Em conversa descontraída na sala de reuniões da redação do Correio*, o editor-chefe do jornal, Sérgio Costa, encontrou tempo para nos contar um pouco de sua trajetória; do próprio Correio*, incluindo a reformulação do impresso, as dificuldades que ainda enfrenta e os projetos futuros; do jornalismo como um todo e especificamente do jornalismo realizado na Bahia.
De maneira informal – como parece ser o clima na própria redação do jornal – Sérgio nos deu espaço para perguntar tudo. “Algo mais?”, perguntava ele ao final de cada resposta. E aí… Já viu… Espaço para jornalistas perguntarem tudo?! Pior: para aspirantes a jornalistas perguntarem tudo?! Com o risco de atrapalhar a reunião de fechamento da edição do jornal da última terça-feira, fomos em frente e perguntamos tudo.
Afinal, o que a Bahia quer saber?
“Jornalismo, independentemente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes”. Com esta colocação, o jornalista Clóvis Rossi iniciou o livro “O que é jornalismo”. Afinar o jornal ao interesse dos leitores foi justamente o primeiro desafio do jornalista Sérgio Costa quando chegou à Bahia para ocupar o cargo de editor-chefe do então Correio da Bahia.
Há três anos, Sérgio era diretor da sucursal da Folha de S. Paulo no Rio de Janeiro. Aceitar o convite para dirigir um jornal cuja tiragem encontrava-se na quinquagésima sexta posição no país certamente não foi uma decisão fácil de ser tomada. Contrariando o conselho dos colegas da Folha, que zombaram do convite realizado pelo jornal baiano, Sérgio aceitou o desafio e veio para a Bahia.
A primeira percepção do jornalista dirigiu-se às opiniões daqueles que liam o jornal. A conclusão: o que era publicado no Correio da Bahia não coincidia com o que as pessoas queriam ler no Correio da Bahia. O desafio estava lançado e o objetivo era claro. Sérgio teria que entrar na “batalha” descrita por Rossi e conquistar “as mentes e corações” dos baianos.
“Estamos em um processo de inclusão”
Parecia claro que havia uma demanda reprimida por jornais na população da Bahia. Um dos maiores estados do país tinha – e ainda tem – uma circulação diminuta de jornais. Algumas medidas foram tomadas visando a aproximação do jornal impresso da Rede Bahia com os leitores, incluindo a troca do nome, a mudança de formato, a valorização da área de serviços e a “regionalização” do jornal.
Reconhecendo a credibilidade como o principal capital simbólico de um jornal, o Correio* investiu para ganhar a confiança dos baianos e, por conseguinte, dos anunciantes. O sucesso da reestruturação é inegável. Segundo Sérgio Costa, hoje a tiragem diária do Correio* gira em torno de 60 mil exemplares e o impresso ocupa a 17ª posição dentre os mais vendidos do país. Ele explica o franco crescimento: “estamos em um processo de inclusão”. O Correio* tem conquistado leitores baianos que não tinham o hábito de ler jornal e, para Sérgio, o processo é irreversível: quanto mais informação se tem, mais se quer.
Imprensa baiana
Mesmo após a mudança, para Sérgio, essa reformulação da imprensa baiana ainda está em um “estágio inicial”, muito atrás ainda das imprensas de São Paulo ou do Rio Grande do Sul, por exemplo, mas a frente das de estados como Alagoas ou Maranhão. A reformulação do jornal, de fato, mexeu com a imprensa da Bahia. Tanto o Correio* quanto os outros jornais baianos – em especial, o A Tarde e a Tribuna da Bahia – ainda têm longos caminhos a percorrer, mas é positivo perceber que, em meio a um turbilhão de dúvidas e inseguranças no jornalismo impresso mundial, as empresas jornalísticas da Bahia começam a se movimentar.
O que é jornalismo
Atividade intelectual e fruto de um processo industrial. Serviço público e produto de empresas privadas. O jornalismo vive – e sempre viveu- uma crise existencial e, não pretendo aqui resolvê-la, mas, sim, reportar alguns apontamentos de Sérgio Costa sobre a atividade jornalística. É interessante perceber a visão de quem não apenas está imerso no jornalismo, mas que também encabeça um produto jornalístico.
“O jornalismo é uma linha de produção”, afirma Sérgio. Sem deixar de derivar da atividade intelectual de uma série de profissionais, o processo de fazer jornalismo é igual ao de uma fábrica, especialmente o impresso. Os jornalistas devem se adequar a uma rotina. “Notícia é uma commodity”, explica, “a diferença é o jeito como ela será relatada”. A busca pela melhor forma de contar uma história é o que torna o dia-a-dia do jornalismo tão interessante.
Futuro
Como contar melhor as histórias? Quais os próximos passos do Correio*? Investir nos próprios jornalistas e contratar profissionais qualificados. Essas são as prioridades de Sérgio Costa. Afinal, para uma empresa jornalística, nada é mais valioso do que seus profissionais. Outros objetivos do editor-chefe são o investimento em equipamentos e a ampliação da área de alcance do jornal, que atualmente permanece relativamente restrito a capital.
OBS: queria aproveitar esse meu primeiro post para agradecer toda atenção e preocupação das pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, com o Programa.