Rafael. Finalmente sentei com Morgana e Darlan na diagramação, mas confesso que não entendi nada.

Em meio à minha perdição surgiu a oportunidade de acompanhar o Radar. Com seu jeito agitado e objetivo, Diego Mascarenhas nos convocou a fazer um trabalho, que segundo ele é chato, mas essencial. Topei. Ele passou para mim e outros colegas futuristas os tramites seguido rotineiramente pela sua equipe na apuração de uma situação atípica da cidade.

Para alimentar um portal, que em sua essência preze pela instantaneidade da informação, é preciso uma boa rede de contatos, além de conquistar as fontes com sua credibilidade. Nem sempre é tão fácil encontrar a informação quentinha, mas é possível. Foi interessante perceber que de maneira simples (por apenas um telefonema) é possível fazer um monitoramento suntuoso da cidade e região metropolitana.

Mini-Perfil

A Tabaroinha ganha o Brasil

A serenidade da natureza num trecho da Praia do Flamengo, foi o cenário acolhedor em que Mariene Bezerra de Castro (30), abriu sua casa para receber a equipe do Correio*. A simpatia da recepção ficou por conta de Pedro (3), um dos filhos da cantora, que à beira da janela sorria, brincava e cirandava como toda criança.

No momento em que integra o escol dos grandes nomes do samba, Mariene de Castro revela se sentir acanhada na música popular, mas não se intimida. É o seu sotaque e a autenticidade de suas raízes que marcam a presença da Bahia no samba brasileiro do atual cenário cultural. O ensejo já lhe rendeu ingressos esgotados para o lançamento de seu 3º álbum, Tabaroinha, no Teatro Rival BR – RJ, próximo dia 02/05.

A preparação para o resultado desse trabalho foi selada no Parque Florestal em Mata de São João (BA), durante um mês de retiro musical, que reuniu todos os integrantes de sua banda. A experiência, diferente do procedimento comum de gravação em estúdio, foi sugerida pelo produtor musical Alê Siqueira e promoveu o clima de coletividade tão prezado pela cantora.

Para Mariene, a criação do repertório, dos arranjos e o desenhar do trabalho em equipe foi produtivo e completou a ideia de unidade. “Gratidão e merecimento são sentimentos muito fortes nesse CD”, avalia a cantora que ajudou a construir o movimento de samba na capital baiana.

À espera de sua primeira filha, depois de 3 rapazes, Mariene vive sua gestação num momento desafiador de sua carreira. “Sinto que a Maria veio bem valente, já traz uma força muito grande”, orgulha-se a cantora que curte a fase e não dispensa os mimos cor-de-rosa.

Ao lado de ilustres representantes da musica popular brasileira, a baiana conquista seu lugar em território nacional. “Sinto um querer bem”, declara a baiana sobre sua relação com sambistas e público cariocas.

Animada para o grande dia do lançamento, Mariene conta em seu novo trabalho o que ela chamou de “historinhas dos sentimentos” presentes nesse momento impulsionador na conquista de novos horizontes. A espiritual Tabaroinha da Bahia ganha o Brasil e promete ainda alçar maiores voos.