{"id":9419,"date":"2017-01-27T20:18:45","date_gmt":"2017-01-27T23:18:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/?p=9419"},"modified":"2017-01-28T12:54:32","modified_gmt":"2017-01-28T15:54:32","slug":"para-ser-uma-pessoa-trans-ou-travesti-precisa-fazer-cirurgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/para-ser-uma-pessoa-trans-ou-travesti-precisa-fazer-cirurgia\/","title":{"rendered":"Para ser uma pessoa trans ou travesti precisa fazer cirurgia?"},"content":{"rendered":"<p>Quando nasceu, o filho da cantora Gretchen foi identificado como pertencente ao g\u00eanero feminino. Entretanto, ao crescer, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thammymiranda\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\">Thammy Miranda<\/a> mostrou que tem identifica\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero masculino. Desde ent\u00e3o passa por um processo transexualizador que engloba tratamento com horm\u00f4nios e at\u00e9 cirurgias para adequa\u00e7\u00e3o do corpo biol\u00f3gico \u00e0 \u00a0 identidade. Thammy, que \u00e9 chamado de homem trans, n\u00e3o est\u00e1 sozinho nesse processo.<\/p>\n<p>Dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em fun\u00e7\u00e3o do Dia Nacional da Visibilidade Trans que se celebra neste domingo (29), indicam que o atendimento ambulatorial para pessoas transg\u00eaneras no Brasil teve um aumento de 32% entre 2015 e 2016. No ano passado, foram feitas 4.467 consultas. J\u00e1 em 2015 foram 3.388. As mudan\u00e7as corporais atrav\u00e9s de cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual (popularmente chamada de mudan\u00e7a de sexo) tamb\u00e9m tiveram um crescimento: 34 pessoas fizeram o procedimento em 2016 contra 23 em 2015.<\/p>\n<p>E para ser uma pessoa trans precisa fazer cirurgia? A m\u00e9dica endocrinologista Luciana Barros Oliveira, que est\u00e1 \u00e0 \u00a0 frente do projeto de cria\u00e7\u00e3o do ambulat\u00f3rio transexualizador do Hospital Universit\u00e1rio Professor Edgard Santos (Hupes), explica que a pessoa transexual n\u00e3o precisa necessariamente passar por procedimentos cir\u00fargicos para ter sua identidade definida como homem trans, mulher trans ou travesti.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma \u00e1rea de estudos que tem muita mudan\u00e7a. Se voc\u00ea pegar as defini\u00e7\u00f5es tradicionais a transexualidade \u00e9 uma quest\u00e3o de reconhecimento de identidade e teoricamente indicaria a obrigatoriedade de fazer cirurgias. Mas, nos entendimentos de hoje, uma pessoa que se identifique com o g\u00eanero oposto ao que foi identificada ao nascer \u00e9 transexual mesmo que n\u00e3o fa\u00e7a nenhuma cirurgia. Contudo, a maior parte das pessoas trans e travestis fazem o acompanhamento hormonal\u009d, ressalta.<\/p>\n<p>Por cinco anos, a trans feminina Paulett Furac\u00e3o juntou silenciosamente dinheiro para realizar o sonho de poder se olhar no espelho e se enxergar como realmente ela \u00e9. Foram R$ 10 mil, reunidos com muito sacrif\u00edcio, para fazer a cirurgia de adequa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero nas mamas. Quando me olhei no espelho nem acreditei de tanta emo\u00e7\u00e3o. Sinto que o esp\u00edrito est\u00e1 voltando para o corpo\u009d, conta Paulett, que \u00e9 do bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador.<\/p>\n<p>Estudante de pedagogia e homem trans, Tito Carvalhal ressalta que h\u00e1 muitas pol\u00eamicas e questionamentos envolvendo as cirurgias para pessoas trans por press\u00f5es da sociedade. A gente escuta os mais diversos discursos sobre isso. Quando voc\u00ea fala que quer fazer interven\u00e7\u00e3o e se hormonizar as pessoas v\u00eam com um discurso camuflado de cuidado com a sa\u00fade dizendo que pode ser arrepender e que \u00e9 uma mutila\u00e7\u00e3o do corpo. Mas, ao mesmo tempo uma pessoa cis (que se identifica com o g\u00eanero atribu\u00eddo ao nascer) pode fazer qualquer altera\u00e7\u00e3o no corpo que \u00e9 super de boa\u009d.<\/p>\n\n\t\t\t<style type='text\/css'>\n\t\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\t\twidth: 49.99%;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-9419 gallery-columns-2 gallery-size-medium file'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"199\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina-199x300.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina-199x300.jpg 199w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina.jpg 678w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina-97x146.jpg 97w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina-33x50.jpg 33w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/2701_Mais_Especial-trans_Paulett-Furac\u00e3o-no-Nordeste-de-Amaralina-50x75.