Ao chegar na redação do Correio na segunda-feira, dia 23 de abril, nós quatro (Eu, Darlan, Joana e Thais) éramos só ansiedade. O que faríamos? Para onde iríamos? Com o que iríamos nos deparar? Mas tudo isso já era esperado, afinal, era o primeiro dia em que acompanharíamos repórteres nas ruas de Salvador.
A surpresa para mim aconteceu logo quando Linda Bezerra veio ao nosso encontro e perguntou: “qual de vocês quer acompanhar uma reportagem política?” Opa, nós vamos nos separar? O medo que eu sentia aumentou, pois estaria entrando numa zona até então desconhecida, com pessoas desconhecidas, sem nenhum colega por perto.
Em poucos minutos os quatro na redação se tornaram dois, eu e Darlan. Juntos com Luana Ribeiro (integrante da primeira edição do programa Jornalista de Futuro!) começamos o nosso 1º dia de repórter, mas somente eu e Luana seguimos rumo à Piedade, para a apresentação de quatro assaltantes de casas que agiam em bairros nobres de Salvador.
Ainda no carro, Luana, muito atenciosa, deu dicas de como abordar fontes e fazer perguntas numa situação como aquela. Fomos conversando durante todo o percurso e isto me acalmou consideravelmente (o motorista também ajudou, dando dicas, conselhos e me fazendo rir), mas por pouco tempo. Quando chegamos, minhas mãos suavam e eu não parava de me perguntar: e agora?
“É normal, eu também fico nervosa de vez em quando”, me disse Luana. E assim eu permaneci até entrarmos na coletiva de imprensa e escutarmos o pronunciamento do delegado Nilton Tormes. Havia vários jornalistas na sala, profissionais de TV, impresso… todos eles com seu jeito particular de fazer reportagem. Eu fiquei de olho em tudo!
O que eu pensei quando avisaram que ficaríamos de frente com os meliantes foi “Que Deus me proteja”. O medo ameaçou voltar, mas então, quando dei por mim, estava lá, fazendo anotações, prestando atenção em tudo o que era dito, até mesmo na conversa tímida entre os assaltantes. Quando saímos de lá, a sensação era de que não havia sido tão difícil quanto eu imaginara que seria. Ufa, eu consegui!
Consegui, não foi? A primeira parte talvez, mas a segunda…
Da Piedade seguimos para o cemitério Campo Santo, na Federação, onde reencontramos Darlan e acompanhamos o enterro do taxista Adilson Vieira de Souza, morto durante um assalto. Entre lágrimas e lamentações dos entes próximos, eu me concentrava na tarefa de parecer centrada e não mostrar o quanto eu estava abalada. Mas por alguns momentos me peguei segurando no braço de Darlan, como se ele fosse meu apoio e eu precisasse disso para me manter ali, forte. Pra falar a verdade, eu nunca havia entrado num cemitério antes, e consequentemente, nunca havia assistido um enterro fora da televisão. Foi difícil. Pensar em perguntas para fazer aos parentes e amigos da vítima parecia um erro, eu me senti uma intrusa no meio daquelas pessoas, mas o trabalho tem de ser feito, e uma apuração bem feita pode fazer justiça, como nos disse Erival Guimarães, assessor de comunicação da SSP, sexta-feira passada numa palestra que sobre a cobertura jornalística na área de Polícia e também sobre o papel do jornalista investigativo. Ao chegar em casa a sensação de dever cumprido existia, mas as imagens que vi não saiam de minha mente. Tenho certeza que nunca esquecerei esse dia.
Com os fatos devidamente apurados, posteriormente acompanhei Luana no processo da produção do texto. Essa sim é uma parte do jornalismo que faz os meus olhos brilharem: a parte de contar o fato escrevendo-o.
Na toca do Leão
A semana dos jornalistas de futuro do grupo 2 está sendo bastante movimentada, e por isso no dia seguinte já estávamos todos lá novamente. Me deparei com uma redação um pouco mais calma. Jornalistas brincavam entre si, sorriam e se divertiam enquanto faziam seu trabalho. Um ambiente realmente empolgante.
Eu estava tensa, resquícios do dia anterior ainda se faziam presentes. Mas surgiu a oportunidade de acompanhar algo menos tenso, junto com Ângelo Paz, jornalista da área de esportes do Correio. A reportagem seria feita no Estádio Manoel Barradas, o famoso Barradão. Eu nunca me imaginei dentro de um estádio de futebol tentando aprender um pouco sobre jornalismo esportivo, já que eu não entendo nada dessa área, mas se é época de experimentação, vamos lá. E não é que gostei!
Ângelo me levou até os gramados do estágio, onde brinquei de fotógrafa com a câmera (nada boa) de meu celular, com o intuito de ter imagens neste post, mas infelizmente não deu certo. Depois fomos à sala de imprensa onde escutamos Raimundo Queiroz, diretor de futebol do Vitória, falar sobre a falta de um técnico efetivo há 20 dias, e outras questões relacionadas ao time, como o desejo de voltar para a 1ª divisão (aconselho a ler a matéria de Ângelo Paz para mais informações).
Com o fim da entrevista, Ângelo me apresentou Tuca, o massagista do Vitória. Muito carismático e brincalhão, Tuca me ofereceu um lugar para sentar, e algo para beber: “Quer água?” ele me perguntou. “Não, obrigada.” “E um cafezinho?” “Não, estou bem.” “E uma nota de cem?” “Hm… agora a resposta é sim.” Risadas se seguiram, e a simpatia dele contribuiu para que eu me sentisse bem vinda naquele local.
Durante a conversa entre o repórter e o massagista, o primeiro afirmou que numa editoria de esportes, na parte destinada ao futebol, é importante não falar somente da sua parte técnica, mas também contar histórias particulares dos jogadores, encantar e fazer o leitor rir, o que me fez recordar a palestra ministrada por Linda Bezerra, quarta-feira passada na FACOM. Os jornalistas são contadores de histórias, cada um com sua maneira própria de fazê-lo, e com o intuito de encantar e prender o leitor.
O clima no jornalismo esportivo, pelo que vi nesta terça-feira, é muito mais descontraído. Jornalistas brincam um com o outro o tempo todo, e se mostram apaixonados pelo que fazem, assim como também por futebol. No carro, voltando do Barradão, Ângelo me disse que trabalhar com esportes, para ele, é uma mistura de ofício e lazer. E eu pude ver isso na prática, até mesmo com os próprios jogadores do Vitória, que enquanto treinavam, estavam ansiosos pelo resultado da partida entre Barcelona e Chelsea que estava sendo transmitida naquele momento.
Em dois dias de experiência na rua vivenciei dois extremos: polícia e esportes. Se na segunda eu estava triste e realmente tensa, na terça-feira eu sorria e me sentia a vontade no Barradão. É essa a magia de trabalhar com reportagem: todos os dias você vai para lugares diferentes, conversa com pessoas diferentes, e a rotina se torna menos maçante.
É essa a área que quero seguir dentro do jornalismo? Talvez. Mas a experiência está sendo muito rica, e disso eu não tenho dúvidas.