{"id":23580,"date":"2022-08-18T18:36:51","date_gmt":"2022-08-18T21:36:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=23580"},"modified":"2022-08-18T18:37:00","modified_gmt":"2022-08-18T21:37:00","slug":"nininha-problematica-escreve-novas-historias-para-o-pagodao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/nininha-problematica-escreve-novas-historias-para-o-pagodao\/","title":{"rendered":"Nininha Problem\u00e1tica escreve novas hist\u00f3rias para o pagod\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Vin\u00edcius Nascimento*<br><br>Digo Santtos sempre quis ser artista. Na inf\u00e2ncia, recebeu influ\u00eancia de cantoras como Joelma, da banda Calypso, e Ivete Sangalo: ali, ainda sem saber, era plantada uma sementinha de que, mais do que artista, queria fazer arte com algo que gostava, que fizesse parte de sua vida, como o pagode. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nininha Problem\u00e1tica \u00e9 filha dessa mistura e levou o pagode para o meio drag, t\u00e3o marcado por performances \u00a0pop, com artistas como Pabllo Vittar ou Gl\u00f3ria Groove. Na semana passada, a cantoa \u00a0realizou o sonho antigo de lan\u00e7ar o seu primeiro EP: Pagodrag. Um nome que diz muita coisa.\u00a0<br>Com mais de 200 mil seguidores no Instagram, ela tem expandido suas fronteiras e ser\u00e1 uma das atra\u00e7\u00f5es da segunda rodada do festival TOCA!, que acontece no p\u00e1tio do Goethe-Institut sexta-feira (19) , e que promove a m\u00fasica autoral contempor\u00e2nea brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O EP tem cinco m\u00fasicas autorais in\u00e9ditas: Pala de Marquinha, Calend\u00e1rio, Naquele Esquema, Ao Som do Meu Berimbau e Zu\u00eara. Quem assina a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 Apache Abdala, nome conhecido &nbsp;no meio do pagode.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>&#8220;Esse EP j\u00e1 \u00e9 um sonho antigo meu, e que finalmente foi conclu\u00eddo, estou trabalhando nele desde agosto de 2021. A demora foi v\u00e1lida porque entreguei um trabalho de qualidade, unindo os dois universos que fa\u00e7o parte&#8221;<\/strong>, explica a artista.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nininha conta que, ap\u00f3s uma semana do lan\u00e7amento, a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico tem sido melhor do que imaginava. Ela &nbsp;confessa que estava com um pouco de receio antes do lan\u00e7amento. Mas levantou a cabe\u00e7a, colocou um cropped para reagir e jogou o trabalho no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nininha sabe que \u201ca vida n\u00e3o \u00e9 um morango\u201d e corpos dissidentes como o dela n\u00e3o encontram facilidade. Ela diz que o pagode \u00e9 um meio muito machista e homof\u00f3bico e quis entrar nele justamente para representar corpos e pessoas que se identificassem com ela. Afirma que quer dar destaque a um grupo maior de pessoas, para al\u00e9m do \u2018gay chaveirinho\u2019 ou da mulher como objeto de desejo e sexualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p> \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil o acesso por conta das letras extremamente heteronormativas. E eu venho contr\u00e1rio disso, com letras que exaltam a feminilidade, o orgulho de ser uma pessoa LGBTQI+\u201d, reflete Nininha, personagem criada em 2017 por Digo, justamente para representar as mulheres da favela, ou as \u2018foveiras\u2019, como ele mesmo define. <\/p>\n\n\n\n<p> A pr\u00f3pria decis\u00e3o de entrar para o pagode foi muito pensada antes de sua drag nascer. Nininha tamb\u00e9m ama o funk e o pop, mas a sua viv\u00eancia tinha muito mais dend\u00ea do que aqueles outros ritmos. \u201cA m\u00fasica baiana \u00e9 t\u00e3o rica e diversa e eu pensei \u2018porque n\u00e3o eu?