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tPaulette fez adequa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero nas mamas\nFoto: Jorge Gauthier\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2-200x300.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2-97x146.jpg 97w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2-33x50.jpg 33w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2-50x75.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tito2.jpg 493w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tTito defende a liberdade do corpo Foto: Imas Pareira\/Divulga\u00e7\u00e3o\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t\t<\/div>\n\n<p><strong>Processo transexualizador<\/strong><br \/>\nDe acordo com o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulat\u00f3rio de Transtornos de Identidade de G\u00eanero e Orienta\u00e7\u00e3o Sexual do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) em S\u00e3o Paulo, a chamada transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a pela qual a pessoa trans passa. O final do processo pode ser, em alguns casos, a cirurgia de transgenitaliza\u00e7\u00e3o ou redesigna\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o tem diferen\u00e7a no tempo de tratamento e acompanhamento entre homem e mulher trans. O conselho Federal de medicina tem uma resolu\u00e7\u00e3o e a portaria do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) estabelece o acompanhamento por, no m\u00ednimo, dois anos antes de liberar a pessoa para fazer a cirurgias [pagas pelo minist\u00e9rio]. \u00c9 muito raro o paciente ficar s\u00f3 dois anos e ir para cirurgia. Geralmente, pelo restrito n\u00famero de acontecimentos cir\u00fargico, as pessoas esperam 5 ou 10 anos. O n\u00famero \u00e9 muito pequeno\u009d. No estado de S\u00e3o Paulo s\u00e3o 24 novas cirurgias por ano. E a gente tem uma fila de quase 600 pacientes.<\/p>\n<p>Apesar do SUS oferecer as cirurgias s\u00f3 h\u00e1 9 ambulat\u00f3rios no Brasil onde s\u00e3o feitos os procedimentos o que leva muitas pessoas trans \u00e0 \u00a0 clandestinidade e riscos durante os procedimentos. Eu injetei silicone industrial no meu corpo durante muitos anos de forma clandestina. Infelizmente n\u00e3o tive dinheiro para fazer isso de forma assistida por um profissional e acabei ficando com v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es. Eu sobrevivi, mas tenho v\u00e1rias amigas que morreram tentando deixar o corpo do jeito que elas queriam&#8221;, conta uma travesti, que prefere n\u00e3o ter o nome divulgado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9492\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-1024x543.jpg\" alt=\"ID-TRANS_2701171\" width=\"1024\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-1024x543.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-300x159.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-768x407.jpg 768w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-260x138.jpg 260w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-50x27.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701171-141x75.jpg 141w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\n<strong> Solidariedade<\/strong><br \/>\nAs amigas Veridiana Melo Ribeiro e Cibelle de Oliveira Montini fizeram, nos anos 2000, a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual [popularmente conhecida como mudan\u00e7a de sexo]. Desde ent\u00e3o elas s\u00e3o sempre acionadas por outras mulheres que desejam fazer o mesmo procedimento. Motivadas pelo tempo de espera na fila para conclus\u00e3o do procedimento &#8211; em alguns casos at\u00e9 dez anos &#8211; elas tiveram a ideia de criar um grupo para ajudar a realiza\u00e7\u00e3o do sonho da cirurgia.