“Nosso trabalho pode fazer justiça”

“Nosso trabalho pode fazer justiça”

Erival Guimarães | Foto: Renato Alban

Confesso que a editoria de Polícia não é uma das mais atraentes para mim. Mas sou obrigada a reconhecer que quando ouvi a frase: “nosso trabalho pode fazer justiça”, minha mente viajou involuntariamente me colocando no papel de uma dessas jornalistas bem corajosas de filmes de ação, que enfrentam olhares intimidadores de réus nos tribunais.

Não precisou de nenhuma ficção para isso acontecer na vida de Erival Guimarães, atual assessor de comunicação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Antes de atuar na assessoria da SSP, Guimarães vivenciou diversas experiências como jornalista investigativo nos principais jornais impressos de Salvador e nós, do Jornalismo de Futuro, tivemos o privilégio de conhecer algumas delas. Em um dos casos, Erival teve a oportunidade de participar ativamente no processo de condenação de um major do Exército Brasileiro, que havia assassinado um jovem de 20 anos dentro de um shopping no bairro do Imbuí.

Em sua rotina de repórter policial, Erival Guimarães acabou se habituando a fortes sentimentos e também ao sofrimento de outras pessoas, mas isso não impediu de inúmeras vezes chegar em casa arrasado, como nos contou em sílabas pausadas: “Tinha dias que eu chegava em casa ar-ra-sa-do”. Sendo assim, é compreensível que um profissional que dedicou parte de sua vida à denúncia de crimes, lamente a desvalorização da editoria de polícia dentro das redações e a tendência dos jornais se tornarem cada vez mais comerciais.

Em seu blog, Erival relata alguns casos vivenciados por ele com desfechos felizes, frutos de uma apuração bem realizada. Para esse ‘jornalista das antigas’, a boa apuração está sendo prejudicada pela pressa de publicar em primeira mão, de sair na frente, o que dá vazão às críticas que Erival direciona à ‘mídia eletrônica’, como ele chama o jornalismo feito na internet. Hoje, trabalhando na ascom da Secretaria de Segurança Pública, Erival perde as contas de quantos sites de notícias publica falsas informações sobre a instituição.

Quando perguntado de que forma lida com a situação de trabalhar como assessor de comunicação da SSP, tendo em vista tantos anos dedicados à investigação das irregularidades da instituição, Erival é rápido e simples: “Consigo administrar de uma forma muito clara justamente por ser um profissional”. É difícil duvidar da sinceridade dessa resposta, ainda mais vinda de um jornalista que embora tenha tantos anos de experiência, ainda vibra com as oportunidades bem aproveitas por ele de ser agente direto na execução da justiça. “Você tem que ter uma conduta definida. Seja repórter, seja assessor, seja ético”, finaliza Erival.