{"id":7235,"date":"2016-10-11T07:35:41","date_gmt":"2016-10-11T10:35:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/?p=7235"},"modified":"2016-10-10T15:52:29","modified_gmt":"2016-10-10T18:52:29","slug":"liberdade-de-genero-nova-serie-do-canal-gnt-mostra-a-vida-de-pessoas-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/liberdade-de-genero-nova-serie-do-canal-gnt-mostra-a-vida-de-pessoas-trans\/","title":{"rendered":"Liberdade de G\u00eanero: nova s\u00e9rie do canal GNT mostra a vida de pessoas trans"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto: Laura Fernandes*<\/em><\/p>\n<p>Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse falava: quero ser uma mulher, que nem minha m\u00e3e e minha irm\u00e3\u009d. A fala da youtuber Amanda Guimar\u00e3es, 28 anos, talvez soe diferente quando o leitor souber que a jovem do Rio Grande do Sul foi identificada ao nascer como pertencente ao g\u00eanero oposto ao que ela tem como identidade.<\/p>\n<p>Era muito estranho olhar no espelho e n\u00e3o me reconhecer\u009d, revela Amanda no primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Liberdade de G\u00eanero, que estreia dia 19, \u00e0 \u00a0s 21h30, no canal GNT. O programa vai ao ar todas as quartas e seus dez epis\u00f3dios t\u00eam dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Jardim, tamb\u00e9m respons\u00e1vel por s\u00e9ries como Amores Livres, Compuls\u00e3o e Fam\u00edlia \u00c9 Fam\u00edlia. Essa \u00faltima, inclusive, teve nova temporada anunciada por Jo\u00e3o para 2017.<\/p>\n<p>Uma das 14 pessoas entrevistadas em Liberdade de G\u00eanero, Amanda exp\u00f5e a dif\u00edcil trajet\u00f3ria que enfrentou at\u00e9 se transformar em uma mulher transexual articulada, confiante e fen\u00f4meno na internet, com um canal no YouTube que ultrapassa 300 mil assinantes e 1,5 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Casada, radicada em Hong Kong, na China, e com seu primeiro livro lan\u00e7ado, Amanda conta que nem tudo s\u00e3o flores. Na s\u00e9rie documental de Jo\u00e3o Jardim, ela volta para a casa da m\u00e3e no interior de Gravata\u00ed e relembra a inf\u00e2ncia, quando corria pela sala de casa com uma cal\u00e7a na cabe\u00e7a, para fingir que tinha cabelo grande.<\/p>\n<p>Em depoimentos tranquilos, bem resolvidos e impactantes, Amanda comenta o momento inicial de nega\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia que hoje a apoia e relembra os olhares, as risadinhas e as piadas preconceituosas enfrentadas na escola e nas ruas, al\u00e9m de contar para as c\u00e2meras como se descobriu uma mulher.<\/p>\n<div id=\"attachment_7238\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7238\" class=\"wp-image-7238 size-large\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-1024x576.jpg\" alt=\"Document\u00e1rio\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-260x146.jpg 260w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-50x28.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Document\u00e1rio-133x75.jpg 133w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-7238\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Mulher heterossexual<\/strong><br \/>\nFizeram um teste comigo: pegaram um moletom do Mickey, outro da Minnie e me perguntaram qual eu queria. Com 5 anos, como sempre gostei de rosa, claro que me agarrei no da Minnie. A\u00ed me disseram \u02dcn\u00e3o, tu n\u00e3o pode pegar esse moletom! Esse moletom \u00e9 de menina, tu \u00e9 menino e vai ter que usar esse aqui\u2122. Da\u00ed eu desabei no choro e foi a\u00ed que veio o primeiro pensamento de n\u00e3o, eu n\u00e3o sou uma menina\u009d, conta.<\/p>\n<p>De repente, Amanda entendeu que tinha algo diferente em sua vida e o contato com a internet revelou um outro mundo onde talvez pudesse se encaixar. Putz! Sinto atra\u00e7\u00e3o por meninos, ent\u00e3o devo ser um menino gay!\u009d, constatou na \u00e9poca. Mas tem alguma coisa errada, porque n\u00e3o consigo me ver ficando com um menino, sendo um menino&#8230;\u009d, percebia Amanda. Nesse per\u00edodo, ela revela que \u00e0 \u00a0s vezes fazia xixi s\u00f3 uma vez por dia para evitar ter contato com seu pr\u00f3prio p\u00eanis.<\/p>\n<p>Amanda n\u00e3o \u00e9 gay, ela \u00e9 uma mulher heterossexual. Ent\u00e3o, ela n\u00e3o se aceitava no corpo de homem e essa condi\u00e7\u00e3o de homossexual para ela n\u00e3o funcionava\u009d, relata a irm\u00e3 de Amanda, a professora Melissa Borges, durante o epis\u00f3dio de estreia de Liberdade de G\u00eanero.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegar no dia em que Amanda decide viajar sozinha para fazer sua cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual na Tail\u00e2ndia, no continente asi\u00e1tico, a s\u00e9rie narra toda a hist\u00f3ria da youtuber atrav\u00e9s de depoimentos dela e da fam\u00edlia, com quem nutre uma rela\u00e7\u00e3o amorosa e equilibrada.<\/p>\n<p>A gente pegou momentos cotidianos, tentou documentar a inser\u00e7\u00e3o dessas pessoas trans dentro das fam\u00edlias delas. Todas t\u00eam rela\u00e7\u00f5es afetivas s\u00f3lidas, s\u00e3o bem amadas, fugindo do estere\u00f3tipo das pessoas trans\u009d, destaca o diretor Jo\u00e3o Jardim, 52, cuja carreira cinematogr\u00e1fica inclui filmes como Get\u00falio (2014), Lixo Extraordin\u00e1rio (2010) e Janela da Alma (2001).