\u2019 e decidi que ia lan\u00e7ar um pagod\u00e3o, misturar com o eletr\u00f4nico com o pop, fui mesclando tudo, e quando dei por mim, uma brincadeira se tornou o meu grande sonho\u201d, avalia Nininha, que tem m\u00fasicas com L\u00e9o Kret, Pepita e Miguella Magnata. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>&#8220;\u00c9&nbsp;um caminho dif\u00edcil, o pagod\u00e3o \u00e9 muito marginalizado ainda, existe um preconceito. Mas segurei na luta e no meu prop\u00f3sito, porque essa vontade de fazer o pagod\u00e3o ainda mais conhecido pulsa em mim. O Pagod\u00e3o \u00e9 o futuro&#8221;<\/strong>, resume .<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><br>&nbsp;Para o show no festival TOCA!, Nininha promete apresentar as m\u00fasicas novas pela primeira vez e revela que os bailarinos est\u00e3o ensaiando as &nbsp;coreografias para entregar a experi\u00eancia do Pagodrag com toda a excel\u00eancia e brilho que lhe s\u00e3o caracter\u00edsticos. Essa expectativa para ver o p\u00fablico cantando e dan\u00e7ando as novas m\u00fasicas causam inquieta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse primeiro momento, como t\u00e1 bem recente o lan\u00e7amento, o foco \u00e9 ensinar as letras novas e as coreografias pro p\u00fablico, que ser\u00e3o bem f\u00e1ceis pra galera poder reproduzir\u201d, garante. Al\u00e9m de Nininha, o TOCA! ter\u00e1 como atra\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o o cantor cearense Get\u00falio Abelha. Fruto dos bares e inferninhos da cena alternativa de Fortaleza, ele imprime uma &nbsp;atitude punk para seu forr\u00f3 eletr\u00f4nico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es atuais, pol\u00edticas, de g\u00eanero e cr\u00edticas ao conservadorismo est\u00e3o presentes na m\u00fasica, na dan\u00e7a e no audiovisual de Get\u00falio Abelha. Nos palcos, ele \u00e9 explos\u00e3o pura, com figurinos coloridos e impactantes, performances avassaladoras e bailarinos coreografados. Letras \u00e1cidas, tom ir\u00f4nico e cr\u00edtico fazem seu p\u00fablico dan\u00e7ar, refletir e resistir. Ou seja, Nininha e Get\u00falio s\u00e3o artistas t\u00eam trabalhos que se comunicam muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi um ponto levado em considera\u00e7\u00e3o pela curadoria do projeto, realizada pela Dimenti Produ\u00e7\u00f5es Culturais. Segundo Jorge Alencar, membro da equipe TOCA!, em todos os projetos da empresa,&nbsp;a pr\u00e1tica da curadoria \u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de potencializa\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, compreendendo que quest\u00f5es como g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, ra\u00e7a, idade e geografia&nbsp;<br>atravessam e constituem cada pessoa, influenciado suas suas a\u00e7\u00f5es e obras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO TOCA! \u00e9 motivado, principalmente, pelo desejo de propor contato a um tipo de m\u00fasica que ainda n\u00e3o est\u00e1 muito assimilada ou reconhecida pelas plateias soteropolitanas. Uma aposta no que est\u00e1 surgindo, experimentando, arriscando. Algumas das participa\u00e7\u00f5es do projeto fazem show em Salvador pela primeira vez. Assim, o TOCA! tem possibilitado uma aproxima\u00e7\u00e3o com a cidade e seus p\u00fablicos. Um convite ao novo\u201d, afirma &nbsp;o curador.<\/p>\n\n\n\n<p>A venda de ingressos para a edi\u00e7\u00e3o de agosto do Festival&nbsp;est\u00e1 em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sympla.com.br\/evento\/toca-apresenta-getulio-abelha-ce-e-nininha-problematica-ba\/1633642\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">segundo lote pelo Sympla<\/a>, custando R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vin\u00edcius Nascimento* Digo Santtos sempre quis ser artista. 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