“Quem começa a trabalhar em economia não quer mais sair”, assegura Ana Santiago, editora do Correio*

“Quem começa a trabalhar em economia não quer mais sair”, assegura Ana Santiago, editora do Correio*

Ana Santiago, editora de Economia, Mundo e Brasil do Correio*, conversa com o grupo do Jornalismo de Futuro - Foto: Tayse Argôlo

“O jornalismo econômico é uma janela que explica o mundo”. A frase da jornalista econômica Miriam Beltrão representa muito bem a conversa do grupo do Jornalismo de Futuro com Ana Santiago, editora das áreas de Economia, Mundo e Brasil do Correio*. Ana, que há 16 anos trabalha no jornal, iniciou a conversa perguntando as nossas preferências no jornalismo.

“Cidade, cultura, fotografia e cidade”, responderam quatro dos cinco presentes. “Economia e internacional”, falei. Logo, a jornalista, que escreve a coluna “Seu Bolso” no Correio*, abordou a resistência das pessoas em relação à área. Mas, pelo menos dos estudantes que participaram da conversa, parece que não haverá mais resistência.

Encaro a economia como um óculos de grau. Quando você o coloca, passa a enxergar o mundo de maneira mais clara, a entender a sociedade e suas relações. Não deixa de ser um assunto espinhoso para aqueles que escolheram seguir uma formação do âmbito das ciências humanas, como lembrou uma das jornalistas de futuro, mas quando se coloca esse óculos, é difícil tirar. “Quem começa a trabalhar em economia não quer mais sair”, assegura Ana.

Para quem, desde a faculdade, já quer seguir no campo, a editora sugere que o estudante curse matérias eletivas na Faculdade de Economia e que ele estude o básico da área, para, assim, saber formular as perguntas certas. O jornalista, em geral, tem que saber entrevistar, tem que estar preparado para, inclusive, adquirir o respeito das fontes. Afinal, “o maior tesouro do jornalista de economia é a agenda”.

Ética jornalística X presentinhos

No jornalismo econômico, é muito comum o hábito das fontes, empresários e assessores de imprensa, em grande parte, enviarem “presentinhos” para os repórteres e editores. O jornalista, de acordo com Ana, deve ser muito ético e estar bem preparado para não ceder ao jabá e acabar escrevendo matérias tendenciosas.

Ana calcula que, de 800 emails que recebe em um dia, 700 são de assessorias de imprensa. Isso sem falar nos convites para almoços e empréstimos de carros. “O jornalista de economia é o mais assediado”, conclui. Mas nem todas as pautas de economia vêm das empresas. Há um espaço considerável da editoria dedicada aos serviços.

Para Ana, o jornal foi um dos maiores beneficiados com o crescimento da classe C. A nova classe média quer se ver no jornal, quer entender como resolver seus problemas financeiros, fazer o imposto de renda e pagar as dívidas, por exemplo, e, mais, quer saber sobre pacotes de viagem e formas de pagamento para casas e automóveis. “A classe média que estar incluída”, afirma Ana.

Muitas capas do Correio* são de economia “do cotidiano”: “quatro por semana, aproximadamente”, estima. “Não é porque a pauta é fria que não pode ser capa”, lembra Ana Santiago. A editora ressalta, no entanto, que ainda “existe a briga pelo furo”, apesar da equipe reduzida: são três editores e três repórteres para as áreas de Economia, Mundo e Brasil. No Correio da Bahia apenas a equipe de Economia contava com dez profissionais.

Convertidos

A amplitude da economia, que perpassa por tantas áreas, conquistou os jornalistas de futuro. “Você conseguiu nos ‘converter’”, brincou uma das estudantes com a editora. Parece que agora terei alguns colegas jornalistas quando cursar as eletivas na Faculdade de Economia.