{"id":22295,"date":"2021-02-16T10:28:49","date_gmt":"2021-02-16T13:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=22295"},"modified":"2021-02-16T10:43:04","modified_gmt":"2021-02-16T13:43:04","slug":"a-gente-salvou-a-vida-dele-diz-filha-de-donos-de-restaurante-acusados-de-agredir-vida-bruno-policia-conclui-que-nao-houve-agressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/a-gente-salvou-a-vida-dele-diz-filha-de-donos-de-restaurante-acusados-de-agredir-vida-bruno-policia-conclui-que-nao-houve-agressao\/","title":{"rendered":"\u2018A gente salvou a vida dele\u2019, diz filha de donos de restaurante acusados de agredir  Vida Bruno; pol\u00edcia conclui que n\u00e3o houve agress\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Thais Borges, especial para o Me Salte <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00f3 a gente n\u00e3o agrediu como a gente salvou a vida dele\u201d. \u00c9 com essas palavras que a publicit\u00e1ria \u00c9rica Mendonza, 34 anos, define a situa\u00e7\u00e3o que sua fam\u00edlia tem vivido nos \u00faltimos meses. Em novembro, eles foram acusados pelo coordenador de Pol\u00edticas e Promo\u00e7\u00e3o da Cidadania LGBT da prefeitura de Salvador, Vida Bruno, de agredi-lo no restaurante da fam\u00edlia, o Cervantes, no Campo Grande. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Bruno, o ataque teria sido motivado por transfobia &#8211; ele \u00e9 um homem trans. No entanto, a fam\u00edlia nega as acusa\u00e7\u00f5es. \u00c0 pol\u00edcia, eles apresentaram provas de outra vers\u00e3o: a de que o coordenador de pol\u00edticas da prefeitura teve uma convuls\u00e3o depois de ter comido um prato de mexilh\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossas vidas foram devassadas por causa de uma pessoa que decidiu acabar com a gente\u201d, afirma a publicit\u00e1ria, filha dos donos do restaurante. <\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da assessoria, a Pol\u00edcia Civil confirmou que n\u00e3o encontrou elementos suficientes para indiciar ningu\u00e9m, de acordo com os laudos de les\u00f5es emitidos pelo Departamento de Pol\u00edcia T\u00e9cnica. Assim, o inqu\u00e9rito foi remetido ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado (MP-BA). O \u00f3rg\u00e3o, contudo, n\u00e3o respondeu aos questionamentos da reportagem at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada, quase tr\u00eas meses ap\u00f3s o epis\u00f3dio, o caso ganhou um novo cap\u00edtulo. De acordo com a fam\u00edlia e amigos de <a href=\"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/apos-sofrer-agressao-transfobica-vida-bruno-e-internado-na-uti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Vida Bruno, ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (abre numa nova aba)\">Vida Bruno, ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)<\/a> do Hospital Teresa de Lisieux para tratar de um sangramento no cr\u00e2nio. O quadro seria, segundo os familiares, devido \u00e0 suposta agress\u00e3o sofrida em novembro. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente foi linchado, chamado de transf\u00f3bicos, homof\u00f3bicos. Somos um restaurante que existe h\u00e1 40 anos que nunca se envolveu em nenhum tipo de esc\u00e2ndalo, de agress\u00e3o. Isso n\u00e3o foi levado em conta em nenhum momento, nem as provas que a gente apresenta. Nada disso tem valor?\u201d, questiona \u00c9rica. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arquivamento<br><\/strong> O CORREIO teve acesso ao relat\u00f3rio do inqu\u00e9rito policial, que foi conclu\u00eddo no dia 21 de janeiro. No documento, a delegada Rog\u00e9ria Ara\u00fajo, titular da 1\u00aa Delegacia (Barris), sugere que a investiga\u00e7\u00e3o seja arquivada. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm busca da verdade real, testemunhas foram ouvidas, n\u00e3o somente os funcion\u00e1rios do estabelecimento comercial como pessoas que se encontravam no local e fora dele. Da an\u00e1lise dos autos, percebe-se que n\u00e3o restaram evidenciadas as condutas t\u00edpicas apontadas na pe\u00e7a exordial, ressaltando-se a investiga\u00e7\u00e3o cuidadosa na busca da materialidade delitiva, a qual n\u00e3o foi encontrada, e por este motivo, conclui-se o presente sugerindo pelo arquivamento\u201d, escreve a delegada. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 pol\u00edcia, o casal de m\u00e9dicos que prestou os primeiros socorros ao coordenador de pol\u00edticas da prefeitura escreveu um documento narrando as atitudes que tomaram. Depois dos primeiros procedimentos, eles afirmam que o quadro de Bruno melhorou. