{"id":22379,"date":"2021-02-23T10:40:21","date_gmt":"2021-02-23T13:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=22379"},"modified":"2021-02-26T22:02:59","modified_gmt":"2021-02-27T01:02:59","slug":"jean-wyllys-o-exilio-me-mantem-vivo-e-protegido-mas-e-uma-forma-de-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/jean-wyllys-o-exilio-me-mantem-vivo-e-protegido-mas-e-uma-forma-de-solidao\/","title":{"rendered":"Jean Wyllys: \u2018O ex\u00edlio me mant\u00e9m vivo e protegido, mas \u00e9 uma forma de solid\u00e3o\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Allan Nascimento e Paulo Malvezzi<\/p>\n\n\n\n<p>No Instagram, quem acompanha o perfil de Jean Wyllys j\u00e1 percebeu que nos \u00faltimos meses o ex-deputado federal tem se expressado cada vez mais por meio de desenhos. O feed anda dominado por eles, frutos da primeira express\u00e3o art\u00edstica que lhe surgiu, antes mesmo da palavra, segundo Wyllys. Hoje, os desenhos s\u00e3o uma forma de se reconectar com o menino de Alagoinhas, cidade do agreste baiano, que foi censurado por uma vida de priva\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Para o ex-deputado, os tra\u00e7os s\u00e3o um meio de n\u00e3o deixar que o autoex\u00edlio apague uma subjetividade que \u00e9 lembran\u00e7a de casa justo no momento em que precisa se manter longe. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois anos fora do Brasil, Jean Wyllys, que atualmente vive em Barcelona, na Espanha, explica em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Diadorim <\/strong>que os desenhos tamb\u00e9m s\u00e3o elementos de sua pesquisa sobre fake news. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele quer saber como outras formas de express\u00e3o, que n\u00e3o o texto, podem impactar as pessoas. Quer respostas para perguntas que, pessoalmente, lhe s\u00e3o caras: a arte tem como desarmar a turba? Consegue desarticular um ex\u00e9rcito de haters? Para quem j\u00e1 foi alvo de ataques e amea\u00e7as, responder essas quest\u00f5es \u00e9 achar o elixir da era do cancelamento. \u00c9 evitar que outras pessoas precisem buscar abrigo fora do seu pa\u00eds, longe da fam\u00edlia, dos amigos e dos companheiros de luta para sobreviver. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado de Sig, um cachorrinho que lhe faz companhia nos \u00faltimos meses, o escritor e pesquisador fala sobre pol\u00edtica, afetos e a experi\u00eancia de viver no ex\u00edlio durante uma pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos desenhos de Jean Wyllys ilustram o texto a seguir, com anima\u00e7\u00e3o feita por Tomaz Alencar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.wixstatic.com\/media\/5565e9_1d6128deb99f4fb6945b9069ced474eb~mv2.gif\" alt=\"\"\/><figcaption><strong>&#8220;O ENTERRO DA VERDADE OU A ASCENS\u00c3O DO \u00d3DIO&#8221;, Jean Wyllys, 2021<\/strong><br>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 falou em algumas entrevistas sobre a solid\u00e3o do homem gay e que, por ser uma pessoa p\u00fablica e muito alvo de ataques, ter relacionamentos \u00e9 algo um pouco dif\u00edcil para voc\u00ea, o que acaba tamb\u00e9m criando um outro tipo de solid\u00e3o na sua vida. Pensando sobre isso e tamb\u00e9m pensando sobre ex\u00edlio e, mais espec\u00edfico ainda, sobre ex\u00edlio durante uma pandemia, como tem sido sua vida nos \u00faltimos meses? