{"id":21392,"date":"2020-06-25T10:26:55","date_gmt":"2020-06-25T13:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/?p=21392"},"modified":"2020-06-25T10:25:01","modified_gmt":"2020-06-25T13:25:01","slug":"entrevista-os-efeitos-psicologicos-da-pandemia-nas-pessoas-lgbtqiap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/entrevista-os-efeitos-psicologicos-da-pandemia-nas-pessoas-lgbtqiap\/","title":{"rendered":"Entrevista: os efeitos psicol\u00f3gicos da pandemia nas pessoas LGBTQIAP+"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta sexta-feira (25) completamos 100 dias de isolamento social em Salvador. Esse per\u00edodo tem sido de ressignifica\u00e7\u00e3o para fam\u00edlias LGBTQIAP+  e tamb\u00e9m de muita tens\u00e3o psicol\u00f3gica naqueles lares onde n\u00e3o h\u00e1 uma aceita\u00e7\u00e3o da sexualidade. Anderson Fontes que \u00e9 psic\u00f3logo, conselheiro do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), psicoterapeuta junguiano, mestre em estudos interdisciplinares sobre mulheres, g\u00eanero e feminismo e doutorando em psicologia social, conversou com o Me Salte sobre como  essas pessoas podem ter uma melhor conviv\u00eancia na pandemia. Confira: <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitas pessoas LGBTQIAP+ foram obrigadas nessa quarentena a conviver com fam\u00edlias opressoras com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade. Como essas pessoas podem melhorar a conviv\u00eancia?\u00a0<\/strong><br> \u00a0<br> A pandemia pela qual estamos passando est\u00e1 demandando de n\u00f3s o isolamento social e, consequentemente, a hiper conviv\u00eancia com os familiares que moram conosco. Isso pode ser uma oportunidade para estreitar la\u00e7os e para fortalecer v\u00ednculos, como, tamb\u00e9m, pode significar a emerg\u00eancia de diversos conflitos. No caso de pessoas LGBTQIAP+, que ainda n\u00e3o sejam assumidas ou cujos familiares n\u00e3o os respeitem, o fato de estarem isolados em casa com estes familiares pode representar ter que conviver com a amea\u00e7a constante \u00e0 sua sa\u00fade mental.<br> \u00a0<br><strong> Quais tipos de danos esse conflito for\u00e7ado podem causar para essas pessoas?<\/strong><br> As pessoas LGBTQIAP+ s\u00e3o marcadas por aus\u00eancias de representatividade e, muitas vezes, possuem o padr\u00e3o cisheteronormativo como o ideal, o que produz marcas nas suas subjetividades. Sendo assim, que o medo\/vergonha, mesmo em tempos de pandemia, tornem-se orgulho. Quarentena n\u00e3o pode ser momento de silenciamento de subjetividades. Uma estrat\u00e9gia importante \u00e9 o conhecimento e participa\u00e7\u00e3o em movimentos sociais LGBTQIAP+ nesse momento, mesmo que de forma virtual agora.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse per\u00edodo de quarentena \u00e9 o melhor momento para \u2018sair do arm\u00e1rio\u2019? Um seguidor do Me Salte nos relatou que fez isso, aproveitando que est\u00e1 confinado com a fam\u00edlia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em fam\u00edlias nas quais essa quest\u00e3o seja tratada de maneira mais aberta e compreensiva, fica mais f\u00e1cil \u201csair do arm\u00e1rio\u201d, e a conviv\u00eancia em tempo integral por conta da quarentena pode representar uma oportunidade para ressignificar os la\u00e7os afetivos e fortalecer o apoio e a confian\u00e7a entre seus membros.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong> As viv\u00eancias familiares da maioria das pessoas LGBTQIAP+\u00a0 s\u00e3o conturbadas. De que maneira isso pode se trabalhado para evitar o recrudescimento de conflitos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> \u00c9 importante frisarmos que o momento da quarentena \u00e9 um per\u00edodo passageiro e que serve para a garantia da preserva\u00e7\u00e3o de muitas vidas. E que tudo que se pretenda fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o sexual e de g\u00eanero, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando se tem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de seguran\u00e7a \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Portanto, visando sempre o menor preju\u00edzo, quando a pr\u00f3pria vida est\u00e1 em jogo, seja pela amea\u00e7a do COVID-19, seja pela amea\u00e7a homof\u00f3bica dos familiares, o recuo estrat\u00e9gico para a preserva\u00e7\u00e3o da integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica \u00e9 sempre a melhor alternativa, ao tempo, que podemos compartilhar nossas inquieta\u00e7\u00f5es e anseios com nossos amigos e familiares mais compreensivos para ampliarmos nossa rede de apoio e recorrermos quando necess\u00e1rio.