Numa palestra cujo tema era “O Jornalismo e o Futuro”, começar pelo passado foi uma proposta sugestiva de Marcelo Beraba, diretor da sucursal do Jornal Estado de São Paulo.
História é um campo do conhecimento que fascina qualquer jornalista. Ouvir Marcelo relatar sua experiência em tempos de ditadura foi, no mínimo, enriquecedor. Sabe aquele perfil de jornalista que a gente lê em romances policias? Então, nas histórias de Beraba eles existiam mesmo. Hoje, acho que não mais.
A transformação sempre encontrou lugar na atividade jornalística. A começar pela logística de produção, que naquela época, embora moderno sob o ponto de vista gráfico e industrial, deixava a desejar na organização da rotina. Também nesse período o trabalho era restrito a algumas editorias, os mais tradicionais evitavam o confronto, tratando o assunto política superficialmente. Contrariando isso, hoje as maiores coberturas estão no âmbito do poder.
Se antes a cobertura política era conservadora, as conquistas democráticas permitem que hoje se façam até chacotas destes que compõe a esfera legislativa ou executiva. O caráter justiceiro da imprensa tem grande força no Brasil atual. Acredito que isso faça jus ao papel social a que a prática jornalística se dispõe.
Algo que não parece ter mudado muito? A dupla jornada de trabalho. A maior parte dos jornalistas formados que conheço tem seu emprego fixo, mas não dispensa o freelance desde que não implique em conflitos de interesse.
As mudanças nunca foram bruscas e o Jornalismo soube ceder lugar à inovação naturalmente. Isso é perceptível na história. Hoje, a grande polêmica gira em torno da modernização tecnológica. O modo como o sujeito recebe informações não é o mesmo de dois dias atrás. A freneticidade do mercado produz uma criatividade ilimitada nos dias de hoje.
Curiosa, pesquisei o formato a que Marcelo se referiu no início da palestra. Ver os títulos em “grafia imperial” nos jornais das décadas de 70 e 80 foi divertido. Por isso é tão difícil de se pensar no amanhã. Nada do que se vive hoje foi planejado ontem, simplesmente aconteceu e o Jornalismo soube lidar com isso. Ele sempre terá espaço para informações de qualidade e precisão, que proporcione reflexão e boas histórias. “Cabe tudo no jornalismo bem feito”, concluiu Beraba.
Não há um modelo a se seguir, o futuro é garantido no presente. Façamos nossa parte.