{"id":22084,"date":"2020-12-01T09:24:18","date_gmt":"2020-12-01T12:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=22084"},"modified":"2020-12-04T13:04:09","modified_gmt":"2020-12-04T16:04:09","slug":"ser-uma-bicha-preta-no-brasil-exige-resistencia-diaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/ser-uma-bicha-preta-no-brasil-exige-resistencia-diaria\/","title":{"rendered":"Ser uma bicha preta no Brasil exige resist\u00eancia di\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Viol\u00eancia e preconceito ser\u00e3o debatidos em mesa virtual da Parada LGBTQIA+ da Bahia <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Vinicius Nascimento (vinicius.nascimento@redebahia.com.br)<\/p>\n\n\n\n<p>Ser bicha no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. O pa\u00eds \u00e9 l\u00edder em matar pessoas LGBTQIA+ de forma violenta e registrou 329 mortes em 2019. Foram 297 homic\u00eddios e 32 suic\u00eddios, de acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB). Um LGBTQIA+ morre a cada 26 horas por aqui. Ser preto no Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. O Atlas da Viol\u00eancia, feito pelo FBSP &#8211; F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Ipea &#8211; Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, aponta que o risco de um negro ser assassinado \u00e9 74% maior. Para as negras a taxa \u00e9 de 64,4% maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas brancas. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Se inscreva nas nossas redes sociais e receba um aviso quando a parada come\u00e7ar:<br>Correio:&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCSbUDnouVlBoCFAA7OUrcqg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Youtube<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/correio24horas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>&nbsp;Facebook<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/correio24horas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Instagram<\/em><\/strong><\/a><br><strong><em>Me Salte:&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCtXhzzlHNjFplAr2WhqSx2g\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Youtube<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mesalte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Facebook<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/me_salte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Instagram<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Agora, imagine o que \u00e9 ser uma bicha preta. A viol\u00eancia f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que ocorre no dia-a-dia dessas pessoas. Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, d\u00e3o conta de que a viol\u00eancia psicol\u00f3gica aumentou 7,4% na vida das pessoas LGBTQIA+ entre 2017 e 2018: de 1693 para 1819 casos. Em outros tipos de viol\u00eancia, o aumento \u00e9 absurdo: 76,8% notifica\u00e7\u00f5es a mais em 2018, de 1.192 para 2.108. Estar na pele das bichas pretas \u00e9 um desafio, e a vida delas \u00e9 dedicada a uma rotina de resist\u00eancia minuto a minuto. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/9\/6\/csm_ismael_carvalho_098487e5ca.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Ismael Carvalho &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A realidade das bichas pretas ser\u00e1 tema de uma das mesas da Parada LGBTQIA+ da Bahia 2020, que nesta edi\u00e7\u00e3o tem o tema \u201cRacismo na comunidade LGBTQIA+ e ser\u00e1 virtual. O evento acontece em 5 de dezembro, \u00e0s 18h, com transmiss\u00e3o pelas redes sociais do CORREIO e do Me Salte. V\u00e3o debater o assunto o produtor cultural Alan Costa e o diretor da Preta Ag\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o, Ismael Carvalho. <\/p>\n\n\n\n<p>Alan Costa \u00e9 uma bicha preta do rec\u00f4ncavo, de Santo Ant\u00f4nio de Jesus. Tem forma\u00e7\u00e3o em Letras Vern\u00e1culas pela Uneb e atua como mobilizador social na &#8220;Campanha Jovem Negro Vivo&#8221; da Anistia Internacional Brasil. Tamb\u00e9m \u00e9 o grande idealizador do Coletivo Afrobapho &#8211; formado por jovens negros LGBTQIA+, que utilizam artes integradas como mobiliza\u00e7\u00e3o social e estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 tenho um rompimento de um padr\u00e3o e quando vou dialogar essa quest\u00e3o racial com a constru\u00e7\u00e3o heteronormativa sobre esse corpo, pensando g\u00eanero e sexualidade, a\u00ed que eu desvio muito mais dessa norma&#8221;, diz Alan. Ele afirma que homens negros sofrem uma press\u00e3o social para exalar um modelo de masculinidade desde muito jovens. E fugir desse padr\u00e3o \u00e9 doloroso. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/e\/b\/csm_Clei_-_Foto_Acervo_Pessoal_Mais_Bichas_Pretas_8ef6a35f5b.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Baby- Foto:Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O influenciador Cleidson Santana, ou simplesmente Baby, por exemplo, conta que na inf\u00e2ncia foi ensinado pelo pai a \u2018ser macho\u2019. Para isso, mesmo com a pouca idade ouvia coisas como a necessidade de ter um p\u00eanis grande e se relacionar com muitas mulheres. Ele cresceu e n\u00e3o performou o esperado. N\u00e3o tem um corpo malhado, tem a voz fina e nasalada e gosta de usar vestidos. Por ser como \u00e9, se viu em in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de rejei\u00e7\u00e3o: ia para baladas e era rejeitado por n\u00e3o ter um corpo atl\u00e9tico e a pele branca.  <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 passei v\u00e1rios perrengues em lugares que eu frequentava como boates LGBT\u00b4s de Salvador. No in\u00edcio eram todas viradas para o p\u00fablico branco, gay padr\u00e3o. Sempre vamos para a boate na inten\u00e7\u00e3o de ficar com algu\u00e9m e a gente n\u00e3o conseguia porque eles s\u00f3 ficam entre eles&#8221;, disse. <\/p>\n\n\n\n<p>Os perrengues v\u00e3o al\u00e9m: dentro do pr\u00f3prio c\u00edrculo de amigos ele ouve cr\u00edticas ao jeito como fala, anda e se comporta. A press\u00e3o pela heteronormatividade ainda d\u00f3i, mesmo com o jovem da Cidade Baixa se impondo para ser nada al\u00e9m do que ele \u00e9. <\/p>\n\n\n\n<p>Alan Costa, por sua vez, conta que apanhou na escola por incont\u00e1veis vezes por ter a voz fina e andar rebolando. Mas sofrer essas viol\u00eancias n\u00e3o \u00e9 a realidade de gays que performam uma dita feminilidade logo no rosto. O estudante Matheus de Morais diz que tem rosto de boyzinho ou cara de padr\u00e3o est\u00e9tico masculino, mas transparece feminilidade com o seu corpo. E tamb\u00e9m sofre viol\u00eancias di\u00e1rias. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem \u00e9 afeminado sabe que \u00e9 afeminado e sabe dos processos de viol\u00eancia que pode sofrer. Desde as viol\u00eancias sutis que nos acometem todos os dias no transporte p\u00fablico, nos olhares, nas falas das pessoas, at\u00e9 as viol\u00eancias da rejei\u00e7\u00e3o, do afeto, do carinho, que nos \u00e9 negado por sermos afeminadas\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<p>As opress\u00f5es sequer s\u00e3o exclusividade de homens gays. Modelo, Willy Montenegro \u00e9 andr\u00f3gino e se relaciona com homens e mulheres desde que tenha atra\u00e7\u00e3o. Ele diz que j\u00e1 se acostumou a ver olhares tortos quando se veste com roupas femininas ou faz penteados que s\u00e3o convencionados como de mulheres.  <\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisador do N\u00facleo de Pesquisa e Extens\u00e3o em Cultura e Sexualidade da Universidade Federal da Bahia, Claudenilson Dias afirma que todas as pessoas que tem o que ele chama de &#8216;viadagem exacerbada&#8217; s\u00e3o vistas de forma ruim dentro da pr\u00f3pria comunidade LGBTQIA+, e isso se agrava quando se tratam de pessoas negras. Por conta disso, ele classifica que ser uma bicha preta no Brasil \u00e9, acima de tudo, uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas pessoas mobilizam e incomodam o imagin\u00e1rio social, que busca um ideal de masculinidade que consideramos t\u00f3xica. Bichas pretas s\u00e3o a express\u00e3o de uma pol\u00edtica contr\u00e1ria a tudo isso&#8221;, aponta o pesquisador.  <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, contrariar estruturas sociais geralmente acarreta rea\u00e7\u00f5es, que podem ser violentas e constrangedoras, como foi o caso sofrido pelo estudante Pascoal de Oliveira. Ele foi ao supermercado Big Bompre\u00e7o de Itapu\u00e3 comprar farinha l\u00e1ctea usando roupa de gin\u00e1stica, ap\u00f3s fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos. S\u00f3 que, para a sua surpresa e indigna\u00e7\u00e3o, um funcion\u00e1rio disse que ele n\u00e3o poderia entrar no estabelecimento pois seu short era curto demais. Na l\u00f3gica do colaborador da empresa, Pascoal \u00e9 homem e n\u00e3o poderia estar ali de shortinho. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/5\/0\/csm_Willy_Montenegro_Foto_Vivaldo_Marques_Mais_Bichas_Pretas_719b06b1a2.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Willy &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB) e decano do movimento no Brasil, Luiz Mott afirma que nos seus 40 anos de atividade j\u00e1 consegue perceber algumas mudan\u00e7as e vit\u00f3rias para a comunidade LGBTQIA+, como a equipara\u00e7\u00e3o da homofobia ao racismo, legaliza\u00e7\u00e3o de casamento, uso do nome social pelas pessoas trans e a vit\u00f3ria retumbante de mais de 80 candidates lgbt+, sobretudo trans, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Apesar de mentalidades n\u00e3o se mudarem por decreto, esperamos que a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia assuste os criminosos em rela\u00e7\u00e3o a isso, para que n\u00e3o se mate tanto. A Bahia tem que rimar com alegria, cidadania e n\u00e3o com homotransfobia&#8221;, afirma Mott. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das mesas de debates, a Parada LGBTQIA+ da Bahia 2020 tamb\u00e9m ter\u00e1 atra\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. As performances ser\u00e3o da atriz, educadora e pesquisadora sobre ra\u00e7a, sexualidade e g\u00eanero, Matheuzza; da apresentadora, transformista e realizadora de concursos de beleza, Bagageryer Spilberg; das cantoras Doralyce e Josyara; do rapper Hiran, uma das maiores representa\u00e7\u00f5es do rap nacional; e de Malayka SN, que \u00e9 DJ, visual artist e drag.<\/p>\n\n\n\n<p> O projeto Diversidade tem realiza\u00e7\u00e3o do GGB, produ\u00e7\u00e3o Mar\u00e9 e parceria e cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado Correio\/Me Salte e Movida; e patroc\u00ednio do Grupo Big e Goethe Institut. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viol\u00eancia e preconceito ser\u00e3o debatidos em mesa virtual da Parada LGBTQIA+ da Bahia Vinicius Nascimento (vinicius.nascimento@redebahia.com.br) Ser bicha no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. 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