{"id":5331,"date":"2016-07-12T08:37:59","date_gmt":"2016-07-12T11:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/?p=5331"},"modified":"2016-07-12T09:22:10","modified_gmt":"2016-07-12T12:22:10","slug":"corpo-de-produtor-de-eventos-gay-morto-em-ataque-homofobico-sera-enterrado-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/corpo-de-produtor-de-eventos-gay-morto-em-ataque-homofobico-sera-enterrado-hoje\/","title":{"rendered":"Corpo de produtor de eventos gay morto em ataque homof\u00f3bico ser\u00e1 enterrado hoje"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Thais Borges e Jorge Gauthier<\/em><\/p>\n<p>L\u00e9o foi mais um. Mais um para aumentar a lista de homossexuais mortos este ano, que s\u00f3 cresce. Mais um que saiu de casa para ser agredido. Mais um que n\u00e3o vai voltar para a fam\u00edlia. Mais um para deixar os baianos chocados hoje e, como quase sempre ocorre, ser esquecido amanh\u00e3.<\/p>\n<p>O promotor de eventos Leonardo Santiago Moura, 30 anos, o L\u00e9o, morreu ontem, no Hospital Geral do Estado (HGE), depois de passar dois dias internado. Ele deu entrada na unidade pela primeira vez na manh\u00e3 de s\u00e1bado, depois de ser espancado no Rio Vermelho \u201d uma das principais suspeitas \u00e9 de que tenha sido v\u00edtima de ataque homof\u00f3bico.<\/p>\n<p>Mais tarde, por volta das 10h, deixou o hospital. S\u00f3 que n\u00e3o estava bem. Horas depois, com queixa de dores e v\u00f4mitos, voltou \u00e0 \u00a0 unidade: foi imediatamente para o centro cir\u00fargico. Na opera\u00e7\u00e3o, perdeu um rim. J\u00e1 na madrugada de ontem, segundo o boletim do posto policial do HGE, L\u00e9o teve dispneia \u201d que \u00e9 a dificuldade para respirar. Morreu ap\u00f3s uma parada cardiorrespirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Oficialmente, a pol\u00edcia diz que n\u00e3o descarta hip\u00f3teses \u201d inclusive porque o celular do produtor de eventos n\u00e3o foi encontrado com ele. Contudo, outros pertences, como os \u00f3culos, o rel\u00f3gio e a carteira de identidade de L\u00e9o n\u00e3o foram levados. Para a fam\u00edlia, trata-se de um crime de \u00f3dio, motivado por homofobia.<\/p>\n<p>L\u00e9o n\u00e3o fazia mal a ningu\u00e9m. N\u00e3o d\u00e1 para viver dessa forma, sabendo que nossos familiares podem n\u00e3o voltar para casa porque s\u00e3o gays, porque s\u00e3o negros, porque s\u00e3o mulheres\u009d, desabafou a prima, a designer de interiores Adriana Moura, 35.<\/p>\n<p><strong>Cronologia<\/strong><br \/>\nPor volta das 5h30 de s\u00e1bado, L\u00e9o saiu da boate San Sebastian com um amigo. Os dois iam para dire\u00e7\u00f5es opostas \u201d o amigo para Itapu\u00e3, L\u00e9o para a Barra, onde morava \u201d e o produtor seguiu andando pela Rua da Paci\u00eancia, na orla do bairro. Mais tarde, a uma prima, disse que buscava um t\u00e1xi para ir para casa. Mas nunca encontrou o t\u00e1xi.<br \/>\nEm algum momento dessa caminhada, L\u00e9o sofreu o ataque. S\u00f3 foi encontrado por volta das 8h, por um pescador, ca\u00eddo na praia, nas proximidades do restaurante Sukiyaki \u201d que fica a cerca de 800 metros da boate e a 200 metros do Centro Municipal de Refer\u00eancia e Atendimento LGBT. N\u00e3o sabemos como foi o ataque, mas ele foi socorrido por pessoas que estavam passando\u009d, contou o primo de Leonardo, Paulo Issami.<\/p>\n<p>Segundo a pol\u00edcia, o pescador ligou para o Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia (Samu), que socorreu o produtor e o levou at\u00e9 o HGE. L\u00e1, uma m\u00e9dica pediu tomografias, mas ele recusou o atendimento. Foi liberado ap\u00f3s assinar um termo de responsabilidade. Ele estava muito tonto, muito confuso. Teve alguma diverg\u00eancia com a m\u00e9dica, porque achou que o atendimento demorou\u009d, disse a prima dele, Carolina Moura.<\/p>\n<p>L\u00e9o foi, ent\u00e3o, para casa. N\u00e3o lembrava de nada ap\u00f3s ter sa\u00eddo para procurar o t\u00e1xi. Mas era vis\u00edvel que ele tomou pancada. Ele sentia dores no abd\u00f4men, tinha po\u00e7as de sangue nos olhos. A gente vai levantar a bandeira com todo movimento LGBT, porque isso \u00e9 inadmiss\u00edvel\u009d, comentou Carolina.<\/p>\n<p>Nas poucas horas em que esteve l\u00facido ap\u00f3s o ataque, n\u00e3o entendia o motivo de ter sido agredido. De acordo com a tia dele, Vera Moura, 58, L\u00e9o chegou a dar a senha do Facebook para uma das primas, para que ela vasculhasse conversas antigas e tentasse localizar at\u00e9 mesmo algum tipo de amea\u00e7a que apontasse uma resposta. Nada foi encontrado.<\/p>\n<p>\u00c0s 14h30 de s\u00e1bado, a fam\u00edlia decidiu lev\u00e1-lo de volta ao hospital, onde deu entrada \u00e0 \u00a0s 15h30. Ele estava com a barriga muito inchada. Depois, veio a not\u00edcia de que tinham precisado tirar o rim\u009d, afirmou o primo, Luan Moura, 25, que o levou ao HGE.<\/p>\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAo CORREIO, o delegado L\u00edbio Oreto, que fez o levantamento cadav\u00e9rico, disse que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar o local da agress\u00e3o. Ele pode ter sido agredido antes (da Paci\u00eancia), veio caminhando e caiu ali\u009d. A Pol\u00edcia Civil informou que a delegada Mariana Ouais, titular da 1\u00aa Delegacia de Homic\u00eddios, solicitou imagens de c\u00e2meras de estabelecimentos no trecho percorrido por L\u00e9o. O produtor de eventos morava com a av\u00f3, na Barra. Tinha acabado de ser aprovado no vestibular para Comunica\u00e7\u00e3o Social na Faculdade Social da Bahia (FSBA).<br \/>\nA m\u00e3e de L\u00e9o, N\u00e1dia Santiago, que n\u00e3o sabia que seu filho podia ser morto pela orienta\u00e7\u00e3o sexual, ir\u00e1 sepult\u00e1-lo hoje, \u00e0 \u00a0s 11h, no Campo Santo. Ontem, ela preferiu o sil\u00eancio, mas o motivo para a morte de L\u00e9o precisa de uma resposta para n\u00e3o ser mais um caso esquecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thais Borges e Jorge Gauthier L\u00e9o foi mais um. Mais um para aumentar a lista de homossexuais mortos este ano, que s\u00f3 cresce. 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