{"id":9976,"date":"2017-03-12T15:19:17","date_gmt":"2017-03-12T18:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/?p=9976"},"modified":"2017-03-12T19:20:02","modified_gmt":"2017-03-12T22:20:02","slug":"internado-ha-10-dias-paciente-denuncia-transfobia-em-atendimento-no-hge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/internado-ha-10-dias-paciente-denuncia-transfobia-em-atendimento-no-hge\/","title":{"rendered":"Internado h\u00e1 10 dias, paciente denuncia transfobia em atendimento no HGE"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"><strong><em>Victor Villarpando, do jornal CORREIO<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Roberto In\u00e1cio, 23 anos, acusa\u00c2\u00a0servidores do Hospital Geral do Estado (HGE) de cometer transfobia durante seu atendimento. Segundo o rapaz, ele n\u00e3o est\u00e1 sendo tratado pelo seu nome social, e sim no feminino. A dire\u00e7\u00e3o do HGE\u00c2\u00a0disse que vai\u00c2\u00a0apurar os fatos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou j\u00e1 na entrada. Mostrei meu cart\u00e3o do SUS com nome social e pedi para ser registrado daquela maneira. A recepcionista nem olhou para a minha cara e colocou o nome feminino l\u00e1. Desde ent\u00e3o, s\u00f3 fui tratado assim. Na hora n\u00e3o quis discutir, pois estava com muita dor e precisava ser atendido logo\u009d, conta ele, que sofre de anemia falciforme e est\u00e1 internado desde o dia 2 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Roberto diz ainda que o tratamento de enfermeiros e m\u00e9dicos causou constrangimentos desde o momento da triagem. A princ\u00edpio, ele chegou a ser internado na ala feminina da unidade de sa\u00fade, mas conseguiu ser transferido para a ala masculina depois de muita discuss\u00e3o. A portaria 1.820 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, publicada em 13 agosto de 2009, possibilita o uso de nome social por pacientes da rede de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ainda assim, o paciente alega que funcion\u00e1rios continuam se referindo a ele no feminino. Hoje acordei com uma enfermeira dizendo: &#8216;Ah, voc\u00ea \u00e9 uma mulher muito bonita, tra\u00e7os muito femininos&#8217;\u009d, relata ele. Houve uma queixa formal sobre o caso na ouvidoria do HGE na \u00faltima quarta-feira (8).<\/p>\n<p>Apesar da reclama\u00e7\u00e3o, o problema n\u00e3o foi resolvido e, segundo Roberto, a equipe de atendimento continua o tratamento no feminino. A pr\u00f3pria Ouvidoria, no in\u00edcio da resposta, me tratou como mulher. Disseram j\u00e1 ter orientado a equipe e que n\u00e3o havia mais nada a fazer\u009d, lamenta.<\/p>\n<p>O preconceito atingiu ainda o tratamento recebido. Por conta da doen\u00e7a, Roberto sente dores intensas. Tenho crises graves, preciso de morfina de quatro em quatro horas. No in\u00edcio, eles se recusavam a dar a medica\u00e7\u00e3o. Depois aplicavam com intervalos longos, de seis ou oito horas. Eu chorava e gritava de dor\u009d, recorda Roberto.<\/p>\n<p>Ainda segundo Roberto, s\u00f3 melhorou quando Fernando Meira, m\u00e9dico que tem feito atendimentos na sa\u00fade integral \u00e0 \u00a0 saude das pessoas transexuais e travestis, falou com a profissional que estava no plant\u00e3o. De acordo com o rapaz, a queixa tamb\u00e9m foi passada \u00e0 \u00a0 Ouvidoria, mas no documento s\u00f3 consta a reclama\u00e7\u00e3o por transfobia.<\/p>\n<p>Em entrevista ao CORREIO, Meira contou que Roberto &#8211; que \u00e9 seu paciente em outro servi\u00e7o &#8211; havia entrado em contato com ele dizendo que estava sentindo dores fortes e o m\u00e9dico sugeriu que ele procurasse alguma emerg\u00eancia espec\u00edfica. Orientou ainda que &#8211; caso n\u00e3o encontrasse &#8211; fosse ao HGE. &#8220;Passei no Hospital na segunda de manh\u00e3 para ver outro paciente e acabei encontrando com ele. Roberto me disse que as medica\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam sendo sistem\u00e1ticas e foi a hora que a m\u00e9dica passou l\u00e1 e troquei uma ideia com ela. Ela entendeu e seguiu a minha sugest\u00e3o enquanto colega &#8211; mas isso j\u00e1 estava dentro do leque de possibilidades deles&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, existe um protocolo de atendimento para pacientes com este tipo de dor, mas que, \u00e0 \u00a0s vezes, as emerg\u00eancias conduzem de outra forma. &#8220;Eles acabam tendo condutas mais gerais e acaba que tendo descontinuidade no atendimento pelo contexto de emerg\u00eancia. Eles argumentam que tem muito paciente que chega l\u00e1 pedindo morfina de 4h em 4h. A rela\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica com a depend\u00eancia interfere na relac\u00e3o com os m\u00e9dicos. Conversei com a equipe e foi essa a minha cr\u00edtica. Porque o Roberto n\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa. Ele estava em uma crise de dor muito prolongada, que a gente observa pela express\u00e3o do corpo do paciente&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Preconceito<\/strong><br \/>\nO m\u00e9dico disse ainda que soube que a orienta\u00e7\u00e3o institucional da diretoria do HGE foi para que o cuidado com este atendimento fosse redobrado. &#8220;Mas, no \u00e2mbito da micropol\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es, existe uma interfer\u00eancia de valores conservadores da nossa sociedade. Acredito que o HGE deva se responsabilizar por esta quest\u00e3o, porque tem algumas coisas erradas&#8230; No registros de prontu\u00e1rio, por exemplo, constava o nome civil. Apesar de algumas institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 respeitarem o nome social, outras n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Transfobia, infelizmente, ainda \u00e9 comum. Mesmo tendo portarias, resolu\u00e7\u00f5es e c\u00f3digos de \u00e9tica profissionais, muitos funcion\u00e1rios do sistema de sa\u00fade colocam seus preconceitos no trabalho. A viol\u00eancia psicol\u00f3gica e a transfobia institucional nos faz adoecer ainda mais. Nem na hora da dor o nome e o g\u00eanero s\u00e3o respeitados\u009d, afirma Jo\u00e3o Hugo Cerqueira, integrante do Coletivo Fam\u00edlias pela Diversidade e do Conselho Estadual de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o LGBT.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o e integrantes do grupo se preparam para, na segunda-feira (13), acionar institui\u00e7\u00f5es como o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n<p>Procurada pelo CORREIO, a Secretaria da Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab)\u00c2\u00a0respondeu, atrav\u00e9s de nota, que a dire\u00e7\u00e3o do HGE informou que,\u00c2\u00a0caso necess\u00e1rio, &#8220;implantar\u00e1\u00c2\u00a0ajustes para o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o&#8221;. Ainda na nota, a Sesab disse que &#8220;o paciente vem recebendo todos os cuidados necess\u00e1rios e a unidade busca assegurar aos usu\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) o direito a ser identificado e atendido pelo nome de sua prefer\u00eancia, conforme normatizado pela portaria 1.820 de 13 de agosto de 2009, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Situa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a esta norma s\u00e3o consideradas isoladas&#8221;.<\/p>\n<p><em>*Colaborou Naiana Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Villarpando, do jornal CORREIO Roberto In\u00e1cio, 23 anos, acusa\u00c2\u00a0servidores do Hospital Geral do Estado (HGE) de cometer transfobia durante seu atendimento. 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