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> N\u00e3o tem sido nada f\u00e1cil. Quando falo sobre a solid\u00e3o do homem gay, falo sobre uma experi\u00eancia de ser gay. Apesar de existir uma diversidade de experi\u00eancias no ser gay, tamb\u00e9m h\u00e1 muita coisa comum entre n\u00f3s, e o que nos constitui como comunidade \u00e9 justamente isso. O que h\u00e1 de comum entre n\u00f3s, lamentavelmente, vem muito da nossa experi\u00eancia com a homofobia. A homofobia produz diferentes hist\u00f3rias, mas hist\u00f3rias com pontos parecidos. E um desses pontos era, at\u00e9 muito pouco tempo atr\u00e1s, a solid\u00e3o. \u00c9 claro que essa experi\u00eancia vem mudando com as conquistas do movimento LGBTI+, alcan\u00e7adas ao longo dos anos, como o matrim\u00f4nio igualit\u00e1rio e as novas identidades de g\u00eanero. Ent\u00e3o eu falo de uma experi\u00eancia que at\u00e9 pouco tempo foi uma experi\u00eancia recorrente e muito presente na minha vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu venho da pobreza, das classes populares. Vivi uma parte da minha vida na extrema mis\u00e9ria e trabalho desde os dez anos. O \u00e9thos do trabalho sempre foi prioridade para mim, que tinha a necessidade de tirar a minha fam\u00edlia da mis\u00e9ria e, de certa forma, ocupar o lugar do meu pai, porque ele tinha problemas com alcoolismo e eu era o primeiro filho homem. Trabalhar sempre foi um imperativo na minha vida e, como diz Belchior, a minha alucina\u00e7\u00e3o era enfrentar o dia a dia, nunca foram os romances astrais [&#8230;].<\/p>\n\n\n\n<p>A fama tamb\u00e9m traz uma dimens\u00e3o de solid\u00e3o. Nunca me deixei enganar por essa coisa do ass\u00e9dio, de muita gente ao redor. Esse canto da sereia nunca me enganou, nunca me seduziu. Sempre fui p\u00e9 no ch\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o com a fama e com todas as armadilhas que ela traz. Depois disso, veio a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que tamb\u00e9m traz uma responsabilidade muito grande. A partir do momento que eu sou um homem gay e me torno um deputado federal, tenho que ter a completa responsabilidade de que n\u00e3o estou mais falando s\u00f3 por mim. Ainda que quisesse, n\u00e3o se fala s\u00f3 de si quando voc\u00ea \u00e9 uma minoria e ocupa um espa\u00e7o de poder. Isso estava claro. Tudo o que incide sobre mim incidiria sobre a comunidade da qual fa\u00e7o parte, gostasse eu ou n\u00e3o, e gostasse essa comunidade ou n\u00e3o. Eu era um representante no parlamento, o que me obrigava a ter muita responsabilidade e tamb\u00e9m me gerava mais solid\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitos homens p\u00fablicos heterossexuais brasileiros t\u00eam amantes ou mant\u00eam segundas fam\u00edlias, frequentam clubes, e isso n\u00e3o \u00e9 um problema para eles, porque o mundo \u00e9 da domina\u00e7\u00e3o masculina, da heteronormatividade. Se eu fosse visto numa sauna gay e se algu\u00e9m me filmasse, seria outra hist\u00f3ria. Sobre um homem gay, essas quest\u00f5es pesam como pesam sobre uma mulher. Uma mulher est\u00e1 sendo policiada na vida privada para que isso vire um esc\u00e2ndalo na vida p\u00fablica dela. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha essa consci\u00eancia, de que essa viv\u00eancia me trazia uma responsabilidade, algo que foi limitando minha vida. Eu n\u00e3o beijava mais na boate, como fazia antes. Por qu\u00ea? Apesar de um beijo n\u00e3o ser um problema, e eu lutava pela liberdade dos corpos, pelo direito dos corpos de se expressarem, n\u00e3o podia ser flagrado num v\u00eddeo fazendo isso porque serviria a um discurso difamat\u00f3rio. Todas as outras pessoas poderiam e deveriam fazer isso. Agora eu, como representante, at\u00e9 esse momento, n\u00e3o poderia fazer, ent\u00e3o isso foi me trazendo uma rela\u00e7\u00e3o com o mundo cada vez mais dif\u00edcil [&#8230;]. <\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed veio o ex\u00edlio, que foi muito importante porque tem me mantido protegido, me manteve vivo, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de solid\u00e3o. Foi um afastamento dos meus amigos, da minha fam\u00edlia, do meu pa\u00eds, das minhas