{"id":22285,"date":"2021-02-11T10:42:00","date_gmt":"2021-02-11T13:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=22285"},"modified":"2021-02-11T10:42:03","modified_gmt":"2021-02-11T13:42:03","slug":"ufmg-testa-vacina-contra-hiv-veja-como-participar-do-estudo-e-se-vacinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/ufmg-testa-vacina-contra-hiv-veja-como-participar-do-estudo-e-se-vacinar\/","title":{"rendered":"UFMG testa vacina contra HIV; veja como participar do estudo e se vacinar"},"content":{"rendered":"\n<p>A covid-19 colocou o mundo em um esfor\u00e7o conjunto em busca de vacinas. Mesmo assim, a ci\u00eancia n\u00e3o deixou de lado outra corrida: um produto vacinal capaz de prevenir a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV, v\u00edrus tamb\u00e9m pand\u00eamico (aproximadamente 33 milh\u00f5es de pessoas morreram de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 Aids desde o in\u00edcio da sua epidemia). \u00c9 neste objetivo que a Faculdade de Medicina da UFMG se junta a institui\u00e7\u00f5es de oito pa\u00edses no estudo, de fase 3, que est\u00e1 testando a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a de vacinas contra o HIV. Os testes j\u00e1 come\u00e7aram, mas ainda \u00e9 poss\u00edvel se candidatar, desde que sejam homens cisg\u00eanero ou pessoas trans que fazem sexo com homens cisg\u00eanero e\/ou pessoas trans, al\u00e9m de ter entre 18 e 60 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, chamada Mosaico, \u00e9 desenvolvida no \u00e2mbito da Rede HVTN e financiada em colabora\u00e7\u00e3o com a Johnson &amp; Johnson. Seu principal diferencial, assim como seu maior desafio, \u00e9 o objetivo de abarcar a prote\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios subtipos de HIV, segundo o professor Titular Jorge Andrade Pinto, coordenador do grupo de pesquisa em Aids em crian\u00e7as, adolescentes e gestantes da Faculdade e pesquisador respons\u00e1vel pelo estudo na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO HIV-1, que \u00e9 o tipo mais comum, tem nove subtipos e v\u00e1rias formas recombinantes, em que esses subtipos se misturam. Essa \u00e9 uma das grandes dificuldades para seu controle e a raz\u00e3o de ser t\u00e3o dif\u00edcil desenvolver uma vacina, mesmo passados mais de 30 anos dos primeiros casos\u201d, aponta Pinto. \u201cH\u00e1 a dificuldade de desenvolver uma vacina e depois a necessidade de cobrir essa diversidade de v\u00edrus. E \u00e9 justamente essa a proposta do Mosaico, de ser multivalente\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Se trata de uma vacina de vetor viral, ou seja, o adenov\u00edrus 26 (Ad26) que tem pouca ou nenhuma patogenicidade para a pessoa exposta \u00e9 usado como vetor e nele s\u00e3o inseridas as sequ\u00eancias espec\u00edficas de partes do HIV. A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 que essas partes inseridas representam a diversidade dos subtipos do v\u00edrus HIV. Com isso, pretende-se que seja induzida imunidade aos diversos subtipos. Segundo o professor, estudos preliminares j\u00e1 demonstraram que ela \u00e9 segura e capaz de induzir o que chama de imunidade cruzada. O outro destaque \u00e9 que o estudo Mosaico vai associar duas vacinas na mesma pessoa: essa de vetor viral e a vacina contendo a prote\u00edna gp140 do HIV.<\/p>\n\n\n\n<p><br> \u00c9 importante lembrar que as vacinas testadas nesse estudo n\u00e3o causam a infec\u00e7\u00e3o por HIV ou Aids porque utilizam apenas fragmentos do v\u00edrus. Espera-se que quando o indiv\u00edduo vacinado for exposto ao v\u00edrus, nos contatos eventuais de aquisi\u00e7\u00e3o do HIV, o sistema imune esteja habilitado a reconhecer e elimin\u00e1-lo antes que cause uma infec\u00e7\u00e3o disseminada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como ser\u00e1 o estudo<br><\/strong>Esse \u00e9 um estudo duplo cego, que ter\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o total de 3.800 pessoas, sorteadas e divididas igualmente entre grupo placebo e grupo ativo. Na Faculdade de Medicina, especificamente, est\u00e1 previsto o recrutamento de 120 participantes e isso ser\u00e1 feito at\u00e9 julho deste ano. Apenas um comit\u00ea externo saber\u00e1 quem recebeu placebo e quem recebeu vacina, sendo respons\u00e1vel por avaliar a seguran\u00e7a da vacina e o n\u00famero de novas infec\u00e7\u00f5es entre os participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor Jorge, as pessoas passam por uma avalia\u00e7\u00e3o de triagem, em m\u00faltiplas etapas, em que se esclarece sobre o estudo e as poss\u00edveis d\u00favidas, realizam exame f\u00edsico completo e uma s\u00e9rie de exames laboratoriais. \u201cO paciente n\u00e3o deve estar usando