Quando tanto se propaga a “crise do jornalismo”, é inevitável, para uma quase foca, temer pelo seu incerto futuro profissional. Esse medo, porém, é quase sempre posto em segundo plano, pois a vontade fala mais alto. Nos últimos dois dias, as “não-palestras”com Gustavo Acioli, editor Multimídia do Correio, e Linda Bezerra, chefe de reportagem, afastaram os receios das mudanças que se convencionou chamar de crise. E nunca duas conversas tão diferentes foram tão complementares.
Apostando na reinvenção do jornalismo, discutimos com Gustavo as novas plataformas e possibilidades de produzir e divulgar informação. Em bom baianês, ele afirmou que os periódicos precisam “pongar” nas ideias da convergência de conteúdo para perpetuar sua sobrevivência e estabilidade. Já Linda, apesar de também acreditar que a notícia não morreu, vê a pauta como a garantia de qualidade do produto jornalístico. “A pauta é o coração de uma redação”, afirma.
Apesar de estudar e valorizar a convergência midiática, confesso que me identificava mais com o grupo de “jornalistas caretas”, citado por Gustavo, que ainda tem certa resistência ao uso de alguns dispositivos. O encantamento das palavras sempre exerceu grande influência sobre mim e, provavelmente, daí surgiu a predileção pelo jornalismo impresso. No entanto, se algo ficou ainda mais claro a partir desses últimos debates, foi a importância de conciliar a boa apuração, o bom texto e as melhores mídias possíveis para se contar uma história. Mais do que isso: renovei o ânimo para aprender mais e me engajar na construção desse jornalismo do futuro, de multiplataformas.
Se o fazer jornalístico ainda engatinha em meio a tantas inovações, creio que alguns de nós, futuros profissionais da área, também tateamos em busca de um lugar para nos encaixar nesse novo contexto. O método de tentativa e erro, que tem sido válido para as grandes redes de comunicação que investem em aplicativos, gadgets e outras ferramentas, também serve a nós que estamos sempre a testar e desenvolver habilidades tecnológicas.
E apostamos no acerto! É essa a oportunidade que o Jornalismo de Futuro nos dá: a de ser criativos com os detalhes, com as perspectivas, com as formas de abordar uma notícia. A redação, com suas pluri-possibilidades, é, a meu ver, o “templo da experimentação” (termo usado por Linda para designar a Universidade). E se este é o tempo de ousar, que estejamos à altura do desafio. Que o Grupo dos Nove mergulhe de fato na redação, nas conversações e nas ruas, que sejamos contadores de boas histórias, em qualquer formato que melhor se apresentem.
“Qualquer um de vocês que fizer jornalismo, com certeza vai enlouquecer”, disse a chefe de reportagem. Em resposta, lhes digo: eu, particularmente, não vejo a hora de abandonar a sanidade.