paisagens, da minha l\u00edngua, para continuar vivo. Isso provoca uma contradi\u00e7\u00e3o. Para completar, de 2019 para 2020 a gente come\u00e7ou a viver uma pandemia. Dentro desse isolamento, dessa solid\u00e3o do ex\u00edlio, veio outra solid\u00e3o, que \u00e9 a solid\u00e3o da pandemia, de ser um homem s\u00f3, de viver s\u00f3, e a\u00ed o meu cachorrinho veio como parte desse enfrentamento. Para eu n\u00e3o ficar t\u00e3o s\u00f3, minha amiga Noemia [Boianovsky, advogada e ex-chefe de gabinete de Jean Wyllys] adotou um cachorrinho sem que eu soubesse e me mandou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea foi eleito pelo PSOL, e, durante muitos anos, foi uma figura de refer\u00eancia para a bancada do partido, que, recentemente, teve uma s\u00e9rie de disputas, inclusive publicamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrat\u00e9gia adotada para a elei\u00e7\u00e3o do presidente da C\u00e2mara. Houve at\u00e9 acusa\u00e7\u00e3o de fisiologismo. Voc\u00ea tem alguma posi\u00e7\u00e3o sobre essa quest\u00e3o t\u00e1tica? O que voc\u00ea acha que esse tipo de situa\u00e7\u00e3o diz sobre as dificuldades da esquerda de construir unidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> Eu n\u00e3o vou falar sobre o partido, porque eu estou muito tempo afastado. Sigo filiado, mas n\u00e3o tenho uma vida partid\u00e1ria \u2013 j\u00e1 n\u00e3o tinha quando era membro do partido e era deputado federal. Sempre tive um mandato muito independente da estrutura partid\u00e1ria, eu dialogava muito para fora. Meu interesse era falar com os movimentos sociais, com entidades da sociedade civil, institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, com a academia, com os artistas. N\u00e3o me interessava a disputa interna do partido, o que era ruim por um lado, do ponto de vista de que eu n\u00e3o formava uma maioria dentro do partido, n\u00e3o tinha militantes org\u00e2nicos para fazer minhas campanhas, mas, por outro lado, me dava completa autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas posi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: quando decidi entrar no segundo turno na campanha da Dilma, em 2014, para impedir que A\u00e9cio Neves e os plutocratas brasileiros vencessem as elei\u00e7\u00f5es, fiz sem consultar o partido e fiz porque era o certo na \u00e9poca. Fiz n\u00e3o porque eu esperasse um cargo do governo Dilma. N\u00e3o esperava, n\u00e3o esperei e n\u00e3o queria um cargo. \u00c9 poss\u00edvel fazer pol\u00edtica de uma maneira decente. \u00c9 poss\u00edvel fazer pol\u00edtica por princ\u00edpio. Quando voc\u00ea entra na pol\u00edtica, tem que entender que a pol\u00edtica \u00e9 uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o. E a\u00ed eu estou falando de uma imagem que Hannah Arendt traz da pol\u00edtica, que seria como uma mesa, que \u00e9, ao mesmo tempo, um espa\u00e7o de distanciamento, onde se marca posi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m re\u00fane. <\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica \u00e9 isso. Voc\u00ea n\u00e3o pode se eleger parlamentar e achar que n\u00e3o vai lidar com gente que voc\u00ea, do ponto de vista pessoal, detesta e execra. Voc\u00ea tem que lidar com essas pessoas naquele espa\u00e7o do parlamento, e, em alguns momentos, voc\u00ea precisa decidir o rumo da coletividade junto com elas, seja porque est\u00e3o entre os membros de comiss\u00f5es ou porque integram mesa diretora. A institucionalidade n\u00e3o existe sem elas. Se a gente pensar no bem da coletividade, a gente tem que sentar com elas. A\u00ed vem a distin\u00e7\u00e3o entre a boa e a m\u00e1 pol\u00edtica. Isso n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea tenha que faz\u00ea-la baseado em cargos ou vantagens pessoais, mas voc\u00ea tem que fazer pensando na coletividade [&#8230;]. