“O impresso vai acabar”, essa suposição já está ficando desgastada, mas ainda instiga qualquer profissional da comunicação. E a preocupação pode até ser pertinente se levado em consideração pesquisas que constatam o quanto os brasileiros tem lido cada vez menos. Mas o que explica a garantia de 100% de venda do Jornal Correio* no subúrbio soteropolitano?
Foi uma surpresa receber essa última informação, numa conversa muito produtiva com Márcio Costa, editor de fotografia, e Morgana Miranda, da equipe de diagramação, na tarde de hoje (23/04). Mesmo que as pessoas não tenham mais tempo, ou gosto pela leitura, elas querem se manter informadas. Os jornais ainda pautam conversas no ponto de ônibus, num barzinho com os amigos ou durante a visita de uma tia numa tarde de domingo.
Foi intrigante me dar conta de um cálculo bastante simples: Se a sociedade tem se transformado histórica e culturalmente, obviamente, as formas de recepção acompanham tais mudanças. O Correio* soube identificar essas transformações e, se aproximando cada vez mais da realidade de seu publico consumidor, se destaca no jornalismo baiano.
Há controvérsias para o ditado de que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Mas sem dúvida alguma, no contexto atual
em que o cidadão tem uma rotina muito dinâmica, o audiovisual é uma alternativa de consumo. O jornal não pode se afastar dessa realidade, pelo contrário, deve agregar de maneira equilibrada novas possibilidades.
Vejo que isso foi levado em consideração na transformação do antigo Correio da Bahia no Correio* atual. Para contrariar outro ditado que diz “não se julga o conteúdo pela capa”, é justamente na primeira página, que o Correio* revela sua linha editorial.
O que mais me surpreendeu, e acredito que aos meus colegas futuristas, foi a ousadia na publicação de capas que dão destaques apenas a imagens, sem que seja uma regra recorrer à manchete. “Transformar a informação em algo visualmente atraente”, repetia a diagramadora Morgana para justificar a ineficiência de uma capa fatiada de notícias. A vertente seguida pelo jornal é claramente ditada pela realidade de seu público.
O interessante foi perceber que tudo isso é resultado de um trabalho em equipe. “Respeitar o trabalho do outro”, enfatizava Márcio, destacando a necessidade do diálogo na produção de uma reportagem. Texto, imagem e design se completam nas páginas do jornal que prezem por oferecer um fluxo organizado de informações ao leitor.