<\/p>\n<p>Chamado de Mulheres do Terceiro Mil\u00eanio (MTM), o grupo que est\u00e1 no Facebook organizou um bol\u00e3o, arrecadou R$ 45 mil e realizar\u00e1, em fevereiro, o sonho da cabeleireira Luciana Moraes, de 28 anos. Ela viajar\u00e1 para a Tail\u00e2ndia para realizar a cirurgia. &#8220;Comecei minha transi\u00e7\u00e3o com 22 anos mas sempre fui Luciana. Quando se nasce n\u00e3o \u00e9 uma escolha ser quem a gente \u00e9. Abri m\u00e3o de muitas coisas para poder ser livre e feliz&#8221;, conta Luciana, que atualmente mora em Osasco, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div id=\"attachment_9423\" style=\"width: 490px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9423\" class=\"size-full wp-image-9423\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1.jpg\" alt=\"Luciana vai para a Tail\u00e2ndia fazer a cirurgia Foto:Acervo Pessoal\" width=\"480\" height=\"722\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1.jpg 480w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1-199x300.jpg 199w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1-97x146.jpg 97w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1-33x50.jpg 33w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Luciana-Moraes-1-50x75.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><p id=\"caption-attachment-9423\" class=\"wp-caption-text\">Luciana vai para a Tail\u00e2ndia fazer a cirurgia<br \/>Foto:Acervo Pessoal<\/p><\/div>\n<p>Luciana diz que a cirurgia servir\u00e1 para &#8216;adequar o corpo \u00e0 \u00a0 alma&#8217;. &#8220;Eu esperava por esse momento h\u00e1 alguns anos e gra\u00e7as \u00e0 \u00a0 uni\u00e3o das meninas do MTM. Vou poder ter corpo alma e mente em sintonia e tamb\u00e9m em harmonia. J\u00e1 fa\u00e7o parte do grupo h\u00e1 tr\u00eas anos e mais do que o bol\u00e3o l\u00e1 tamb\u00e9m tem muita troca de experi\u00eancias das meninas que j\u00e1 passaram ou que querem passar pela cirurgia\u009d. Veridiana, uma das organizadoras do grupo ressalta que a CRS n\u00e3o se trata de est\u00e9tica, mas sim de extrema necessidade para essas mulheres que sofrem muito por essa desarmonia do corpo com a mente\u009d.<\/p>\n<p><strong>Patologiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAtualmente, o Conselho Federal de Medicina estipula 18 anos de idade com m\u00ednima para hormonioterapia (ou hormoniza\u00e7\u00e3o, como alguns profissionais preferem chamar) e 21 anos para realizar qualquer cirurgia. Diferente dos homossexuais, em geral, as pessoas trans buscam a medicina para mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico da mudan\u00e7a \u00e9 fundamental. Muitos movimentos sociais falam que diagnostico \u00e9 ligado \u00e0 \u00a0 doen\u00e7a. Mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente assim. Para qualquer interven\u00e7\u00e3o em medicina \u00e9 necess\u00e1rio diagn\u00f3stico. No diagn\u00f3stico \u201c o Cadastro Internacional de Doen\u00e7a (CID)- est\u00e1 dentro da psiquiatria. Na classifica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica americana est\u00e1 como disforia de g\u00eanero. Porque n\u00f3s, psiquiatras, temos mais proximidade com a sexualidade humana e um olhar mais apurado para diferenciar a transexualidade propriamente dita. Nunca foi visto como uma doen\u00e7a. Est\u00e1 dentro do manual, do cat\u00e1logo, mas n\u00e3o necessariamente \u00e9 uma doen\u00e7a, como tantas outras varia\u00e7\u00f5es que est\u00e3o l\u00e1 dentro. \u00c9 o caso, por exemplo, do transtorno de personalidade e das quest\u00f5es de desenvolvimento infantil: n\u00e3o s\u00e3o doen\u00e7as, s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es, assim como a transexualidade\u009d, opina Saadeh.<\/p>\n<p>No caso do homem trans, a principal cirurgia \u00e9 a mastectomia masculinizadora. A retirada de \u00f3rg\u00e3os internos pode ser importante por conta dos horm\u00f4nios. J\u00e1 a neofaloplastia, que \u00e9 a cirurgia de constru\u00e7\u00e3o do novo p\u00eanis e \u00e9 feita normalmente de forma experimental. J\u00e1 nas mulheres trans, as mais comuns s\u00e3o as pl\u00e1sticas mam\u00e1rias, inclus\u00e3o da pr\u00f3tese de silicone e a tireoplastia (cirurgia que permite a mudan\u00e7a no timbre da voz).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9493\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-1024x581.jpg\" alt=\"ID-TRANS_2701172\" width=\"1024\" height=\"581\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-1024x581.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-768x436.jpg 768w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-257x146.jpg 257w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-50x28.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ID-TRANS_2701172-132x75.jpg 132w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><strong>Atendimento p\u00fablico<\/strong><br \/>\nEm nota, o MS informou que ampliou a assist\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o trans e travesti em todo Brasil, com a habilita\u00e7\u00e3o de quatro novos servi\u00e7os ambulatoriais em janeiro deste ano. Com isso, o Brasil passou a contar com nove centros que ofertam procedimentos como terapia hormonal e acompanhamento dos usu\u00e1rios em consultas e no pr\u00e9 e p\u00f3s-operat\u00f3rio. Dos nove centros, cinco oferecem cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual, chamada popularmente de mudan\u00e7a de sexo.