{"id":21812,"date":"2020-09-27T07:30:07","date_gmt":"2020-09-27T10:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=21812"},"modified":"2020-09-26T21:17:47","modified_gmt":"2020-09-27T00:17:47","slug":"naiana-ribeiro-nao-e-uma-fase-ou-modinha-sou-0-hetero-0-lesbica-e-100-bissexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/naiana-ribeiro-nao-e-uma-fase-ou-modinha-sou-0-hetero-0-lesbica-e-100-bissexual\/","title":{"rendered":"Naiana Ribeiro: &#8216;N\u00e3o \u00e9 uma fase ou modinha: sou 0% h\u00e9tero, 0% l\u00e9sbica e 100% bissexual&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das minhas melhores lembran\u00e7as \u00e9 do dia em que senti que fazia parte de algo. Foi em uma boate de Salvador, quando pude, pela primeira vez, ser apenas eu sem ser julgada. Por ser gorda, me escondi e me anulei por anos para tentar me enquadrar num padr\u00e3o que a sociedade me impunha como ideal. Naquele dia, coloquei um cropped &#8211; top com a barriga \u00e0 mostra -, caprichei na maquiagem, e arrasei na pista de dan\u00e7a. A sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que o universo LGBTQIA+ me trouxe \u00e9 indescrit\u00edvel. Naquela \u00e9poca, me definia enquanto heterossexual (pessoa que sente atra\u00e7\u00e3o pelo g\u00eanero oposto). <\/p>\n\n\n\n<p>Essa aproxima\u00e7\u00e3o da comunidade LGBTQIA+ foi essencial no meu processo de aceita\u00e7\u00e3o e entendimento enquanto gorda. Nesse momento transformador e decisivo, tamb\u00e9m passei a entender melhor a minha sexualidade e percebi que n\u00e3o era apenas \u2018simpatizante\u2019 da causa. Eu fa\u00e7o parte dela. Sempre me atrai por homens e por algumas mulheres tamb\u00e9m &#8211; por pessoas de todos os g\u00eaneros &#8211; s\u00f3 n\u00e3o sabia que isso era poss\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, as varia\u00e7\u00f5es da sexualidade nunca me foram apresentadas como op\u00e7\u00e3o: \u00e9 a tal da heterossexualidade compuls\u00f3ria, que dita n\u00e3o s\u00f3 que o \u2018normal\u2019 \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o pelo g\u00eanero oposto, mas os pap\u00e9is sociais que cada um desempenha. Por conta da hiper-romantiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es heterossexuais &#8211; tanto afetivas, amorosas, quanto sexuais &#8211; somos levadas a construir a vida em torno de homens. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois de um processo de imers\u00e3o e de autoconhecimento muito intenso, passei a me afrimar no lugar de  bissexual (bi). Segundo o Manifesto Bissexual &#8211; publicado em 1990 &#8211; pessoas bi sentem atra\u00e7\u00e3o por mais de um g\u00eanero, independentemente de qual for. <\/p>\n\n\n\n<p>Neste m\u00eas da Visibilidade Bissexual, vejo o qu\u00e3o necess\u00e1rio \u00e9 falar abertamente sobre isso &#8211; afinal, representatividade abre portas, promove discuss\u00f5es e amplia espa\u00e7os. E, infelizmente, a bissexualidade ainda \u00e9 cercada de preconceitos (bifobia) e nega\u00e7\u00f5es. Muitas pessoas ainda n\u00e3o entendem o que \u00e9 ser bi. Algumas ainda fazem associa\u00e7\u00f5es erradas com promiscuidade ou indecis\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma fase. Sou 0% h\u00e9tero, 0% l\u00e9sbica e 100% bissexual. E ser bi n\u00e3o me coloca \u201cem cima do muro\u201d,  muito menos quer dizer que quero sair por a\u00ed pegando todo mundo (o que tamb\u00e9m n\u00e3o seria um problema). A quest\u00e3o \u00e9 nos reduzir apenas a isso. \u00c9 horr\u00edvel sofrer a invalida\u00e7\u00e3o constante de prefer\u00eancias, desejos e anseios.<\/p>\n\n\n\n<p>Como qualquer outra sexualidade, bissexuais tamb\u00e9m amam e podem ter rela\u00e7\u00f5es monog\u00e2micas ou abertas. Bis podem se relacionar mais com um g\u00eanero do que com outro. Ou com v\u00e1rios g\u00eaneros. Cada viv\u00eancia \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das milit\u00e2ncias de g\u00eanero e corpo, uma das minhas lutas atuais \u00e9 para que as pessoas bissexuais tenham mais visibilidade, inclusive no meio LGBTQIA+. Ser bissexual dentro da comunidade \u00e9 enfrentar preconceitos e at\u00e9 exclus\u00e3o. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a sigla tem um B.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 por isso que \u00e9 t\u00e3o importante falar sobre bissexualidade. Precisamos acabar com d\u00favidas e desconstruir preconceitos. Precisamos mostrar a todas as pessoas &#8211; dentro e fora da comunidade &#8211; que a bissexualidade existe, \u00e9 v\u00e1lida e merece reconhecimento e respeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das minhas melhores lembran\u00e7as \u00e9 do dia em que senti que fazia parte de algo. 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