{"id":3084,"date":"2016-04-23T08:44:29","date_gmt":"2016-04-23T11:44:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/?p=3084"},"modified":"2016-04-23T14:17:20","modified_gmt":"2016-04-23T17:17:20","slug":"homem-ou-mulher-conheca-baga-de-bagaceira-ativista-de-genero-do-reconcavo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/homem-ou-mulher-conheca-baga-de-bagaceira-ativista-de-genero-do-reconcavo\/","title":{"rendered":"Homem ou mulher? Conhe\u00e7a Baga de Bagaceira, ativista de g\u00eanero do Rec\u00f4ncavo"},"content":{"rendered":"<p>Baga de Bagaceira tem 24 anos e mora em Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo baiano. Em sua vida, n\u00e3o existe a diferencia\u00e7\u00e3o entre &#8216;coisas de menino&#8217; e &#8216;de menina&#8217;. Baga vive no chamado g\u00eanero flu\u00eddo, ou seja, n\u00e3o se associa nem ao masculino nem ao feminino. Se identifica como uma pessoa trans n\u00e3o-bin\u00e1ria e faz da sua vida um enfrentamento do preconceito atrav\u00e9s de ativismo social que inclui tamb\u00e9m performances art\u00edsticas enquanto drag queen.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas s\u00e3o executadas por Baga h\u00e1 dois anos. &#8220;A drag surgiu com um desejo de inserir essa arte no interior (da Bahia) e pra que minhas irm\u00e3s (lgbts) pudessem ver um mim um potencial drag que existe nelas tamb\u00e9m&#8221;, refor\u00e7a Baga que \u00e9 ativista queer do coletivo Aquenda da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB).<\/p>\n<p>&#8220;Baga de Bagaceira surge, inconscientemente, da necessidade de n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros masculino e feminino. A n\u00e3o binariedade toma forma quando quebro os padr\u00f5es da heteronormatividade com meus trejeitos, modo de andar, falar e vestir, todos esses lidos na constru\u00e7\u00e3o social feminina e que me fazem uma pessoa queer. A fluidez, que me proponho, \u00e9 uma AFROnta aos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos. Enquanto bicha preta e afeminada, a performance que empresto a minha Drag, ao qual tem o mesmo nome, rompe com os modelos de branquitude, simetria e &#8220;perfei\u00e7\u00e3o&#8221;, ao qual se vale mais a destrui\u00e7\u00e3o, a desordem, o desconforto e a bagaceira, dentro da performatividade&#8221;, explica Baga que tem como refer\u00eancia pessoal e profissional a performer Euvira.<\/p>\n<div id=\"attachment_3085\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-3085\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3085\" class=\"size-full wp-image-3085\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/blogs\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1.jpg\" alt=\"Foto: Acervo Pessoal\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1.jpg 960w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1-219x146.jpg 219w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1-50x33.jpg 50w, https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Baga1-113x75.jpg 113w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3085\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Acervo Pessoal<\/p><\/div>\n<p><strong>Veja abaixo entrevista com Baga e entenda mais sobre g\u00eanero flu\u00eddo e ativismo:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Me Salte- Voc\u00ea disse que n\u00e3o tem identifica\u00e7\u00e3o com os g\u00eaneros masculino e feminino. Como voc\u00ea lida com a sua identidade nesse contexto?<\/strong><br \/>\n<strong>Baga de Bagaceira &#8211;<\/strong> Eu prefiro trabalhar com a fluidez, podem me chamar na flex\u00e3o masculina ou feminina, n\u00e3o me importo. Eu uso mais nos termos femininos para romper com a ideia de masculinidade e todo sua carga.<\/p>\n<p><strong>MS &#8211; Como as pessoas reagem diante das suas falas e\/ou comportamentos que fujam da heteronormatividade?<br \/>\n<\/strong><strong>BB &#8211;<\/strong> Eu gosto quando me apresento as pessoas usando s\u00edmbolos do que \u00e9 lido ao universo feminino, mas ao mesmo tempo \u00e9 interessante ver as rea\u00e7\u00f5es quando estou com comportamentos\/vestes ditos masculinos, as rea\u00e7\u00f5es se confrontam e fica a d\u00favida na cabe\u00e7a delas e o porqu\u00ea deu misturar essas roupas. Mas que na verdade, a ideia \u00e9 n\u00e3o fixar, permitindo essa modula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>MS &#8211; Voc\u00ea relatou que Baga \u00e9 uma bicha preta e afeminada. Como voc\u00ea constr\u00f3i as a\u00e7\u00f5es da sua personagem?<\/strong><br \/>\n<strong>BB &#8211;<\/strong> Ser preta e afemininada me coloca numa postura muito mais cr\u00edtica diante dos modelos intelig\u00edveis. Ent\u00e3o procuro artif\u00edcios de montagem que fujam a esse padr\u00e3o branco, higienizado, sim\u00e9trico, correto, de n\u00e3o me preocupar, por exemplo, se vou cair durante a performance ou se minha peruca estar\u00e1 nos trinque, a ideia \u00e9 ser bagaceira.<\/p>\n<p><strong>MS &#8211; Onde voc\u00ea faz as suas performances normalmente e como elas s\u00e3o? Como as pessoas reagem a elas?<\/strong><br \/>\n<strong>BB &#8211;<\/strong> Eventos, festivais, boates, semin\u00e1rios ou at\u00e9 mesmo no dia- a -dia. Estamos o tempo todo em performance, principalmente quando se pretende quebrar certos padr\u00f5es. As pessoas geralmente reagem super bem a eles e ficam espantadas com minha flexibilidade, ent\u00e3o eu &#8221;escalo&#8221; mesmo, subo na cadeira, tiro a roupa, etc.<\/p>\n<p><strong>MS &#8211; Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e como entendem Baga?<\/strong><br \/>\n<strong>BB &#8211;<\/strong> A rela\u00e7\u00e3o coma fam\u00edlia \u00e9 p\u00e9ssima, me sinto mal em lembrar o quanto sofri e eles n\u00e3o entendem a Baga.<\/p>\n<p><strong>MS &#8211; Voc\u00ea sente mais preconceito como pessoa negra ou drag?<br \/>\n<\/strong><strong>BB &#8211;<\/strong> Acho que a\u00ed est\u00e3o duas quest\u00e3o que devam se atravessar, a ra\u00e7a e a quest\u00e3o da performance no meu contexto devem ser analisadas juntas. O racismo \u00e9 perverso, imagine para uma pessoa que ainda se monta. Para a sociedade assimilar tudo isso, \u00e9 complicado: durante o dia eu sou afeminada e saio atacando a fragilidade masculina e a noite sou hipersexualizada\/fetichizada pelos mesmo que me apedrejam porque enxergam em mim um corpo de mulher. \u00c9 preciso aprender a lidar com as m\u00faltiplas sexualidades, sempre as colocando no recorte de ra\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baga de Bagaceira tem 24 anos e mora em Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo baiano. 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