<\/p>\n<p>O SUS realiza desde 2008 cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o sexual (portaria GM\/MS n\u00ba 1.707, de 18 de agosto de 2008) para a popula\u00e7\u00e3o transexual. O processo de transexualiza\u00e7\u00e3o envolve uma s\u00e9rie de procedimentos de sa\u00fade que v\u00e3o desde acompanhamento psicol\u00f3gico, terapia hormonal at\u00e9 a cirurgia em si, se o paciente desejar fazer\u009d, informou o MS, em nota enviada ao Me Salte.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/identidadetrans\/\" target=\"_blank\"><strong>Acesse o conte\u00fado completo do especial Identidade Trans<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Desafios do servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nCoordenador da promo\u00e7\u00e3o da equidade e sa\u00fade da Diretoria de Gest\u00e3o do Cuidado da Secretaria da Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab), Ant\u00f4nio da Purifica\u00e7\u00e3o, explica que o ambulat\u00f3rio transexualizador em Salvador &#8211; que tinha previs\u00e3o de entrar em opera\u00e7\u00e3o no final do ano passado &#8211; s\u00f3 deve ficar pronto em mar\u00e7o para atender \u00e0 \u00a0s diretrizes e exig\u00eancias do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS).<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio funcionar\u00e1 no Complexo Hospitalar Professor Edgard Santos (Hupes) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que recebeu em outubro do ano passado, a autoriza\u00e7\u00e3o da Sesab para se habilitar para fazer os atendimentos. Na pr\u00f3xima semana vamos apresentar para o MS a \u00faltima das exig\u00eancias que eles pediram que \u00e9 a de criar um fluxo de atendimento para a popula\u00e7\u00e3o trans &#8211; homens e mulheres &#8211; e travestis de todo estado. Tudo indica que teremos um esquema de marca\u00e7\u00e3o que as pessoas do interior do estado n\u00e3o precisar\u00e3o vir para Salvador para marcar as consultas e atendimentos\u009d, explica Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>A habilita\u00e7\u00e3o do Hupes \u00e9 para fazer todas as cirurgias poss\u00edveis em pessoas trans e travestis. Vai ter uma fila e um processo de regula\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 sendo estudado que outros hospitais do estado tamb\u00e9m possam fazer essas cirurgias\u009d, adianta Ant\u00f4nio. Ele explica que, depois de instalado o laborat\u00f3rio, as pessoas j\u00e1 poder\u00e3o fazer as reposi\u00e7\u00f5es hormonais, mas quem pretender fazer cirurgias ter\u00e1 que esperar um pouco. Pelas diretrizes do MS quem quiser fazer qualquer tipo de cirurgia (ver ilustra\u00e7\u00e3o) deve seguir um protocolo cl\u00ednico que exige um acompanhamento de dois anos\u009d, ressalta.<\/p>\n<p>Esse ponto da norma do MS \u00e9 questionado por organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais pois, para a libera\u00e7\u00e3o da cirurgia pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 exigido que haja um C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7a (CID) que classifica a transexualidade como transexualismo\u009d e identifica como sendo um transtorno psiqui\u00e1trico\u009d.\u00c2\u00a0Segundo o t\u00e9cnico da Sesab, atualmente, h\u00e1 um atendimento ambulatorial em Salvador que funciona como assist\u00eancia aos tratamentos hormonais. O atendimento acontece no Centro Especializado em Diagn\u00f3stico, Assist\u00eancia e Pesquisa (Cedap), no Garcia, e oferece al\u00e9m do tratamento hormonal o servi\u00e7o social, m\u00e9dico, psicol\u00f3gico e endocrinologista\u009d.<\/p>\n<p><strong>Cuidar para acolher<br \/>\n<\/strong>Respons\u00e1vel pelo projeto-piloto que oferece atendimento cl\u00ednico e gratuito a transexuais e travestis no 14\u00ba Centro de Sa\u00fade M\u00e1rio Andr\u00e9a, nas Sete Portas, o m\u00e9dico Fernando Meira ressalta que muitos profissionais de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam tato para lidar com pessoas que n\u00e3o sigam a l\u00f3gica bin\u00e1ria estabelecida pela sociedade, o que prejudica os cuidados dessas pessoas e acesso \u00e0 \u00a0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Hoje existe a classifica\u00e7\u00e3o internacional de doen\u00e7as que ainda usa o termno trasnsexualismo como sin\u00f4nimo de transtrornos psiqui\u00e1tricos. os movimentos sociais lutam para despatologizar o termo. A sugest\u00e3o \u00e9 trocar o uso de transexualismo e colocar outras identidades de g\u00eanero no cap\u00edtulo do c\u00f3digo que fala de \u02dcoutras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade\u2122. Com rela\u00e7\u00e3o aos cuidados de sa\u00fade, fazendo uma compara\u00e7\u00e3o a transexualidade \u00e9 como se fosse uma pessoa gr\u00e1vida. N\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a, mas exige cuidados espec\u00edficos\u009d, esclarece.