<br> \u00a0<br><strong> As pessoas transexuais vivem em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade familiar normalmente. Como elas podem se trabalhar psicologicamente nesta quarentena?<\/strong><br> \u00a0<br> As pessoas trans passam por marcadores ainda mais significativos no Brasil, considerando que somos o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo. V\u00e1rias portas s\u00e3o fechadas, n\u00e3o s\u00f3 da subjetividades, mas, tamb\u00e9m, de vagas para pessoas trans no mercado formal. Vale destacar que s\u00e3o pessoas que tamb\u00e9m est\u00e3o na linha de frente das viol\u00eancias. O Panam\u00e1, por exemplo, criou uma quarentena que institui que homens saem em um dia e mulheres em outros, alternando. Estaremos a\u00ed garantindo o direito das pessoas trans \u00e0 sa\u00edda no dia da sua identidade de g\u00eanero? Ressalto aqui tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de construir redes de apoio para esse momento que estamos passando.<br> <\/p>\n\n\n\n<p> \u00a0<br><strong> Como as pessoas LGBTQIAP+\u00a0 podem se blindar dos conflitos familiares nesse momento de quarentena?<br><\/strong> \u00a0<br> Como estrat\u00e9gia para amenizar essa situa\u00e7\u00e3o, alguns LGBTQIAP+ tem relatado que preferem fazer isolamento dentro do isolamento, que se trata em evitar o contato com os familiares mais preconceituosos e acess\u00e1-los somente quando estritamente necess\u00e1rio, evitando, inclusive, confrontos diretos. Em contrapartida, pode ser incorporada a essa estrat\u00e9gia a utiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais para manter contato e intensificar os v\u00ednculos com amigos e parentes que est\u00e3o distantes e que compreendam a diversidade sexual e de g\u00eanero.<br> \u00a0<br><strong> O isolamento dentro do isolamento tem sido muito comum para as pessoas LGBTQIAP+ que vivem em fam\u00edlias. At\u00e9 que ponto isso \u00e9 positivo e como isso deve ser trabalhado?<\/strong><br> \u00a0<br> Isto poder\u00e1 proporcionar sensa\u00e7\u00e3o de acolhimento e de apoio durante o per\u00edodo de quarentena no qual a conviv\u00eancia social est\u00e1 restrita com as pessoas que moram conosco e que nem sempre podem ser nas quais buscamos amparo e prote\u00e7\u00e3o. Neste caso, \u00e9 necess\u00e1rio termos cautela com atitudes que possam desdobrar-se em conflitos, como no caso de se assumir para a fam\u00edlia, principalmente, quando ainda se est\u00e1 sob a tutela dela e ainda mantenha algum tipo de depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o momento certo para essas pessoas LGBTQIAP+\u00a0 que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de conflito buscarem ajuda psicol\u00f3gica?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando n\u00e3o conseguimos identificar essas pessoas que podem nos servir de apoio ou at\u00e9 mesmo quando n\u00e3o estamos conseguindo lidar com essas quest\u00f5es de maneira saud\u00e1vel, podemos procurar ajuda profissional de um psic\u00f3logo. Atualmente, existem servi\u00e7os e profissionais atendendo voluntariamente por conta da pandemia do COVID-19, e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de procur\u00e1-los apenas em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, o enfrentamento \u00e0 homofobia j\u00e1 se configura como uma quest\u00e3o que necessita de amparo e fortalecimento da pessoa para n\u00e3o sucumbir a este isolamento e \u00e0s suas consequ\u00eancias. \u00c9 nesse sentido, que a ajuda psicol\u00f3gica pode ser importante e fundamental.<br>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta-feira (25) completamos 100 dias de isolamento social em Salvador. Esse per\u00edodo tem sido de ressignifica\u00e7\u00e3o para fam\u00edlias LGBTQIAP+ e tamb\u00e9m de muita tens\u00e3o psicol\u00f3gica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21393,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[2047],"class_list":["post-21392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-home","tag-lgbtqiap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21392"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21396,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21392\/revisions\/21396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correio24horas.com.br\/mesalte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}