Maria e Ana inclusive travam uma grande batalha pela preferência das mães baianas na hora de nomear suas bebezinhas. Desde 1930, esses são os dois femininos mais populares na Bahia. Antigamente as Marias goleavam, nos anos 50, por exemplo, nasceram 154 mil meninas com esse nome, contra menos de 15 mil Anas. Entretanto, as “Aninhas” foram perseverantes e conquistaram a ponta na década de 90. Mas o topo das preferências foi retomado pelas Marias no novo milênio.
Veja, ao final desta reportagem, os nomes mais comuns em cada década. Os dados têm como base os Censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizados até 2010, ano do mais recente, e estão disponíveis no site “Nomes no Brasil”.
Inspirações
Na hora de nomear os “babys” (bebês) os pais têm as mais diversas inspirações. De acordo com o professor de história da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Milton Moura o rádio e, posteriormente a televisão, por meio das novelas, personagens e atores, são alguns dos maiores influenciadores para os “nomes da moda”.
Patrícia Carvalinhos explica que quando alguém escuta um nome novo têm a tendência de utilizá-lo para batizar o filho. “É sempre assim, um nome que começa a surgir e é diferente. Aí as pessoas ouvem, acham bonito e sonoro e começam a usar mais frequentemente. Até porque soa bem e os pais começam a replicar esse modelo.”, afirma.
Cravo e Canela
Um bom e, até certo ponto curioso, exemplo disso é a novela Gabriela. De acordo com especialistas, após os anos 70, década em que foi exibida na Globo, existiu um “boom” de meninas chamadas assim. Curiosamente, o impacto foi maior ainda em “Gabriéis”. Nos anos 60 menos de 500 menininhos baianos foram nomeados como Gabriel, já na virada do século este nome se tornou o segundo mais popular da Bahia, com mais de 22 mil.
Outro caso em que a inspiração foi maior em pessoas de gênero diferente do personagem homenageado foi da Pequena Sereia. Após 1989, ano de estréia do filme, nasceram muitos bebês chamados Ariel. Mas o nome batizou muito mais meninos que meninas, ou seja, vários “pequenos sereios”.
Enzo é o novo Luan
Além dos famosos, os filhos deles também costumam servir de tendência para os nomes da moda. Enzo, tão popular atualmente, começou a ser bastante utilizado após Edson Celulari e Claudia Raia batizarem o filho deles assim, em 1997. O mesmo aconteceu algumas décadas antes com Luan, após o filho de Elba Ramalho e Maurício Mattar ser nomeado como Luã.
Senta lá, Claudia
Além de novelas e atores, até revistas podem inspirar os papais. Um exemplo é a publicação “Cláudia”, lançada em 1961. Na década de 50, nasceram menos de 200 meninas chamadas assim na Bahia, já nos anos 70, quase 9 mil meninas foram registradas com esse nome.
Você conhece a Kelly?
Outra coisa que o brasileiro adora usar são os “estrangeirismos”. Por exemplo: o nome Kelly se popularizou nos anos 70 e 80 por causa de Grace Kelly, princesa de Mônaco à época.
“Na década de 80 tiveram muitos nomes americanizados, como Naílton, Édson, Jeilson e Ailton. É como se você desse um ‘upgrade’ no nome do filho. Ele vai ser pobre mas terá nome chique”, brinca Milton Moura.
Então é natal
Cantoras e cantores também servem bastante de inspiração para nomear os filhos. Um exemplo é a cantora Simone, sim, aquela do “então é natal”, que inspirou várias mamães e papais nos anos 80, época do seu auge.
Nomear com fé eu vou
Se tem uma coisa que nunca sai de moda é homenagear santos e santas na hora de nomear os filhos. Desde a década de 30, quando o nome Terezinha se tornou bastante comum por causa da santa de mesmo nome, até os apóstolos Pedro e Lucas, que foram bastante homenageados nos anos 90 e 2000.
Tamanho é documento?
De acordo com Milton Moura, outra tendência que se apresentou nos últimos anos foi a redução dos nomes. Antigamente era comum nomes longos como Francisco, Raimundo e Terezinha. Atualmente todos os nomes, tanto de meninas quanto de meninas, mais populares têm até sete letras. “É o charme de ter o nome enxuto. Hoje boa parte dos nomes tem quatro ou cinco letras, como Bruna, Enzo, Júlia e Lucas”, conta o historiador.
Mudanças de ciclos
Outro detalhe interessante são os ciclos dos nomes. Alguns, que foram bastante populares há muito tempo atrás, voltam à ativa muitas décadas depois. Um exemplo é Júlia, que foi o décimo mais usado nos anos 30, depois ficou fora da lista dos mais comuns nos anos seguintes, até reaparecer no sétimo lugar no novo milênio.
“Isso é algo que acontece bastante. São os nomes que ‘vão e voltam’. Daqui a 70, 80 anos, Enzo vai se tornar um ‘nome de velho’ e aí os pais podem voltar a usar Almerinda ou Marivaldo”, explica Patrícia Carvalinhos.