Foi essa a opção que escolhi no momento da minha inscrição para o processo seletivo do Programa. No entanto, não foram os cliques, as câmeras ou o olhar por detrás das lentes que me fizeram decidir por Jornalismo no momento do vestibular. Foi o encanto pela escrita e o amor pela leitura que me levaram à profissão das notícias e dos fatos. Na faculdade, não abandonei os velhos gostos, mas aprendi a comunicar com a fotografia, a informar com imagens. E hoje, essa é a minha escolha dentro do jornalismo diário.
Ótimo começo: Marcelo Beraba
A aula inaugural, com o jornalista Marcelo Beraba, deu início, oficialmente, aos trabalhos do Jornalismo de Futuro. Ouvi-lo contar sua trajetória profissional, em espaços como a redação da Folha de São Paulo, do Jornal do Brasil e do Estadão, foi como ouvir a história de crescimento e evolução do próprio jornalismo brasileiro, com o olhar de alguém que viveu esse processo.
As novas tecnologias não apenas revolucionaram as rotinas de trabalho do jornalismo impresso, elas modificaram o trabalho jornalístico em si, de um modo que era impensável em 71, quando Beraba entrou pela primeira vez na redação do jornal O Globo, onde iniciou sua carreira. O mais importante em conhecer as mudanças no cotidiano dos jornalistas ao longo desses anos, é perceber que os elementos que enriquecem o jornalismo não se modificaram. Do que foi apresentado, os elementos que mais me chamaram a atenção foram o trabalho em equipe e o esforço individual. Para um leitor desatento eles podem parecer contraditórios, mas eu vejo como complementares.
Marcelo Beraba nos disse que uma redação precisa respirar, e esse oxigênio vem das trocas de ideias entre os jornalistas. É o auxílio e a colaboração entre os colegas de trabalho que permite o amadurecimento do que é produzido, diariamente. Nesse caminho, só um profissional dedicado, que esteja sempre em movimento, buscando se aperfeiçoar no trabalho que desenvolve, poderá contribuir significativamente nas discussões com seus colegas. Esse é o espírito do Programa em que ingressamos, e as histórias contadas por Beraba ilustraram o futuro que nos aguarda.
Primeiros cliques
Ainda na aula inaugural, me arrisquei timidamente a fazer alguns cliques. Em uma palestra com o tema “O Futuro do Jornalismo”, eu vi meu próprio futuro no trabalho da repórter fotográfica do Correio*, Marina Silva, que estava cobrindo o evento. Quando vi Marina em ação, me enxerguei fotografando jornalisticamente, assumindo as lentes e o flash como minhas ferramentas do trabalho diário. Quando abandonei meu assento e me pus de pé, com o olho apertado no visor da câmera, me senti confortável. É esse o meu lugar, é assim que me sinto motivada a buscar um novo olhar para os acontecimentos.
No início dessa semana, nossas experiências no Programa foram de ouvir, conhecer e questionar. A regra era aproveitar ao máximo as informações que os profissionais do Correio* poderiam nos passar e não deixar nenhuma dúvida para depois. Além disso, comecei a assumir a fotografia em todos os momentos. Durante as conversas, eu me dividia entre ouvir e olhar, fazer anotações e clicar, e esse cotidiano tem me deixado muito satisfeita.
Segunda-feira foi o Diretor de Redação, Sergio Costa, quem nos recebeu no próprio Correio*. Acredito que não há lugar melhor para se falar sobre o funcionamento do jornal do que na própria redação. Enquanto Sergio nos explicava os bastidores da produção de um veículo impresso, nós víamos as notícias ganhando forma ao nosso redor.
Terça-feira foi a vez de entender melhor como o jornalismo acontece nas plataformas digitais e quem nos mostrou esse caminho foi o Editor de Multimídia do Correio* e Editor Chefe do iBahia, Gustavo Acioli. Com uma atividade pulsante, bem característica do mundo virtual, Gustavo nos mostrou ferramentas que otimizam o trabalho jornalístico na web.
Quarta-feira: pauta e texto jornalístico com a Chefe de Reportagem Linda Bezerra. Se o jornalismo é feito a partir de histórias, não falta assunto para uma conversa sobre a produção cotidiana de pautas. Simples e direta, Linda iniciou nossa conversa avisando que a notícia não morreu e que a pauta é o coração de uma redação, o ponto pulsante de um jornal. Apuração e técnicas de escrita foram temas que marcaram essa tarde, enriquecida de bons exemplos da rotina jornalística que nós estamos ansiosos para viver. Ao se despedir, Linda relembrou: “quando vocês forem para a redação, eu vou colocá-los na rua!”. Acompanhar o trabalho dos repórteres, conversar com as fontes e conhecer os fatos no momento em que acontecem, isso é o que nós mais queremos!