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu fui uma das primeiras pessoas a se colocarem contr\u00e1rias ao que estava sendo tramado contra a [ex-presidente] Dilma [Rousseff (PT)]. Eu era oposi\u00e7\u00e3o ao PT, fazia pol\u00edtica de oposi\u00e7\u00e3o ao PT no Parlamento, mas quando percebi que o golpe ia ser perpetrado, o certo era estar do lado dela. E n\u00e3o precisei ter nada em troca para isso. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sensoincomum.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/wyllys-dilma-1024x683.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption><strong>Dilma Rousseff e Jean Wyllys <\/strong>(Ichiro Guerra\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um momento como o atual \u2013 em que a gente tem mais de 230 mil mortos e uma nova variante da Covid-19, com o isolamento internacional do pa\u00eds, com o fascismo crescendo nos espa\u00e7os \u2013, exige uma grande responsabilidade que envolve se colocar ao lado do que \u00e9 melhor para a coletividade, ainda que n\u00e3o seja o melhor para mim, para minha biografia, para o meu partido. O que \u00e9 melhor para as pessoas neste momento? Como eu posso fazer isso deixando claro para as pessoas [o que acho]? N\u00e3o \u00e9 endossar mau-caratismo, mas entender o que \u00e9 melhor para a defesa da institucionalidade da na\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um pouco do meu pensamento. Pol\u00edtica \u00e9 algo s\u00e9rio a se fazer, e \u00e9 poss\u00edvel fazer pol\u00edtica com dec\u00eancia. Sei que o sistema muitas vezes, ou quase sempre, nos derruba, trama golpes, levanta traidores, nos prende injustamente \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, nos manda ao ex\u00edlio e nos executa. <\/p>\n\n\n\n<p>Dilma, uma mulher decente, foi derrubada por esse sistema, mas Dilma n\u00e3o deixou de fazer pol\u00edtica; Lula \u00e9 o melhor presidente que o Brasil j\u00e1 teve, mas teve que negociar com figuras execr\u00e1veis das oligarquias pol\u00edticas e das elites brasileiras, e ele, que fez essa grande pol\u00edtica, foi preso; eu estou no ex\u00edlio, como [a fil\u00f3sofa] M\u00e1rcia Tiburi e [a antrop\u00f3loga] D\u00e9bora Diniz tamb\u00e9m est\u00e3o; e [a vereadora] Marielle Franco foi executada, como [o ambientalista] Chico Mendes foi executado. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer pol\u00edtica, mas a pol\u00edtica n\u00e3o pode ser abandonada. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.wixstatic.com\/media\/5565e9_a529a51685094e8686952f64a8c060fe~mv2.gif\" alt=\"\"\/><figcaption><strong>&#8220;(EU) MORRO ILUMINADO&#8221;, Jean Wyllys, 2021. T\u00e9cnica: pastel sobre papel<\/strong><br>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Com a sua sa\u00edda do Parlamento, h\u00e1 a impress\u00e3o de que tanto as vozes quanto as pautas LGBTI+ naquele espa\u00e7o perderam um pouco de visibilidade e pot\u00eancia. Voc\u00ea acha que isso \u00e9 um reflexo da conjuntura pol\u00edtica que a gente vive? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil de se responder. De que Parlamento estamos falando? Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es municipais, figuras LGBTs foram eleitas para parlamentos municipais e, de certa maneira, d\u00e3o continuidade \u00e0s sementes que nossos mandatos produziram. H\u00e1 um reflexo, porque esse ambiente fascista, da extrema direita, reacion\u00e1rio, silencia tamb\u00e9m. \u00c9 dif\u00edcil avaliar esses aspectos porque n\u00e3o estou a\u00ed, sigo atuando de outra maneira fora do parlamento. