Minha rotina no Jornalismo de Futuro seguiu na Facom, conversando com os editores do Correio* e, principalmente, fotografando esses momentos. Todas as ‘’não-palestras’’ aconteceram no mesmo local, na sala reservada às atividades do programa. Ainda bem que essa sala tem dois espaços, um mais amplo com mesas de computadores enfileiradas e, outro menor, onde todos se sentam ao redor de uma mesa retangular, típica de reuniões.

Jornalistas de futuro atentos as palavras de Linda Bezerra. Alguns monitores foram reposicionados para que todos conseguissem vê-la bem. - Foto: Tayse Argôlo
Mais desafiante do que fotografar sempre no mesmo local, é encontrar soluções diferentes para registrar a mesma situação, de bate-papo. Quando as conversas aconteceram na sala maior, era preciso encontrar uma posição em que as telas dos computadores não escondessem os rostos dos meus colegas, e nosso pequeno grupo de nove parecia ainda menor com as pessoas, um pouco, afastadas umas das outras.
Nesse sentido, migrar nossas conversas para a sala menor me deixou muito satisfeita, o que também foi possível porque nós fomos divididos em dois grupos. Subi em cadeiras, me ajoelhei e busquei posições diversas (difíceis de manter por mais de um minuto), para encontrar um bom quadro, uma boa foto. Sempre lembrando das minhas aulas de fotojornalismo com o professor Rodrigo Rossoni e das minhas experiências fotográficas no Labfoto, da Facom. Rossoni repetia que fotógrafo não pode ter medo de sujar a roupa, tem que se jogar no chão mesmo, e buscar os malabarismos que a elasticidade do corpo permitir também são ócios desse ofício. Não é a toa que o Editor de Fotografia, Marcio Costa e Silva, comentou que depois de muitos anos carregando o peso das câmeras, lentes e flashes, os fotógrafos costumam ter problemas de coluna.

Jairo Costa Júnior nos contou sobre sua rotina como Editor e repórter de Política - Foto: Tayse Argôlo
Retratos dos editores, o que eu vou fazer hoje?
Fotografar os editores enquanto explicam o seu trabalho foi o meu desafio de cada dia. Pessoas com perfis muito diferentes nos foram apresentadas nesses dias, e assim que começavam a falar, eu fazia algumas anotações para aproveitar os momentos iniciais, dedicando-os a observação do meu fotografado. Perceber as expressões faciais, quando as mudanças no tom da voz vinham acompanhadas de gestos ou quando o silêncio atencioso ao escutar perguntas deixava, no rosto, transparecer mais emoções do que na fala. Conhecer o comportamento de quem estava na minha frente, para que quando fosse observá-lo pelo quadrado do visor, conseguisse antecipar caras e bocas.
Como eu disse, perfis diferentes, que resultam em comportamentos diferentes. Alguns editores conversavam com mãos e olhares, outros misturavam uma expressão tranquila e persistente com sorrisos. Adivinhar não é uma tarefa fácil, é um exercício que exige sagacidade, sutileza e rapidez. Além disso, é preciso encontrar bons ângulos para a foto, no plural e o mais variado possível. A maior parte das fotos não é usada, mas é preciso ter opções, fazer muitas fotos com o mesmo olhar, dará o esquecimento como destino a fotos boas, que poderiam ser usadas. Com isso me lembro das palavras de Rossoni, “é preciso dar opções ao editor”, que se repetiram na experiência de Marcio, “tirar fotos na horizontal e na vertical é o básico”.
Com os recursos que eu tinha, revezei duas lentes claras com outra, um pouco mais escura, acompanhada de um flash. Mais uma vez, os ensinamentos de Rossoni me acompanharam, e decidi experimentar luzes diferentes com o flash fora da câmera. A essa altura, o flash já passeou por vários cantos da nossa sala de conversas, ficou em cima de mesa, cadeira, bolsas e até impressora. Na terça, o próprio Rossoni, que estava presente na nossa tarde, me ajudou a encontrar a posição ideal para obter uma boa luz, em uma cena com todos os presentes.
Ainda tenho mais tentativas e experimentações pela frente, afinal, essa rotina está apenas começando. As conversas tem trazido agradáveis surpresas a cada dia. Na faculdade, a maior parte dos textos que já produzi se encaixariam na editoria de Cidades, por isso, conhecer tantos outros polos do Jornalismo tem sido fascinante. É como se um outro mundo estivesse sendo apresentado e desmistificado, o que antes parecia ser um trabalho tedioso, como economia e esporte, despertou curiosidade e interesse, que eu jamais imaginaria. Mesmo assim, até agora o que mais me encantou foi o Bazar, pensar em moda e comportamento renovou o meu ânimo ao lembrar do que me motivou a escolher essa graduação: a escrita. Na tarde, com Gabriela Cruz, eu me perguntei “por que não pensei em escrever, em trabalhar, com o conteúdo que mais me interessa consumir?”. Com o meu perfil profissional “em construção”, algumas dúvidas surgem, mescladas por uma dose extra de curiosidade e vontade de experimentar, conhecer, viver.