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm poucos minutos, o paciente apresentou melhora da respira\u00e7\u00e3o e da palidez, persistindo a desorienta\u00e7\u00e3o e a agita\u00e7\u00e3o, sendo muito dif\u00edcil, devido \u00e0 sua for\u00e7a, mant\u00ea-lo deitado no interior do restaurante\u201d, dizem. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, continuam, Vida Bruno teria conseguido sair do local. Os m\u00e9dicos afirmam que, com ajuda de outras pessoas, conseguiram \u201ccont\u00ea-lo para impedir que se machucasse\u201d enquanto aguardavam a ambul\u00e2ncia chamada pela dona do restaurante. <\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao CORREIO, na noite desta segunda-feira (15), ela contou sua vers\u00e3o do caso. Confira os principais trechos da conversa: <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"https:\/\/blogs.correio24h.com.br\/mesalte\/>\n\n\n\n<p>\u201cO epis\u00f3dio aconteceu no dia 29 de novembro do ano passado. Na ocasi\u00e3o, Vida Bruno realmente passou mal no estabelecimento (Cervantes). Ele comeu um mexilh\u00e3o e come\u00e7ou a convulsionar dentro do restaurante. Isso de fato aconteceu. Quando ele come\u00e7ou a convulsionar, ficou por mais ou menos uma hora se debatendo, tendo espasmos. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse meio tempo, ele sangrou pelo nariz. Dois clientes que s\u00e3o m\u00e9dicos por acaso chegaram no restaurante porque tinham uma encomenda, inclusive de mexilh\u00f5es, e deram os primeiros socorros. Minha m\u00e3e, que \u00e9 dona do estabelecimento, j\u00e1 estava chamando o Samu (Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia) para dar socorro. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele estava sozinho, desacompanhado. A gente n\u00e3o sabia quem era a fam\u00edlia dele. Quando o Samu \u00e9 chamado para um registro desse, o m\u00e9dico (que atende o chamado por telefone) pergunta da situa\u00e7\u00e3o. Nesse momento, os m\u00e9dicos dos primeiros socorros falaram como ele estava, na linguagem de m\u00e9dicos. Ele estava ainda tendo convuls\u00e3o no restaurante. Ele ficou muito tempo convulsionando. Deitaram ele de lado, colocaram no sof\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Samu chegou, ele j\u00e1 tinha recobrado em parte a consci\u00eancia, mas voltou completamente transtornado, como se tivesse fora de si. Era como se fosse uma crise esquizofrenia, um surto psic\u00f3tico. Uma convuls\u00e3o \u00e9 um problema neurol\u00f3gico e, quando ele voltou, estava completamente agressivo, virando mesa, jogando prato no ch\u00e3o, empurrando as pessoas que estavam perto dele para dar suporte. <\/p>\n\n\n\n<p>O Samu tentou dar o socorro e n\u00e3o conseguiu. Ele estava t\u00e3o nervoso e descontrolado que o Samu n\u00e3o conseguiu colocar ele dentro da ambul\u00e2ncia. Ele n\u00e3o foi levado para nenhum hospital e saiu perambulando pela rua sem sapato. Ele realmente deixou as coisas no restaurante porque saiu desorientado, entrando em outros estabelecimentos ali do Campo Grande. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>As escoria\u00e7\u00f5es que ele teve foi porque, por muito tempo, ficou se debatendo em mesa. N\u00e3o foram machucados de espancamento. Se ele tivesse sido espancado como diz que foi, deveria ter ido para UTI naquela \u00e9poca. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele voltou uma hora depois, mais ou menos, com policiais fortemente armados j\u00e1 com essa hist\u00f3ria, dizendo que tinha sido espancado, que tinha sofrido homofobia. A gente acha que ele criou um fact\u00f3ide, uma situa\u00e7\u00e3o para capitalizar. <\/p>\n\n\n\n<p>Por que ele n\u00e3o chamou a pol\u00edcia l\u00e1 mesmo? Como uma pessoa que diz que apanhou tanto, praticamente morreu, sai do local e ningu\u00e9m acudiu, ningu\u00e9m filmou a agress\u00e3o? Foi meio-dia, num domingo, a rua estava cheia de gente, todas as pessoas foram nossas testemunhas. Os vizinhos do lado de fora ficaram revoltados porque viram que era muita injusti\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele chegou na delegacia de flagrantes, disse que tinha sido espancado por seguran\u00e7as. Disse que meu pai teria espancado ele com seguran\u00e7as, do lado de fora. A gente nunca teve seguran\u00e7as. Falou que meu pai inclusive teria arrancado a roupa dele, mostrando os seios quando descobriu que era um homem trans e que a gente teria exposto ele. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta com riqueza de detalhes e quando voc\u00ea olha a filmagem, que a gente pegou na m\u00e3o de uma vizinha, a gente v\u00ea o Samu chegando. A  gente s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea pancadaria, a gente n\u00e3o v\u00ea nada que ele fala. A gente v\u00ea as pessoas desorientadas do restaurante, os funcion\u00e1rios com a m\u00e3o na cabe\u00e7a, minha m\u00e3e com telefone no ouvido chamando o Samu. <\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9dicos que deram socorro podem ter salvado a vida dele. A gente acha que ele realmente passou mal e depois criou uma situa\u00e7\u00e3o pra tirar vantagem. Ele convocou pessoas na internet para irem fazer manifesta\u00e7\u00e3o l\u00e1. A gente foi linchado de homof\u00f3bico, transf\u00f3bico e a gente sabe que essa \u00e9 uma pauta real, que as pessoas morrem disso e s\u00e3o espancadas diariamente. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava na estrada e fui ajudar meus pais. Cheguei quando eles j\u00e1 estavam na delegacia, mas at\u00e9 o meu nome entrou na hist\u00f3ria. A gente estava sendo massacrado por um mentiroso, por uma pessoa que vendeu a hist\u00f3ria dele como verdade e a gente n\u00e3o tem como se defender. N\u00e3o tivemos espa\u00e7o para mostrar as provas que a gente tinha. <\/p>\n\n\n\n<p>Agora, tr\u00eas meses depois, vem dizer que est\u00e1 na UTI em decorr\u00eancia de uma falsa acusa\u00e7\u00e3o, com sequelas de uma agress\u00e3o que nunca existiu. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Quem deu a queixa foi ele e a gente teve que provar que nada aconteceu. A gente conseguiu provar gra\u00e7as \u00e0 c\u00e2mera de uma vizinha. Depois disso, colocamos c\u00e2mera l\u00e1 dentro porque estamos traumatizados. <\/p>\n\n\n\n<p>A gente salvou a vida dele. Ele comeu, passou mal e tinha pessoas l\u00e1 para cuidar dele. Todo mundo tentando ajudar, botando a m\u00e3o dentro da boca dele. <\/p>\n\n\n\n<p>Tem um monte de gente que se decepcionou com o Cervantes sem saber. A gente teve muito preju\u00edzo na imagem do restaurante. Inclusive, teve desdobramentos porque existe outro restaurante chamado Cervantes no Rio de Janeiro. N\u00e3o tem nenhuma liga\u00e7\u00e3o gastron\u00f4mica com a gente, mas a patente do nome \u00e9 deles desde 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o Cervantes de Salvador existe h\u00e1 40 anos, t\u00ednhamos um acordo de cavalheiros. O Cervantes do Rio nunca se incomodou de usarmos o mesmo nome, porque entendia que n\u00e3o era do mesmo segmento. Depois desse esc\u00e2ndalo, as pessoas foram fazer o linchamento virtual da gente e o Cervantes do Rio pediu para a gente mudar de nome. Amea\u00e7aram nos processar por danos morais porque o esc\u00e2ndalo com Vida Bruno, do qual a gente tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima, tinha atingido o Rio de Janeiro. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Ele disse que era al\u00e9rgico a marisco. O restaurante n\u00e3o tem responsabilidade sobre alergia dos outros. \u00c9 um restaurante de frutos do mar, ent\u00e3o ele tinha que ter comunicado. Ele nunca tinha ido l\u00e1 antes. Nesse dia, como ele passou mal, nem chegou a pagar o mexilh\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>A gente vai tomar provid\u00eancias na Justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a Bruno, porque ele fez uma cal\u00fania. Ele vai virar r\u00e9u porque ele n\u00e3o \u00e9 v\u00edtima. <\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, a gente queria deixar isso passar. S\u00f3 queria que isso acabasse, s\u00f3 queria voltar a ter paz. S\u00f3 que agora a gente quer justi\u00e7a. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thais Borges, especial para o Me Salte \u201cN\u00e3o s\u00f3 a gente n\u00e3o agrediu como a gente salvou a vida dele\u201d. \u00c9 com essas palavras que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,11],"tags":[],"class_list":["post-22295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-home","category-me-informo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22295"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22297,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22295\/revisions\/22297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}