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que tenho a dizer \u00e9 que eu fico feliz com as elei\u00e7\u00f5es municipais, com as vozes que se ergueram e que foram eleitas \u2013 por exemplo, Erika Hilton [vereadora em S\u00e3o Paulo pelo PSOL]. Eu fiz campanha para muita gente, [&#8230;] pela responsabilidade por tudo que eu represento, com o compromisso que eu tenho com meu povo, a minha gente, as pessoas que eu considero, o pa\u00eds que eu gosto, a parte do pa\u00eds que eu gosto (que \u00e9 a grande maioria), por esse compromisso eu estive nessa campanha. Fiz v\u00eddeos e postagens para diferentes candidatos do Brasil inteiro, alguns se elegeram, outros sa\u00edram bem votados, e eu fico muito feliz com esse resultado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recentemente, o escritor Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan, <\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.adiadorim.org\/post\/chega-de-gente-falando-em-nosso-nome-e-se-apossando-da-nossa-voz-diz-joao-silverio-trevisan\" target=\"_blank\"><strong>em entrevista \u00e0 <\/strong>Diadorim<\/a><strong>, falou que via com preocupa\u00e7\u00e3o o inflacionamento das letras da sigla do movimento LGBTI+, e que isso deveria ser olhado com certa aten\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea concorda com ele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> Eu concordo inteiramente com Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan, e vou repetir o que eu disse recentemente numa live sobre esse assunto: os movimentos de minorias n\u00e3o t\u00eam absoluta autoridade moral, n\u00e3o t\u00eam o monop\u00f3lio da virtude. Acho que as identidades podem e devem se expressar, as liberdades individuais devem ser defendidas e os movimento pelos direitos civis devem permanecer vigilantes e atentos para defender nossa liberdade e as nossas express\u00f5es. Agora a gente precisa ter cuidado para um alerta que o Nietzsche faz: se a gente olha muito tempo pro abismo, o abismo olha para a gente. Ent\u00e3o, nesse comportamento de mimese, a gente precisa ficar muito atento, porque, sen\u00e3o, sai do lugar de oprimido e se torna opressor \u2013 at\u00e9 porque esses lugares n\u00e3o s\u00e3o muito fixos; s\u00e3o lugares muito m\u00f3veis. <\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de poder \u00e9 m\u00f3vel. Um homem negro, oprimido do ponto de vista \u00e9tnico-racial e da cor da pele, pode ser um opressor, do ponto de vista de g\u00eanero \u2013 ele pode bater na mulher, expulsar a filha trans de casa, bater no filho gay. Ou seja, n\u00e3o existe um homem negro em si mesmo. A gente precisa olhar cada situa\u00e7\u00e3o. As mulheres negras, de um ponto de vista geral, ocupam sim a base da pir\u00e2mide. Mas h\u00e1 muitas mulheres negras que espancam seus filhos gays, assim que elas percebem que eles s\u00e3o gays, porque elas t\u00eam uma forma\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, porque a identidade religiosa delas leva \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de homofobia e da transfobia. H\u00e1 pessoas trans que, por transfobia interlizada, se tornam profundamente mis\u00f3ginas, com uma misoginia asquerosa contra mulheres cis. Ent\u00e3o, assim, uma pessoa trans n\u00e3o tem um monop\u00f3lio da virtude por ser uma pessoa trans, e ela n\u00e3o tem autoridade por ocupar esse lugar em si mesmo. <\/p>\n\n\n\n<p>O lugar de enunciado \u00e9 importante, mas o que est\u00e1 sendo enunciado precisa ser analisado. Eu vejo com muita preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, as pessoas que querem dar autoridade ao seu conte\u00fado por causa do seu lugar de fala. Eu digo: \u201cN\u00e3o. \u00c9 um pensamento torto\u201d. Eu n\u00e3o vou jamais ser c\u00famplice disso, e essa cumplicidade vem de um comportamento, sobretudo na internet, de enxame, em que as pessoas v\u00e3o se infectando umas \u00e0s outras &#8211; exatamente como