nenhum medicamente que possa interferir no sistema imunol\u00f3gico; n\u00e3o pode ter nenhuma doen\u00e7a que curse com imunodepress\u00e3o, por exemplo c\u00e2ncer, uso prolongado de corticoides ou qualquer outra doen\u00e7a cr\u00f4nica que eventualmente possa interferir na resposta imunol\u00f3gica \u00e0 vacina\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o dos resultados e assinado o termo de consentimento para participar do estudo, a pessoa retorna para a visita inicial, em que toma a primeira dose da vacina e depois passa a ser acompanhado por 30 meses. Ser\u00e3o quatro doses de vacinas aplicadas no intervalo de tr\u00eas meses. As duas primeiras doses apenas com vacina de vetor viral, as demais contendo ambas vacinas (vetor viral e proteica). No in\u00edcio o acompanhamento \u00e9 feito a cada tr\u00eas meses e depois a cada 6 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo total, esse participante deve vir \u00e0 cl\u00ednica 14 vezes no intervalo de 30 meses. Ou seja, a participa\u00e7\u00e3o requer um comprometimento do volunt\u00e1rio com o centro de estudo, no sentido de permanecer nesse seguimento que \u00e9 longo. E \u00e9 importante esse seguimento longo para que possamos ter todas as informa\u00e7\u00f5es com a maior seguran\u00e7a poss\u00edvel, no sentido tanto da pot\u00eancia como da seguran\u00e7a da vacina\u201d, destaca Andrade Pinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as caracter\u00edsticas do p\u00fablico participante desse estudo, o professor explica que \u201csabe-se que essa popula\u00e7\u00e3o tem um risco cerca de 10 vezes maior para aquisi\u00e7\u00e3o do v\u00edrus do que a popula\u00e7\u00e3o geral. Ent\u00e3o a forma de aquisi\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do HIV \u00e9 por exposi\u00e7\u00e3o sexual e esse \u00e9 o grupo que est\u00e1 mais exposto ao risco de aquisi\u00e7\u00e3o\u201d. Al\u00e9m disso, ele informa que como se trata de um estudo de efic\u00e1cia, em que se compara um grupo vacinado com o grupo n\u00e3o vacinado, \u00e9 importante que haja uma taxa de incid\u00eancia significativa da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Pinto ainda comenta que essa vacina de vetor viral Ad26 j\u00e1 foi utilizada em mais de 200.000 indiv\u00edduos em estudos para outros pat\u00f3genos, inclusive para o coronav\u00edrus. \u00c9 uma vacina bem tolerada, que pode dar pequenas rea\u00e7\u00f5es de febre e dor muscular autolimitadas. \u201c\u00c9 muito importante, mais uma vez, que o volunt\u00e1rio se comprometa a permanecer na regi\u00e3o, aqui em BH, ou regi\u00e3o geogr\u00e1fica acess\u00edvel para seguimento nesses pr\u00f3ximos 2 anos e meio\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que \u00e9 t\u00e3o importante ter uma vacina contra o HIV?<br><\/strong> Segundo o professor, considerando que atualmente, s\u00f3 h\u00e1 preven\u00e7\u00f5es medicamentosas, como a profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP) ou a profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o (PEP), al\u00e9m dos m\u00e9todos de barreira, a vacina contra o HIV \u00e9 necess\u00e1ria, mesmo que n\u00e3o seja uma vacina altamente eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo o HIV \u00e9 uma doen\u00e7a disseminada e de controle t\u00e3o dif\u00edcil, v\u00e1rias estimativas indicam que mesmo que a vacina n\u00e3o seja altamente eficaz, ainda vai poder diminuir bastante o impacto da epidemia. Por exemplo, se voc\u00ea tiver considerando que tenha uma vacina que seja 30% eficaz, mas que seja capaz de vacinar 20% da popula\u00e7\u00e3o em risco de aquisi\u00e7\u00e3o do HIV, voc\u00ea previne cerca de 5 milh\u00f5es de casos no intervalo projetado de 10 anos. Agora, se voc\u00ea tiver uma vacina que seja 70% eficaz, no outro extremo, e com uma cobertura de 40% da popula\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es prevenidas no intervalo de 10 anos, vai a 28 milh\u00f5es\u201d<\/p>\n\n\n\n<p> Por isso, o professor destaca o potencial desse estudo, que pode resultar em produto com impacto global, mesmo que a vacina n\u00e3o seja 100% eficaz. \u201cA PrEP representa um imenso avan\u00e7o no controle da epidemia de HIV, mas temos que lembrar que envolve o uso di\u00e1rio e cont\u00ednuo de medica\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem que continuar usando esse medicamento, pois se para ou esquece de tom\u00e1-lo, torna-se novamente exposto e suscet\u00edvel a infec\u00e7\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o um dos grandes desafios da PrEP \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o no longo prazo. E para isso tem sido buscado novas estrat\u00e9gias, como usar antiretrovirais injet\u00e1veis de a\u00e7\u00e3o prolongada, que permitam PrEP com doses mensais \u00e0 exemplo do contraceptivo  feminino injet\u00e1vel\u201d, continua Jorge.