<\/p>\n<p>Para oferecer um atendimento humanizado e especializado \u00e0 \u00a0s pessoas trans e travestis, Fernando \u00e9 o respons\u00e1vel pelo projeto Atendimento Cl\u00ednico Transa\u00fade que atende trans e travestis todas \u00e0 \u00a0s sextas-feiras. Oferecemos na estrutura do posto, com uma estagi\u00e1ria de Psicologia rodas de conversa e encontros entre pessoas trans e travestis. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o atendimento cl\u00ednico no n\u00edvel da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. A maioria das demandas s\u00e3o para orienta\u00e7\u00f5es de usos de horm\u00f4nios, avalia\u00e7\u00f5es p\u00f3s-operat\u00f3rias, procedimentos ginecol\u00f3gicos para homens e mulheres trans al\u00e9m de travestis\u009d. As marca\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas atrav\u00e9s do e-mail: <a href=\"http:\/\/atendimentoclinicotransaude@gmail.com\" target=\"_blank\">atendimentoclinicotransaude@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><strong>Veja abaixo a lista dos lugares no Brasil que atualmente est\u00e3o habilitados para realizar os atendimentos ambulatoriais. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade os atendimentos nesses locais s\u00e3o para qualquer pessoa de qualquer estado do Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Porto Alegre<br \/>\nEndere\u00e7o:\u00c2\u00a0Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre &#8211; Universidade Federal do Rio Grande do Sul\/ Porto Alegre (RS) &#8211; Atendimento ambulatorial e hospitalar. \u00c2\u00a0Telefone: (51) 3308-6000<\/p>\n<p>Rio de Janeiro<br \/>\nEndere\u00e7o: Universidade Estadual do Rio de Janeiro &#8211; HUPE Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto\/ Rio de Janeiro (RJ). Atendimento ambulatorial e hospitalar. Telefone: (21) 2868-8000<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<br \/>\nEndere\u00e7o:\u00c2\u00a0Hospital de Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina FMUSP\/Funda\u00e7\u00e3o Faculdade de Medicina MECMPAS \u201c S\u00e3o Paulo\/SP &#8211; Atendimento ambulatorial e hospitalar. Telefone:\u00c2\u00a0(11) 3061-7000<\/p>\n<p>Goi\u00e2nia<br \/>\nEndere\u00e7o: Hospital das Clinicas &#8211; Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal de Goi\u00e1s\/ Goi\u00e2nia (GO) &#8211; Atendimento ambulatorial e hospitalar. Telefone:\u00c2\u00a0(62) 3269-8200<\/p>\n<p>Recife<br \/>\nHospital das Cl\u00ednicas\/Universidade Federal de Pernambuco\/Recife\/PE &#8211; Atendimento ambulatorial e\u00c2\u00a0\u00c2\u00a0hospitalar. Telefone: (81) 2126-3633<br \/>\nRio de Janeiro<br \/>\nInstituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE) &#8211; atendimento ambulatorial. Telefone:\u00c2\u00a0(21) 2332-7159<\/p>\n<p>Uberl\u00e2ndia<br \/>\nHospital das Cl\u00ednicas de Uberl\u00e2ndia &#8211; atendimento ambulatorial. Telefone:\u00c2\u00a0(34) 3218-2111<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<br \/>\nCentro de Refer\u00eancia e Treinamento (CRT) DST\/AIDS &#8211; Telefone (11) 5087-9911<\/p>\n<p>Curitiba -\u00c2\u00a0Centro de Pesquisa e Atendimento para Travestis e Transexuais (CPATT) do Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano- atendimento ambulatorial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando nasceu, o filho da cantora Gretchen foi identificado como pertencente ao g\u00eanero feminino. Entretanto, ao crescer, Thammy Miranda mostrou que tem identifica\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[901,902],"tags":[916,917,903,50],"class_list":["post-9419","post","type-post","status-publish","format-image","hentry","category-especiais","category-identidadetrans","tag-cirurgia","tag-crd","tag-identidade-trans","tag-trans","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9419"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9495,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9419\/revisions\/9495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}