o movimento das fake news \u2013, e elas produzem o linchamento virtual, um ataque at\u00e9 levar a pessoa a se retratar publicamente ou a fazer autopuni\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Existe essa humilha\u00e7\u00e3o, principalmente entre n\u00f3s mesmos. Quer dizer, dentro dos pr\u00f3prios movimentos identit\u00e1rios se exige essa expia\u00e7\u00e3o p\u00fablica, humilha\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais, para que voc\u00ea n\u00e3o siga sendo atacado e humilhado. <\/p>\n\n\n\n<p>Tenho pavor de cancelamento e dessas pessoas que produzem esse movimento de enxame contra as outras, que negam \u00e0s outras pessoas o direito a uma segunda chance ou direito a se explicar. Vivemos num mundo em que as pessoas precisam e devem se explicar. Eu defendo o sistema de justi\u00e7a e n\u00e3o o sistema de vingan\u00e7a, por isso eu defendo o Estado de Direito, porque as pessoas precisam de julgamento justo \u2013 e isso significa que elas precisam de defesa, precisam evocar coisas em defesa delas, se explicar. Se a gente cancela, elimina essa pessoa, a gente est\u00e1 agindo exatamente como os fascistas. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gpslifetime.com.br\/uploads\/content_manager\/contents\/55558\/image\/wyllys-em-harvard-aulas-serao-sobre-fake-news-e-discurso-de-odio-5594.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption><strong>Wyllys enquanto deputado<\/strong>&nbsp;(Gabriela Korossy\/C\u00e2mara)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o eu vejo com muita preocupa\u00e7\u00e3o essa infla\u00e7\u00e3o que nos divide. At\u00e9 porque eu sou velho mesmo [d\u00e1 uma risada], tenho 46 anos e existem coisas que eu nem entendo. Por que os gays est\u00e3o chamando agora \u201cgay\u201d de \u201cyag\u201d? De onde veio essa maluquice, n\u00e9? De onde tiraram isso? Desde quando? Ou ent\u00e3o esse menosprezo porque voc\u00ea \u00e9 um homem cis, gay\u2026 As identidades s\u00e3o forjadas nas suas complexidades, e h\u00e1 pessoas que s\u00e3o queer e outra pessoas que n\u00e3o s\u00e3o \u2013 e est\u00e3o felizes dentro das suas identidades de g\u00eanero. Ent\u00e3o por que voc\u00ea vai me atacar pela minha identidade de g\u00eanero? Que loucura \u00e9 essa? Eu sempre lutei para que voc\u00ea tivesse a express\u00e3o da sua identidade de g\u00eanero, e por que agora voc\u00ea quer atacar a minha identidade de g\u00eanero? <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s lutamos por muito tempo para libertar nossos desejos de normas. Eu lutei por muito tempo para n\u00e3o ser obrigado a namorar mulher, quando eu n\u00e3o queria namorar mulher; lutei muito tempo para poder expressar meu desejo homossexual, e por que agora algu\u00e9m vai formatar meu desejo ou me obrigar de gostar sexualmente de uma identidade de g\u00eanero que eu n\u00e3o goste? Ent\u00e3o a gente precisa ter muito cuidado com a manipula\u00e7\u00e3o dessa agenda. Essa agenda \u00e9 muito importante para que ela seja manipulada por aventureiros ou por pessoas que simplesmente querem lacra\u00e7\u00e3o e aparecer na internet.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 exatos dois anos, voc\u00ea anunciou seu autoex\u00edlio. E nessa experi\u00eancia sua fora do pa\u00eds, voc\u00ea tem notado uma curiosidade das pessoas para saber como \u00e9 ser LGBTI+ aqui no Brasil? Existe um consenso fora do pa\u00eds sobre como \u00e9 ser uma pessoa LGBTI+ aqui no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> Olha, o consenso \u00e9 que pessoas LGBT no Brasil correm mais risco do que em outros lugares onde essa comunidade est\u00e1 mais em seguran\u00e7a e \u00e9 respeitada, como em alguns estados norte-americanos (n\u00e3o s\u00e3o todos os Estados Unidos que s\u00e3o seguros para