<\/p>\n<p>Isso faz muita diferen\u00e7a, porque o mundo \u00e9 hostil com os homens e mulheres trans e se voc\u00ea volta para casa e \u00e9 aceito, respeitado, fica muito mais f\u00e1cil lidar com esse mundo. Esse acolhimento \u00e9 muito importante para essas pessoas descobrirem quem elas s\u00e3o\u009d, opina Jo\u00e3o, ao contar que o equil\u00edbrio emocional guiou a sele\u00e7\u00e3o dos 14 personagens que s\u00e3o entrevistados em Liberdade de G\u00eanero.<\/p>\n<p><strong>Nem homem, nem mulher<\/strong><br \/>\nOutras hist\u00f3rias marcantes costuram a s\u00e9rie, como a de Liniker, 21, vocalista da banda paulista Liniker e Os Caramelows. Al\u00e9m de preferir ser tratado no artigo feminino, Liniker define seu g\u00eanero como fluido, n\u00e3o bin\u00e1rio (nem homem, nem mulher) e conta que usa maquiagem e roupas femininas porque \u00e9 assim que se sente bem.<\/p>\n<p>J\u00e1 o funcion\u00e1rio p\u00fablico cearense Sillvio L\u00facio, 52, nasceu mulher e h\u00e1 12 anos se identifica como homem trans. Casado h\u00e1 16 anos com uma mulher, que acompanhou sua transi\u00e7\u00e3o, diz que n\u00e3o se definiu homem trans antes por pura falta de conhecimento. Sempre me senti diferente e foi conhecendo a hist\u00f3ria de outras pessoas que eu me identifiquei\u009d, conta Sillvio.<\/p>\n<p>Outra entrevistada que se destaca \u00e9 a psicanalista e escritora Let\u00edcia Lanz, 64, que mora em Curitiba e \u00e9 casada h\u00e1 40 anos com uma mulher. M\u00e3e de tr\u00eas filhos e tr\u00eas netos, Let\u00edcia conta que s\u00f3 fez a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ap\u00f3s 30 anos de casamento, quando um infarto a fez assumir sua identidade.<\/p>\n<p>Nasci macho, sempre quis ser mulher e gosto de mulher. Ent\u00e3o eu era uma aberra\u00e7\u00e3o at\u00e9 para o gueto. N\u00e3o me incluo nem como homem, nem como mulher, nem como trans. Eu sou Let\u00edcia Lanz, uma constru\u00e7\u00e3o de mim mesma\u009d, diz com tranquilidade. Outra coisa: eu n\u00e3o nasci no corpo errado, eu nasci na sociedade errada. Meu corpo est\u00e1 certo\u009d, completa a psicanalista.<\/p>\n<p>Essa s\u00e9rie \u00e9 realmente muito diferente. Ela \u00e9 mais revolucion\u00e1ria\u009d, ressalta Jo\u00e3o Jardim, ao comparar Liberdade de G\u00eanero com suas outras s\u00e9ries, respons\u00e1veis por abordar temas como as novas configura\u00e7\u00f5es familiares, os novos tipos de amor (como o poliamor) e as compuls\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Aceita\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nG\u00eanero que marca a nova s\u00e9rie de Jo\u00e3o Jardim, o document\u00e1rio permite que o entrevistado conte sua hist\u00f3ria sem intermedia\u00e7\u00f5es. Ali voc\u00ea tem uma primeira pessoa contanto como \u00e9 esse processo de aceita\u00e7\u00e3o f\u00edsica, psicol\u00f3gica e afetiva\u009d, explica o diretor. Existe a m\u00e3o do diretor, mas cada um conta sua hist\u00f3ria, sem um rep\u00f3rter traduzindo aqueles universos\u009d, completa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Jo\u00e3o refor\u00e7a que a ideia de Liberdade de G\u00eanero \u00e9 sair da vis\u00e3o superficial e mergulhar na rotina dessas pessoas transg\u00eanero, para que se entenda a realidade delas e se conhe\u00e7a como s\u00e3o inclu\u00eddas na sociedade. Essa s\u00e9rie aproxima essas pessoas de n\u00f3s mesmos. Essa pessoa \u00e9 igual a mim, a qualquer um de n\u00f3s, s\u00f3 que ela \u00e9 transg\u00eanera, ela n\u00e3o \u00e9 uma doente\u009d, pontua.<\/p>\n<p>Afinal, essas quest\u00f5es est\u00e3o em cada vez mais em pauta porque a sociedade est\u00e1 se revisando, ou por que est\u00e1 cada vez mais conservadora? As duas coisas\u009d, responde Jo\u00e3o, ao afirmar que existe uma revolu\u00e7\u00e3o provocada pelas redes sociais &#8211; que permite que as pessoas tenham voz e encontrem espa\u00e7o &#8211; e uma rea\u00e7\u00e3o conservadora a tudo isso.<\/p>\n<p>Como tem mais gente indo para esses lugares, vira uma amea\u00e7a. Mas o importante de abordar esses temas \u00e9 dar uma normalidade para eles, tirar a aura de que podem ser uma amea\u00e7a. Os interesses t\u00eam que ser debatidos\u009d, defende.<\/p>\n<p><strong>Veja um trecho da s\u00e9rie:<\/strong><\/p>\n<p><em><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: none; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fcanalgnt%2Fvideos%2F1554749561218075%2F&amp;show_text=0&amp;width=400\" width=\"400\" height=\"400\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/em><\/p>\n<p><em>*Texto publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o impressa do jornal CORREIO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Laura Fernandes* Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse falava: quero ser uma mulher, que nem minha m\u00e3e e minha irm\u00e3\u009d. 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