{"id":22879,"date":"2021-06-28T07:47:56","date_gmt":"2021-06-28T10:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=22879"},"modified":"2021-06-25T20:12:37","modified_gmt":"2021-06-25T23:12:37","slug":"por-que-28-de-junho-e-o-dia-internacional-do-orgulho-gay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/por-que-28-de-junho-e-o-dia-internacional-do-orgulho-gay\/","title":{"rendered":"Por que 28 de junho \u00e9 o Dia Internacional do Orgulho Gay?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Marcelo Cerqueira* <br> <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos segmentos sociais t\u00eam um dia espec\u00edfico para que suas pautas sejam lembradas e celebradas.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres, por exemplo, t\u00eam o dia 8 de mar\u00e7o como uma data que marca a luta pela liberdade e contra a opress\u00e3o vivida ao longo de muitos anos. <br><br>E n\u00f3s temos o dia 28 de junho, que \u00e9 o Dia Internacional do Orgulho Gay, como ficou conhecido quando foi criado. Hoje, o Dia Internacional do Orgulho representa e re\u00fane uma comunidade muito maior de pessoas que lutam e resistem  para existir.<br><br> A data lembra o confronto com a pol\u00edcia, ocorrido em Stonewall, um bar que era ponto de encontro da comunidade LGBT+ em Greenwich Village, Nova York, onde gays, l\u00e9sbicas, drag queens e travestis se reuniam para dar pinta, paquerar e se divertir. As visitas dos policiais ao local eram sempre violentas, e eles cobravam, inclusive, como as pessoas deveriam se vestir. <\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo, aqui no Brasil: \u201cmenino veste azul, menina veste rosa\u201d, de acordo com a fil\u00f3sofa dama recatada e do lar, dona Damares. Geralmente, pessoas vestidas com roupas do g\u00eanero oposto ao seu eram detidas. Ou seja, se voc\u00ea era homem, tinha que estar vestido como tal. Roupa de macho. <\/p>\n\n\n\n<p>Foram anos de sofrimento, at\u00e9 que no dia 28 de junho de 1969, os frequentadores do bar e moradores do bairro, em apoio  ao ato, foram \u00e0s ruas da cidade, com o tema \u201cgay is good\u201d, ser gay \u00e9 bom! Esse movimento eclodiu no mundo, particularmente no ocidente, e com pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina aderindo ao chamado &#8211; exceto Cuba -, Nicar\u00e1gua, Equador, Chile, pa\u00edses que at\u00e9 recentemente tinham alguma lei que considera a homossexualidade crime. <\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, nem a Constitui\u00e7\u00e3o e nem o C\u00f3digo Penal tratam a homossexualidade como crime, mas, m\u00e9dicos forenses, a partir de 1900, formularam teses sobre a homossexualidade ser uma doen\u00e7a que poderia ser tratada. Esse assunto chega ao Brasil por diversos livros que foram traduzidos e publicados, escritos na Alemanha e na It\u00e1lia, sobre a sexualidade ser uma patologia. Inclusive os tratados de Cesare Lombroso, e sua teoria do &#8220;criminoso nato&#8221;, que inclu\u00eda a pessoa com a sexualidade aflorada como &#8220;delinquente&#8221;, contribu\u00edram para a cria\u00e7\u00e3o do estigma da homossexualidade como doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do evento de Stonewall, foram criados grupos de militantes LGBT nos EUA, na Am\u00e9rica Latina e no Brasil, em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na Bahia, em Salvador, na Rua Pau da Bandeira, em 1973, nascia a Boate Tropical, do empres\u00e1rio Marcos Melo. O clima era o mesmo de persegui\u00e7\u00e3o, como foi em Stonewall. A pol\u00edcia, sob qualquer pretexto, invadia o local, mandava acender as luzes brancas, e diziam: \u201cviados de um lado, ca\u00e7ador do outro\u201d. Olhavam para as pessoas, e simplesmente as prendiam. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que era horr\u00edvel passar por essa  humilha\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Stonewall deu in\u00edcio a um movimento de massa, que s\u00e3o as Paradas do Orgulho, que acontecem em todas as capitais brasileiras, e que \u00e9 uma forma de referenciar a data. No Brasil, o Grupo Gay da Bahia, fundado pelo decano Luiz Mott, foi quem introduziu esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o ativista.  <\/p>\n\n\n\n<p>Data de 1981, conforme consta do Boletim do Grupo (1981 \u2013 2005) esse registro: \u201cNo pr\u00f3prio dia 28 de junho, al\u00e9m de uma coletiva \u00e0 imprensa com reportagens em todos os jornais baianos, fizemos um show de variedades intitulado \u201cCheguei, sou gay\u201d, aplaudido por mais de 300 pessoas e pela cr\u00edtica, como uma das melhores apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dos \u00faltimos meses em Salvador\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p> Fizeram parte das atra\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, a cantora Sarajane e o ator Bemvindo Sequeira.  <\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos subsequentes, a celebra\u00e7\u00e3o do dia 28 de junho foi se diversificando e se tornou uma festa no mar. Foi a &#8220;Mareata Gay&#8221;, que se constitu\u00eda em um passeio de lancha ao redor do monumento Forte S\u00e3o Marcelo, na Baia de Todos Santos. Os participantes faziam dupla homenagem, ao dia e a Diogo Botelho, Governador Geral da Bahia, (1602) denunciado \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o por sodomia.  <\/p>\n\n\n\n<p>Somente em 2002, o GGB come\u00e7ou a fazer a celebra\u00e7\u00e3o no formato atual. A primeira edi\u00e7\u00e3o da Parada Gay foi em junho 2002, e reuniu 20 mil pessoas. A celebra\u00e7\u00e3o ganhou outra data aqui no Brasil, considerando o calend\u00e1rio local de eventos, e passou a ser realizada em setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora nossa Parada n\u00e3o seja em junho, M\u00eas do Orgulho, o GGB realiza, juntamente com outros coletivos e entidades do movimento LGBT+, diversas atividades para marcar a luta e a import\u00e2ncia do levante de Stonewall, e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBT+.<\/p>\n\n\n\n<p>*Professor e ativista LGBT de  Salvador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcelo Cerqueira* Muitos segmentos sociais t\u00eam um dia espec\u00edfico para que suas pautas sejam lembradas e celebradas. 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