pessoas LGBTs, \u00e9 importante que se diga, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser LGBT em Indiana, no Arizona, no estados do chamado \u201cBible Belt\u201d, que s\u00e3o evang\u00e9licos e racistas), no Canad\u00e1, em alguns pa\u00edses da Europa, sobretudo da Europa Ocidental e em Israel, no Oriente M\u00e9dio. Ou seja, o consenso \u00e9: dentro dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, talvez, nesse momento, o pior pa\u00eds para se ser LGBT \u00e9 o Brasil, justamente por causa da ascens\u00e3o da extrema direita \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>De resto, a experi\u00eancia LGBT tem uma experi\u00eancia comum \u2013 por isso que n\u00f3s somos, inclusive, uma comunidade internacional. H\u00e1 muitos modos de vida e muitos mitos que n\u00f3s compartilhamos. E \u00e9 claro que o compartilhamento do que h\u00e1 de comum nessa comunidade venha a reboque de outras identidades e de outros processos pol\u00edticos. Por exemplo: \u00f3bvio que o modo de ser gay nos Estados Unidos acaba por ser hegem\u00f4nico, porque s\u00e3o um pa\u00eds de hegemonia internacional. \u00c9 \u00f3bvio que a cultura gay pop americana acaba se impondo no resto do mundo, na forma das divas, dos videoclipes, de uma gram\u00e1tica da cultura pop, das drags, de um trejeito que vai se impondo ao resto do mundo. E isso faz parte de uma hegemonia que transcende a comunidade LGBT. <br><\/p>\n\n\n\n<p>Os processos de forma\u00e7\u00e3o de identidade da comunidade est\u00e3o ligados a processos mais amplos, que envolvem a geopol\u00edtica, o capitalismo neoliberal e sua expans\u00e3o, seus modos de vida, seus formatos est\u00e9ticos. Claro que em cada pa\u00eds que assimila esses formatos, h\u00e1 uma luta, uma resist\u00eancia, e a cultura local vai colocando aspectos seus dentro dessa uniformiza\u00e7\u00e3o. O baile funk brasileiro tem suas especificidades, mas \u00e9 \u00f3bvio que a imposi\u00e7\u00e3o da cultura pop vai transformando essas meninas de baile, os videoclipes delas v\u00e3o parecendo com os da Beyonc\u00e9, da Nicki Minaj, da Rosal\u00eda, e as bichas gostam dessas divas. <\/p>\n\n\n\n<p>A gente n\u00e3o pode perder de vista isso. N\u00f3s formamos uma comunidade internacional e corremos, portanto, riscos tamb\u00e9m em comum. A extrema direita na Europa \u00e9 homof\u00f3bica. Se a extrema direita amea\u00e7a o Brasil agora \u2013 est\u00e1 empoderada, est\u00e1 na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013, o risco dela vencer na Alemanha, na Espanha e em Portugal \u00e9 justamente porque, vencendo, vai amea\u00e7ar a comunidade LGBT local e, assim, a comunidade LGBT internacional. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.wixstatic.com\/media\/5565e9_bed768a2bf69470597e87088e143d70e~mv2.gif\" alt=\"\"\/><figcaption><strong>&#8220;EPIDEMIA DE GENTE&#8221;, Jean Wyllys, 2021. T\u00e9cnica: aquarela e pastel sobre papel <\/strong><br>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Aqui no Brasil, a extrema direita personalizou muito esse ataque \u00e0 homofobia na sua figura. Voc\u00ea viu isso acontecer de forma t\u00e3o personalizada em outros pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> Em alguns outros pa\u00edses, sim. Sobretudo em pa\u00edses do Leste europeu, a extrema direita perpetra a viol\u00eancia por meio da homofobia. Claro que depois h\u00e1 uma interseccionalidade do \u00f3dio. No caso da Fran\u00e7a, por exemplo, a extrema direita se assentou muito no discurso xen\u00f3fobo, anti-imigrante, inclusive manipulando parte da comunidade LGBT e das mulheres contra as popula\u00e7\u00f5es de origem mu\u00e7ulmana, porque os mu\u00e7ulmanos t\u00eam uma cultura fundamentalmente homof\u00f3bica. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 os mu\u00e7ulmanos. Tamb\u00e9m os crist\u00e3os e os judeus t\u00eam uma cultura fundamentalmente homof\u00f3bica. As tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas, que compartilham o Antigo Testamento, s\u00e3o patriarcais e defendem um sexo para fim de procria\u00e7\u00e3o. Isso significa um controle do corpo das mulheres, persegui\u00e7\u00e3o, policiamento e convers\u00e3o em tabu da sexualidade e de toda pr\u00e1tica sexual que n\u00e3o seja procriativa \u2013 entre elas, a homossexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os mu\u00e7ulmanos que s\u00e3o homof\u00f3bicos, claro. A extrema direita francesa manipula isso e coloca o movimento LGBT contra os mu\u00e7ulmanos, dizendo que, se eles crescerem na Fran\u00e7a, a liberdade da comunidade estar\u00e1 em risco. Pode ser que seja verdade, mas a liberdade da comunidade LGBT est\u00e1 em risco com crist\u00e3os no Brasil, por exemplo, n\u00e9? <\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Brasil, a extrema direita usou a homofobia; no caso da Fran\u00e7a, a xenofobia; e na Espanha, ela se assentou muito mais contra os imigrantes africanos. Em cada lugar, ela usa um \u201ccarro\u201d, mas em todos os lugares ela acaba interseccionando os \u00f3dios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea, enquanto gay e estrangeiro, j\u00e1 sofreu ataques a\u00ed fora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>WYLLYS \u2013<\/strong> N\u00e3o. Aqui eu tenho uma bolha de seguran\u00e7a. Estou num pa\u00eds da Europa onde a extrema direita est\u00e1 crescendo, mas ainda \u00e9 um ambiente de seguran\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Vou contar um epis\u00f3dio, que serve de exemplo: o centro LGBT de Barcelona fica em um bairro majoritariamente \u00e1rabe, com mu\u00e7ulmanos de diferente lugares, e, claro, com presen\u00e7a de latino-americanos \u2013 ent\u00e3o \u00e9 um bairro \u201cbrown\u201d e tamb\u00e9m negro, porque h\u00e1 imigrantes africanos. \u00c9 um bairro popular. Durante muito tempo, foi um bairro estigmatizado. Desde que a esquerda assumiu o poder, foi feito um trabalho de revitaliza\u00e7\u00e3o do bairro. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas a\u00ed o que aconteceu: houve um ataque ao centro LGBT [em junho de 2019], que a extrema direita espanhola fez para sugerir que seria um ato de mu\u00e7ulmanos radicais. O que a comunidade LGBT fez no dia seguinte? Foram 3 mil pessoas para as ruas, todo mundo junto, para dizer: &#8216;N\u00e3o somos racistas, n\u00e3o somos antimu\u00e7ulmanos, sempre convivemos bem, o problema \u00e9 a extrema direita\u2019. Ningu\u00e9m caiu nessa armadilha. Para voc\u00ea ter uma ideia de como h\u00e1 uma resist\u00eancia aqui contra essa tentativas. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o sempre me senti seguro, quero continuar a me sentir seguro. Em Berlim, no tempo em que vivi l\u00e1, me senti seguro; no estado de Massachusetts, quando eu estive na universidade de Harvard, me senti seguro; e eu quero que essa seguran\u00e7a para comunidade se estenda a mais gente. <\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Allan Nascimento e Paulo Malvezzi No Instagram, quem acompanha o perfil de Jean Wyllys j\u00e1 percebeu que nos \u00faltimos meses o ex-deputado federal tem se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[2156,435,2157,603],"class_list":["post-22379","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-home","tag-agencia-diadorim","tag-bolsonaro","tag-dilma-rousseff","tag-jean-wyllys","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22379"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22420,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22379\/revisions\/22420"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}