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais modalidades de preven\u00e7\u00e3o n\u00f3s tivermos, melhor\u201d<br>\n \u201cQuanto mais estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o tivermos e em modalidades diferentes, melhor ser\u00e1 para atingirmos nosso objetivo. E isso come\u00e7a, inclusive pela quest\u00e3o educacional, modifica\u00e7\u00e3o de comportamento, uso de preservativo, tratamento de outras situa\u00e7\u00f5es que induzam ao risco, como o alcoolismo ou drogadi\u00e7\u00e3o, que colocam a pessoa em risco aumentado\u201d, defende Andrade Pinto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA doen\u00e7a envolve quest\u00f5es comportamentais de longo prazo e, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma medida de preven\u00e7\u00e3o contra a outra. S\u00e3o todas elas dentro da cesta de estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o que possa prevenir o HIV e, nesse caso, est\u00e1 faltando uma vacina contra o HIV que seja efetiva\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Faculdade de Medicina no combate \u00e0 covid-19 e ao HIV<br><\/strong> O professor Jorge Pinto tamb\u00e9m coordena o estudo de fase 3 da vacina candidata da Johnson &amp; Johnson contra a covid-19 na Faculdade de Medicina da UFMG e comenta sobre as surpresas nos desafios da ci\u00eancia. \u00c9 que estavam preparando para lan\u00e7ar a vacina de preven\u00e7\u00e3o ao HIV h\u00e1 dois anos, mas surgiu o coronav\u00edrus e a pandemia. Assim, antes que a vacina do Mosaico fosse lan\u00e7ada, ele e o grupo de pesquisa que coordena embarcaram em uma nova miss\u00e3o: contra a covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um privil\u00e9gio poder estar envolvido. Na minha carreira acad\u00eamica de 30 anos, eu trabalho com HIV e n\u00f3s sempre tivemos essa necessidade de ter uma vacina. Chegar ao ponto de lan\u00e7ar e estar participando de uma iniciativa global para uma vacina que, ap\u00f3s d\u00e9cadas, evolui para a fase 3, \u00e9 realmente muito gratificante e eu espero que tenhamos bons resultados\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA participa\u00e7\u00e3o em duas iniciativas t\u00e3o cr\u00edticas quanto a preven\u00e7\u00e3o do HIV e da pandemia pela covid-19 mostra que o papel da Faculdade de Medicina da UFMG \u00e9 fundamental. Denota a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de grupos de pesquisa sediados na Institui\u00e7\u00e3o. Nos diversos aspectos, \u00e9 importante dizer que isso \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo da relev\u00e2ncia da Faculdade no cen\u00e1rio cient\u00edfico brasileiro e internacional\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o<br><\/strong> Mosaico (tamb\u00e9m conhecido como HVTN 706 \/ HPX3002) \u00e9 um estudo multic\u00eantrico, realizado concomitante nos Estados Unidos, Espanha, Pol\u00f4nia, Peru, M\u00e9xico, Brasil, Argentina e It\u00e1lia. Sendo que no Brasil, h\u00e1 8 centros: Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis: Janssen Vaccines &amp; Prevention BV, pelo Instituto Nacional de Alergia e Doen\u00e7as Infecciosas (NIAID) e pela Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV (HVTN).<\/p>\n\n\n\n<p>Objetivo: testar a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a da associa\u00e7\u00e3o de duas vacinas experimentais contra a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV. As vacinas do estudo s\u00e3o chamadas Ad26.Mos4.HIV e Bivalent gp140.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem pode participar: homem cisg\u00eanero ou pessoa trans que pratica sexo com homens cisg\u00eanero e\/ou pessoas trans. Devem ter entre 18 e 60 anos de idade, n\u00e3o estar infectados pelo HIV e n\u00e3o usar profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP), al\u00e9m de outros crit\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se inscrever: Em Belo Horizonte, a pessoa interessada pode entrar em contato pelo telefone 31 99331-3658 ou pelo email mosaico.minasgerais@gmail.com.<\/p>\n\n\n\n<p>Dura\u00e7\u00e3o do estudo: A primeira inscri\u00e7\u00e3o foi em novembro de 2019 e os participantes podem continuar se inscrevendo at\u00e9 julho de 2021 ou at\u00e9 preencher as vagas. A previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de 4 anos no total.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: www.mosaicostudy.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A covid-19 colocou o mundo em um esfor\u00e7o conjunto em busca de vacinas. 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